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24 de abril de 2015

Abaixo do tapete.

Praia do Garajau, 2 de Abril de 2015.


E eis-me aqui, 12 dias depois do último abraço, dos últimos beijos (leves e tristes), de um sorriso disfarçado, dos adeus que dissemos enquanto eu subia (a muito custo) a escada rolante. 12 dias depois.

Tudo me parece vago, tudo está baço. Quero o calor do teu abraço, o teu olhar doce e a calmaria que trazes contigo e que, de certa forma, me matou os fantasmas e me deixa mais leve, mais solta. É isso mesmo. Preciso de ti. Preciso da tua leveza e desse jeito único e terno de ser.

Preciso da tua determinação, da tua coragem. Quero para mim a tua verdade e as tuas certezas. Preciso do teu sorriso mas também não passo sem a tua voz, nem tão pouco sem te ver falar e gesticular o lábio superior de uma forma tão peculiar, tão tu. Tão minha, porque já és meu. E eu sou tua. Tu sabes...

Preciso de ti. Mais hoje do que já precisava ontem.

Toca-me onde me dói e verás
uma flor a abrir-se lentamente
sobre a pele, a maravilha nunca
adivinhada de um mistério. Esta

é a tua vez de o desvendares -
paixão é uma palavra demasiado
antiga no meu corpo, já não sei a
última vez, a única vez. Toca-me

por isso devagar, não me lembro
da primavera que fez nascer a
doença sobre a ferida, não sinto
o recorte da cicatriz que o tempo

pousou nela. Agora chama-me ao
teu peito com as mãos, tal como a
chuva chama pelos narcisos sem

cessar, ano após ano; diz o meu
nome com os dedos a serem rios
que latejam no coração adormecido

de uma aldeia. Não me adivinhes -
lá, onde me doer, vou recordar-me. -- Maria do Rosário Pedreira.




18 de novembro de 2014

Um dia (eu vou ficar bem).


Pode ser o que você quer
Ou o que eu tenho pra te dar
Uma vida inteira pra viver
Ou um só segundo pra lembrar...



No dia em que TU morreste.


«Na noite em que tu nasceste, a Lua sorriu com tanta admiração que as estrelas vieram de imediato espreitar para te ver e a brisa nocturna sussurrou: "A vida nunca mais será a mesma". Porque nunca houve ninguém como tu neste Mundo, tão encantados contigo estavam o vento e a chuva que sussurravam bem alto o som do teu lindo nome. E o Céu soprou todos os seus trompetes e tocou todas as suas cornetas, na magnífica e maravilhosa noite em que tu nasceste.»
-- Nancy Tillman.

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Capítulo 1.
Não sei se nasceste de manhã, de tarde ou de noite mas sei qual foi dia em que TU morreste. Foi hoje, há 9 anos atrás e isso jamais esquecerei. Afinal, está/ficou gravado na minha alma para todo o sempre.

Capítulo 2.
Bem sei que nunca gostaste do teu nome mas, lá está, gostavas do meu e por isso mesmo, contra tudo e contra todos, chamaste-me Paula. Hoje, passados estes anos todos, muitos ou poucos não importa, a dor é sempre a mesma. Faltas-me tu, falta-me o calor da tua pele, falta-me o teu cheiro tão peculiar, faltam-me os afectos, o abraço, o teu jeito de me afagar do cabelo, falta-me a tua alegria, faltam-me as tuas tristezas de um passado na Ilha, onde nunca conseguiste ser tu, em plenitude. Faltam-me os teus "dizeres" (bom, agora tenho a Célia que diz coisas, levadas da breca, mas que me fazem gargalhar sem parar), faltam-me as tuas certezas (especialmente aquelas que tanto me serenavam e outras vezes vezes me tornavam forte), faltam-me as tuas anedotas, faltas-me tu e o Pai juntos, amigos e companheiros, como nunca mais voltei a encontrar casal igual. Falta-me a candura do teu olhar, ora conciso, ora duro, ora doce feito mel. Faltas-me tu, o meu eterno porto seguro. Não te vejo alçar da perna em jeito de descanso, enquanto fumavas um dos teus 50 cigarros SG Filtro, mas a Rosete fá-lo como mais ninguém, tal e qual tu o fazias, sem vergonhas e na maior. Faltas-me tu e a tua capacidade de organização. Podes não acreditar mas eu até tenho saudades da carne assada e da panela de arroz que levavas para a casa da Alice, por ocasião das festas. Esta é a mesma Alice que ainda há dias me disse que só tu lhe pedias utensílios de cozinha dos quais ela nunca tinha ouvido falar. Vê lá tu bem que até sinto saudades de te pores a arrumar os armários e as cozinhas das pessoas em geral (na verdade, arrumavas tudo o que apanhasses à frente). Falta-me o teu amor imenso por mim (nunca ninguém me amou como tu me amaste), por todos e por tudo quanto acreditavas valer a pena. Eras mais do que um pilar. Eras força, coragem e luta. Misturavas-lhe graça, punhas aquela pitada de humor (e até alguma "brejeirice") e era vê-los todos a invadir a tua cozinha, já perdidos de tanto de rir. Ías sempre para a frente, nunca olhavas para trás; Não querias e nem gostavas de o fazer. Eras presente no momento presente. E quer queiras, quer não, foste sempre o "presente" da minha vida, o meu maior tesouro. Em tudo. Querias ter os meus olhos grandes e as pestanas longas (o que tu falavas disto!) mas tu eras a Luz em pessoa. E ainda bem que não fui só eu que te "vi" assim. 

Capítulo 3.
Decididamente, tu não eras normal; Não eras deste Mundo. E não tenho dúvidas de que o Mundo, este mesmo Mundo em que viveste e em que vivemos ainda todos, não te esquecerá. Afinal de contas, a vida não foi a mesma desde o dia em que nasceste, nem tão pouco desde o dia em que TU morreste.

[E até foste tu que me ajudaste a pagar o bilhete para eu ir a Alvalade (credo em cruz) ver os Srs. das Armas e das Rosas. Sim, eu sei. Isto não tem nada a ver com o dia em que tu morreste mas não podia deixar de dar o ar da minha graça, caso contrário isto ficava dramático demais. E não vale a pena, né?]




11 de novembro de 2014

Psssttt... Hoje é Dia de S. Martinho!


O S. Martinho sempre foi uma data importante para mim. Nunca foi pelo vinho (agora também é) mas sim pelas castanhas. Mas não só.

Na minha casa, fosse dia de semana ou ao fim-de-semana, era sempre dia de jantar de forno. Havia (mais) alegria, falávamos e e riamos alto, comíamos ainda melhor e no fim... Ei-las, as belas castanhas! Cozidas, fritas e assadas misturadas com o carinho único da minha Mãe que, não lhe bastando ter-nos feito o jantar, fazia imensa questão de as ir descascando. Realmente, só mesmo um ser humano como ela para o fazer. Mas eu aprendi a lição e também o faço. Isso e separar bago a bago de uva para servir à mesa (ou dar na boquinha de alguém mais especial).

A minha Mãe costumava dizer que com tanta castanha que eu comia (fora o chá ou água que ingeria), qualquer dia fazia madeira na barriga. E esta não era, de todo, uma visão agradável. Porém, e quando passei a beber vinho, a questão deixou de se pôr. Vinho é vinho. Tinto, sempre.

Aos 39 anos descobri que o meu alimento preferido - a bela da castanha, pois então - faz-me mal (muito mesmo). Chamam-lhe intolerância alimentar mas eu prefiro pensar que é só mais uma modernice. Mas nã, nã, nã... Hoje é Dia de S. Martinho!

Até as ter todas cá dentro (as que conseguir aguentar!), a incharem-me a barriga como só elas e a demorarem uma eternidade para serem "processadas" pelo organismo, vou ver se medito e abro a mente e o coração para as "receber". E vou perdoar-me (tenho que começar o quanto antes!). Tenho a certeza que serei feliz que é, como quem diz, as belas castanhas vão-me saber pela vida!

E eu sou pela paz, pelo amor e por aproveitar tudo de bom e maravilhoso que a vida nos dá. E hoje, só por hoje, vou comer castanhas e estarei (ainda) mais feliz.

Abra-se a garrafa de vinho!
 


10 de novembro de 2014

Rosamund Pike, the Gone Girl.


Este vai aos Óscares, sem sombra para dúvidas. É o tipo de filme que Hollywood aprecia, independentemente de retratar (e colocar a nu) várias fragilidades do ser humano, especialmente daqueles que partilham uma vida. Entretanto, vai daqui uma referência especial para a actuação intimidante de Rosamund Pike, quase que a roçar o sublime de tão denso, demente e negro que é.

O Amoreiras sempre em bom, aliás, no seu melhor. Já eu, para lá chegar a tempo e horas, saí de casa cedo, adivinhando que me perderia pelo caminho. Valeu a pena. Passei em S. Bento, disse adeus à Sô D. Amália, vi a beleza única da Estrela, de Campo de Ourique e pronto. Lá cheguei ao destino a tempo de matar saudades de um belo café Delta no quiosque lá do sitio.



4 de novembro de 2014

Canhoto.

O Talisca jogou, marcou e petiscou.
E é canhoto, "ah posé"!

3 de novembro de 2014

Guardar, usar e/ou deitar fora.

Lá está o Karma, coitado, cheio de véus.


31 de outubro de 2014

E pluribus unum.


11 Anos depois.
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Uns vão-se, outros ficam. A vida é assim, insiste em não se aperfeiçoar e isto, por si só, é extraordinário.

A Catedral da LUZ.
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É única. Dá-nos alegrias tremendas mas também nos rouba sonhos. A mística, essa mantém-se. Somos todos um SÓ. Somos grandes nuns dias e ficamos pequeninos noutros tantos. Os corações batem mais depressa e de forma descompassada. Tic-Tac, Tic-Tac...
Já ali ri; Já ali chorei. Emocionei-me, gritei, pulei, tantas corpos abracei.

A Águia Vitória.
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Arrepia-me desde a unha do dedo mindinho até à raíz dos cabelos. E ali ficamos nós, todos de pé qual papoilas saltitantes nos campos a vibrar. Naqueles instantes, o pulsar dos corações vibra numa só frequência; A energia contagia-nos. E, tal como ouvi em tempos, esta coisa do Benfica é tipo virús... Sobe-se por nós acima! E é mesmo.

Venham mais 11. Afinal de contas, contra nós só quem conseguir.


28 de outubro de 2014

Cabe tudo dentro de um abraço.



Minha Querida e Doce Inês,

Que as nossas vidas sejam sempre recheadas de amor e temperadas com alegria, carinho e copos de vinho tinto (venham a nós os Sábados tão adorados!).
Fazes parte do Património dos meus Afectos e tenho por ti uma admiração e respeito enormes.
Coisas nossas... De ontem, do hoje e para o amanhã.

27 de outubro de 2014

À (nossa) volta.

Pensei logo na reciclagem, assim só por exemplo.

24 de outubro de 2014

Prancha em inglês diz-se plank.

Ainda a propósito do soalho pélvico de ontem (hoje é dia, uhuhuhu!), eu também faço pranchas no Pilates. Ah, pois é. E gosto. O problema é só um, quer dizer, na prática são três: os dois punhos e a (falta de) força.

Ainda assim, esforçamo-nos todos imensooo para manter uma cara alegre e contente, como se não se estivésse a passar nada. E diz o Budismo que não se está a passar mesmo nada, certo?

Basta apreciar a carinha da mocinha lá de cima. É que a vidinha corre-lhe bem!

21 de outubro de 2014

A vida não gosta de esperar. Já eu, adoro fazer ó-ó.

Eu acordo com despertador todos os dias, excepto ao Domingo. Sim, tenho Domingos e também faço almoços e jantares  românticos comigo mesma. E vou ao cabeleireiro, à esteticista e manicure/pedicure, ao cinema, a todas as lojas que me apetece, independentemente de comprar ou não. Faço meditação, Reiki, cursos de Mindfulness e retiros espirituais, gosto de Sta. Rita de Cássia mas também tenho tatuagens no corpo e gosto de beber vinho tinto e ponchas. E ginjas em copinhos de chocolate, ali para os lados do Porto Moniz (mas tem que ser Inverno e estar muito vento e frio). Este ano também me lambuzei muito no Santo da Serra. Quer dizer, lambuzei-me em frango assado e em bolo do caco, assim cheiooo de manteiga de alho (não propriamente no Santo António, entenda-se), tudo bem regado a vinho tinto e boa companhia.

Agora lembrei-me que também vou à praia do CDS nas horas de calor e é tão bom, oh se é. E bebo minis pretas ao Sol, enquanto se comem batatas fritas de pacote a saber a sal e a azeite manhosos. E que dizer dos mojitos na Praia do Garajau, entre calhaus e pedras de todos os tamanhos e feitios, hein? Certo é que também vou dos Prazeres à Calheta na torreira do Sol, do Paul do Mar ao Estreito da Calheta; Fazemos praia em pleno Oceano Atlântico, ouve-se música reggae e não se sabe bem onde se está (eu hei-de visitar a Jamaica), rumamos ao arraial mais próximo todas "desgadelhadas", dançámos e "encaracolámos" num "Apita Ó Comboio" frenético. Por fim, não menos satisfeitas, sentámo-nos no chão para comer sandes de carne vinha d'alhos e beber vinho com laranjada, fugimos de pessoas e desejámos pôr o "rabixole" numa bela Virago. Mas a Rosa é que me conduzia, só naquela de sermos rebeldes.

Isto para não falar de uma vez que saímos de um cemitério no Redondo e, uns metros depois, desatámos a rir que nem loucas, perante os olhares curiosos e estupefactos dos demais. Isto sem contar que, sempre que se ouve aquele CD do Tony Carreira, o carro da Rosa torna-se num verdadeiro Olympia de Paris. Cantamos alto, baixo, "gesticulamos", ora com os bracinhos no ar (é o Tony que nos pede, atenção), ora com o corpinho a dar a dar. Houve quem ficasse tremendamente chocado mas nós lá continuámos, em palco! Simmmmmm...! Que vai ser nóssssss?!...

Bom, também tenho alturas em que passo horas sem fazer um cú, é verdade. E é muito bom. Mesmo. Mas está na altura de voltar a fazer o tricot com lã grossa e agulhas gordas, bem sentadinha no sofá, enquanto bebo chá de perpétuas roxas e embruteço a ouvir a Casa dos Degredos, que nos faz ter conversa para o resto da semana. Conversa e risota, ora bem.

Ter filhos deve ser igualmente bom; Não sei mas acredito que sim. Ser filha é maravilhoso, isso não posso negar. A propósito, acho MESMO que tudo faz parte, tal como diz a minha Comadre Célia. É maravilhoso de uma maneira ou de outra. Já fomos "ricas", é certo. Hoje, tendo um KING na vida e no coração, somos ainda mais felizes!
 
Gosto desta musiquinha, até porque a vida não gosta de esperar. Já eu, adoro fazer ó-ó!





[Oh pá, mas afinal quem é essa tal de Xana Toc Toc?]

20 de outubro de 2014

Provalmente, só me falta parir.(*)

Belisco-me assim... 2, 3 vezes, só naquela e tal. Sendo que tenho 39 anos e que aprendi a ler aos 6, dou-me por satisfeita por encontrar isto.

E, visto que julguei que este dia jamais chegaria, vou ali abrir uma garrafita de vinho tinto e já volto. É que o parir, esse, fica para depois.

(*) E conhecer a Patagónia mas não sem antes passar pela Argentina. Ah, pois é!

5 de dezembro de 2013

Correr à noite em Lisboa.


Eu até que comecei bem a "coisa" e até escrevi sobre isto mas depois... Puft! É que nunca mais me lembrei do assunto.

Dizem os mais entendidos que mais vale tarde do que nunca. E eu faço questão de registar a minha primeira vez em corridas. Sim, co-rri-das.

Sim, foi em Outubro, em plena Lisboa, estava a chover mas quiseram os Céus que parasse durante a dita cuja. Foi giríssimo, exceptuando a parte da (dor de) burra que acompanhou as outras duas garotas. Oh pá, oh pá... São 28 aninhos (os delas, claro!). Não se aguenta, bem sei!


Night Run, night runners forever, pá! É isto e dançar Diego Miranda durante quase 2h seguidas em pé! Corajosas, valentes, hein?!...


12 de março de 2013

À mesa com todos.

Ainda ontem partilhava dois fados deste moço com a minha querida Amiga Flôr... O moço, por seu lado, giro de doer, diga-se en passant! Só assim naquela. E tal.

No EntreTanto, eis que hoje me deparo agradavelmente com isto: À mesa com todos.



24 de janeiro de 2013

Vazio.

Foto de Rua.

É que não me incomoda o facto de surgires do nada e, dessa mesma forma, encheres e desorganizares um fim-de-semana. Mas é que não me incomoda de todo! Faz parte e tu fazes parte. Há muito que deixei de o negar e, às páginas tantas, sou muito mais feliz assim. E estou em paz comigo e com tudo o que me rodeia. E até mesmo contigo. Tu és tu.

Só que o vazio é uma cena fodida. E as paredes reclamam alguma loucura, devaneio e gargalhadas, as muitas gargalhadas... Faz um frio do caraças no Inverno e, assim como o mar, há calores e calores.

Eu deixo-te ser mas permito-me estar. Só que tem que ser em bom e bem. E são meus todos os meus "ais", todos os meus "sim", todos os meus "não". Eu quero, posso e mando. 

Mas o vazio está lá. E o frio também. Mas eu sou eu; E estou e sou o melhor que sei, o melhor que posso.

Então e depois? Depois é depois. Nada mais.




27 de dezembro de 2012

Conceito de Felicidade.

Vamos fazer de conta que é dia 25 de Dezembro, Dia de Natal, caso contrário seria difícil contextualizar este meu post.

De há sete anos para cá que o meu acordar nesta data se tornou diferente. Sim, diferente, digamos assim até para não tornar este texto lamechas e manchado já, à cabeça, por tristezas e assim. "Coise e tal", como diria Miss V.

Abro olhos assim naquela, sem saber muito bem em que terra estou. O barulho das portas dos armários, de tachos e panelas há muito que se faz sentir e, acabo, naturalmente, por me render às evidências, encaixar e realizar, de uma vez por todas, que é hora de tirar o rabo da cama.

Primeiro, solto as pernas dos lençóis para sentir a temperatura do ar, procuro os chinelos de quarto que, provavelmente, estarão um para cada lado. Respiro fundo, mais uma vez. Há muito barulho lá ao fundo, na cozinha. Raios, xiça, penico! Nos entretantos, o cheiro de carne a assar tranquilamente no forno é algo que se me entra pelas narinas e me faz farejar, como se do mais belo perfume se tratasse. Mas não se trata do mais belo de todos, não. Isso é que não.

É o odor, o sabor, o calor do pescoço da minha Mãe que almejo sentir! Sei que lhe vou aparecer de surpresa, ela vai soltar uma asneirola fácil e feia mas depois aninhamo-nos como se não houvesse amanhã... Como se não houvesse destino. E, naquele INSTANTE, não existe, mesmo. De todo! Ou julgava eu que não existia. No fundo, e para ser realista, é mais isto, que há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. Bem entendido.

Tudo o resto podia estar "lastimoso". Bom, certo e sabido que nunca fui pessoa de grandes lamentos até porque a vida tem-me corrido relativamente bem. Aliás, conheço alguém muito especial que sempre me disse «-Tu tens uma vida simpática». Confere; A pessoa está certíssima! Mas sim, por uma ou outra razão, a "coisa" podia até nem estar a correr de feição que a mim me bastava, tão somente, a minha Mãe existir, ela ser minha e eu ser a sua menina, a sua Paulinha de olhos grandes e pestanudos, de sorriso aberto e a quem ela tantas vezes obrigava a cantar. Pois que, é verdade. Fazia-me cantar e representar como se estivesse por aí, num palco qualquer. Ui, das figurinhas.

Aquele momento, aqueles abraços todos, os cheiros, o entregar-me nos seus braços, fazê-la sentir-se a melhor Mãe do Mundo e ser, garantidamente, a Filha mais feliz e preenchida desse mesmo Mundo também... Este sim é o meu conceito de Felicidade. Não, nunca conheci e dificilmente irei conhecer outro igual.

Hoje, no agora dos dias presentes que correm desalmadamente, como se fossem uns grandes malucos, as manhãs de dia 25 de Dezembro são, nada mais e nada menos, iguais a tantos outros acordares domingueiros. Preguiça daqui, preguiça d'acolá, salto da cama e tudo o resto acontece. Faz parte, direi eu. Ou não, sei lá eu! 

Do património dos meus afectos posso afirmar que, pelo tempo que for, pelo tempo que durar, o meu Amor Existe. E esse Amor (ainda) és Tu, Mãe



11 de novembro de 2012

"Lagusto" em homenagem ao "S. Valentim"!

Coisas minhas e da Flor maior da minha life!

Pois que, segundo ouvi dizer, o N. vai ter um "lagusto" na escola para, nem mais nem menos, comemorar o "S. Valentim", outro grande maluco.

Bem sei que o S. Martinho não se vai chatear com esta troca singela de nomes até porque, Santos há muitos. Tal como os chapéus, ah, pois é.

Bom, bom foi este FDS. Um Sábado preenchido, entre cozinha, uma sessão de Shiatsu, novamente a cozinha, um belo tinto Duas Quintas e, para não fugir aos tão afamados Domingos de Inverno, este não podia ter sido diferente. Nem melhor. Foi igualmente bom, maravilhoso. Com tudo a que tenho direito. 

Desde o dormir até tarde, o banho mais demorado e sem pressas, um belo pequeno almoço, cozinhados (sou verdadeiramente feliz numa cozinha e tenho para mim que, provavelmente, tenho um dom tão especial que ando perdida entre papéis, responsabilidades a mais e entre andar aqui e ali a ajudar toda a gente e um par de botas), um telefonema de longe, o sofá e a 1.ª parte do 4.º filme da Saga Twilight, para além das gargalhadas que dei com a Miss Vane, novamente ao telefone. Comadres, tá visto.

Seguiram-se as tão afamadas castanhas - desta feita, cozidas e assadas -, o Brie, o paté de ervas finas com tostas, 3 rodelas de batata doce (oh sei lá eu mas... faz-me sentir na Madeira...) e claro, bem regada a tinto.

"Lagusto" que é "lagusto" é isto tudo. Faz parte de mim e, apesar de que as palavras leva-as o vento, faço questão de comemorar sempre este dia. Aviva-me a memória, revolve-me o Baú precioso das Minhas Recordações e traz até mim a alegria da minha Mãe, assim como a sua vontade constante de comemorar... De comerar a VIDA! (curiosamente.. só conheço outra pessoa assim...)

Ohhhh Céus, que a semana seja igualmente simpática e em BOM.

31 de outubro de 2012

Hoje é Dia de Nádia.






Não é que crescem "moranguitos" de há 32 Primaveras para cá? É, sim senhora.

Por isso mesmo, e sem mais demoras, fica aqui registado que o dia 31 de Outubro é o teu dia. No meu coração e no coração de todos aqueles que têm cruzado o teu Caminho.

Sou feliz por te ter na minha vida, mais hoje do que já o era ontem. Acima de tudo, sou-te grata! Quero o MELHOR para ti, na certeza de que isto também será o meu melhor.