Mostrar mensagens com a etiqueta Afectos. Fragmentos e Pensamentos. O Meu Eu.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Afectos. Fragmentos e Pensamentos. O Meu Eu.. Mostrar todas as mensagens

28 de abril de 2015

Prometes que farás o pino?

Praia Formosa. 2015.

«Enrola-te em mim. Entrelaça o teu corpo no meu. Cai nos meus braços. Esquece o risco e aproveita a queda. Traz o abraço que eu levo o corpo. Traz o beijo que eu levo os lábios. Traz a urgência que eu devolvo a calma. Traz-te. Eu já cá estou.» -- Rita Leston.

------------------------

Visto que não és o Gato Maltês, promete-me que farás o pino. Mas vem. Rápido. Ontem e antes de ontem foi tarde e longe de mais. Aliás, estamos longe. Isto assim não "presta", isto assim não tem piada nenhuma. Perdi a vontade de brincar assim, no cá e lá.

Já te disse que não quero sequer ouvir falar de aeroportos? Quer dizer... Ainda tenho umas quantas "voltas" a dar mas já, já tudo mudará.

O teu lugar sou eu; Já eu sou aquela que te faz rir das coisas mais tontas que possamos ambos imaginar. Mas eu digo-as e tu ris. Ris de mim, do que eu digo. Prometo não fazer de conta, prometo não te imitar. Mas também prometo que continuarei a ser a (tua) "continental". Tu sabes que sim. Eu quero e tu gostas assim.

Está tudo certo e esse mesmo tudo é o TANTO que faz parte. É a Célia que diz (e sempre disse) e eu acredito. Oh, Oh se acredito.

Estamos todos à tua espera. Tenho 3 qualidades de Gin na despensa e água tónica no frigorífico. A Célia e o Carlos guardaram-te vinho alentejano. Já eu tenho para mim que sairemos de lá a rebolar. Literalmente. Ainda assim, rebolaremos felizes e contentes, de coração e braços cheios de afectos.

Lá estarei à tua espera, no tal sítio que passei a gostar muito pouco... Lá estarei porque é assim, como tem que ser. Por agora, pelo menos... Até ver o que a vida nos trará (sim, vai trazer-nos o que jamais nos deu, eu sei que sim).

Voltando um pouco atrás, juro não quero insistir na questão do pino. E realmente, pensando melhor, venho antes prometer-te que, se me abraçares suavemente, não terás que fazer esse tal pino. Porém, terás forçosamente que sorrir até mim. Só assim te "vejo", só assim sou tua. Só assim me perco e encontro.






24 de abril de 2015

Abaixo do tapete.

Praia do Garajau, 2 de Abril de 2015.


E eis-me aqui, 12 dias depois do último abraço, dos últimos beijos (leves e tristes), de um sorriso disfarçado, dos adeus que dissemos enquanto eu subia (a muito custo) a escada rolante. 12 dias depois.

Tudo me parece vago, tudo está baço. Quero o calor do teu abraço, o teu olhar doce e a calmaria que trazes contigo e que, de certa forma, me matou os fantasmas e me deixa mais leve, mais solta. É isso mesmo. Preciso de ti. Preciso da tua leveza e desse jeito único e terno de ser.

Preciso da tua determinação, da tua coragem. Quero para mim a tua verdade e as tuas certezas. Preciso do teu sorriso mas também não passo sem a tua voz, nem tão pouco sem te ver falar e gesticular o lábio superior de uma forma tão peculiar, tão tu. Tão minha, porque já és meu. E eu sou tua. Tu sabes...

Preciso de ti. Mais hoje do que já precisava ontem.

Toca-me onde me dói e verás
uma flor a abrir-se lentamente
sobre a pele, a maravilha nunca
adivinhada de um mistério. Esta

é a tua vez de o desvendares -
paixão é uma palavra demasiado
antiga no meu corpo, já não sei a
última vez, a única vez. Toca-me

por isso devagar, não me lembro
da primavera que fez nascer a
doença sobre a ferida, não sinto
o recorte da cicatriz que o tempo

pousou nela. Agora chama-me ao
teu peito com as mãos, tal como a
chuva chama pelos narcisos sem

cessar, ano após ano; diz o meu
nome com os dedos a serem rios
que latejam no coração adormecido

de uma aldeia. Não me adivinhes -
lá, onde me doer, vou recordar-me. -- Maria do Rosário Pedreira.




23 de abril de 2015

Creio que foi o sorriso, talvez o teu jeito. Mas não sei ao certo.


Andei a pensar nisto durante a manhã mas não tive oportunidade de vir Aqui escrever. Agora, e já depois de um almoço diferente, em jeito de Sexta-Feira antecipada, comecei por procurar o significado da palavra cativar e, em sentido figurado, penso ter encontrado a resposta mais adequada:


v.pron. Figurado. Ficar apaixonado por; enamorar-se.
(Etm. do latim: captivare)

Devo dizer que, de certa forma, este foi o significado que mais preencheu a vontade de (te) vir falar de Amor. Não de um amor qualquer, não. Nada disso. Venho falar de A-M-O-R ; Do teu Amor por mim, do meu Amor por ti. Este nosso Amor maravilhoso que nem o Atlântico consegue acalmar, ainda que a distância - essa espécie de vírus - insista em intrometer-se entre nós. Mas nós somos grandes e fortes. Quer dizer, temos dias. E também temos noites e ainda camas vazias.

Em tempos idos, falaste-me em criar espaços. Lembrei-me agora do quanto essa expressão entoou (e tem feito eco) na minha cabeça, de como me tocou na alma e, naturalmente, no coração. Sim, contigo descobri que tinha um coração preparado para amar, para TE amar, como um Homem e uma Mulher se podem e devem amar... Eis-nos chegados aqui, agora, ao momento presente.

Ainda há pouco falava eu de nós. Recordava o último do ano, o primeiro telefonema 1 mês e meio depois (celebrava-se então o 4.º aniversário do meu outro grande Amor, aquele que te vê como quem tem um foguetão, aquele que contigo vai partilhar brinquedos e que quer que durmas em casa dele; sim, tu já sabes de quem falo), recordo o primeiro encontro, já em Lisboa, o nervoso mais do que miudinho, o calor, a vontade de nos abraçarmos, o carinho que já sabíamos nutrir um pelo outro e até me recordo dos dois beijos que demos ao de leve na face um do outro.

Fizeste-me feliz logo ali, no meio de tanta gente mas, ao mesmo tempo, não havia mais ninguém, estávamos sozinhos. Ainda hoje, desculpa insistir nisto, não me dou longe de ti, mesmo que até estejamos na mesma cidade e que eu saiba que já, já me vens buscar para jantar ou que, passando dez minutos da meia noite, tu vais tocar à campainha ou meter a chave à porta. Não, meu Amor. Desculpa, vou repetir-me, mas não me dou longe de ti.

Cativaste-me. Aqui estou eu, encantada contigo e fascinada pelo tanto que (já) somos e temos. E, por mais voltas que dê, continuo na dúvida sobre o que me aconteceu naquela noite. Terá sido o teu sorriso? Foi a tua voz? O teu jeito tímido? O brilho do teu olhar de menino, esse mesmo olhar que me lê a alma? Terá sido tudo isto? Pois, não sei.

Mas está tudo certo. E, como diz a Célia, tudo faz parte.




21 de abril de 2015

Só pode ser coisa tua, meu Amor!


Tu não te cansas de dizer que isto é coisa dos poetas e de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, verbalizam e dão forma ao Amor.

Estamos numa bolha. O filme passa no écran da TV da sala e somos nós, somente nós, que ali estamos. E é bom vermo-nos! Melhor é sabermo-nos próximos e "emparelhados", numa só vibração, numa onda de calor que só os afectos trazem, aquela que só os Amantes conhecem. Os mesmos afectos que nos dão alento e que coloram a nossa Alma, como se de um arco íris se tratasse. Simples e romântico, não é?

Seja já lá coisa de poetas ou não [como sabes, o romântico (desde pequenino) és tu, eu sou a mera aprendiz], na verdade, pouco importa. Sabemos ambos o que é nada ter, nada sentir. Por isso (também, mas não só), te escrevo.

Não sou escritora mas posso fazer de conta. E já lá vão 7 anos a servir-me desta Paragem para isso mesmo, para fazer de conta que sou o que não sou ou que nunca pensei ser. No entanto, hoje e em todos os dias que correm tão mas tão lentamente para quem se ama à distância de um Oceano (credo, pareço o Saramago com suas frases longas e sem pontuação!), vim aqui fazer de conta que sou escritora, a tua escritora (preferida!).

O objectivo é simples. Quero apenas fazer-te acreditar que, por agora, pelo tempo que durar, esta paixão por ti é de arrasar e que o amor que te tenho, também ele será imortal. Se sou exagerada? Sou. Também isto faz parte do Plano. O Plano de amar-te com toda a intensidade e emoção do primeiro dia que, no nosso caso em particular, foi à noite, lá bem "no alto" da Cidade do Funchal, onde o Céu da tua Ilha tinha os 7 sentidos mais do que apurados e que me soube "ler e ouvir". E depois vieste tu, doce e sereno, dizer-me que foram os astros que se alinharam "todinhos" para que tal encontro tivesse lugar. Juro, eu só posso ser eternamente grata por te ter!

Se isto não é coisa de poeta, escritor... Só pode ser coisa tua, meu Amor! Sim, estás apaixonado e os apaixonados pouco ou nada sabem sobre o que dizem. É deixá-los sentir!

PS: Merecemo-nos.





16 de abril de 2015

Não me dou longe de ti.

Fortaleza S. João Baptista do Pico, Funchal.

Venha a chuva, caiam raios, desça a trovoada de Sta. Bárbara, que o Sol se abra e a Primavera se revele, jogue o Benfica, hajam risadas, cafés e cigarros na rua, SMS e telefonemas de quem não ouço e vejo há imenso tempo, surjam abraços daqueles que são os "Meus", a Família que escolhi, faça frio ou calor, haja trânsito ou nem por isso, tenha eu a sopa para fazer ao Domingo e 1001 coisas para pensar, organizar e arrumar, a roupa na máquina para lavar, os almoços da semana para se irem fazendo, a manicure, o cabeleireiro, o Pilates das Quartas e das Sextas, caia granizo a meio da semana, o cartão de crédito a pagar, o gasóleo para pôr, as idas aos CTT ao almoço, em jeito de ganhar tempo, caia o Carmo e a Trindade se eu conseguir estar assim, sem te ter. Sem te ver, sem te tocar. Sem te sentir.

Não, não e não. Não me dou longe de ti.

(E nem quero.)

 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

«E tens-me na tua mão. Tens o meu coração na tua mão! Sabes que te pertence a ti e ninguém mais. Tens-me na tua mão. Nem precisas de a fechar, sabes que não fujo e não tenciono ir a lugar algum. O meu coração ontem era teu. Amanhã continuará a ser.» -- Rita Leston.

26 de março de 2015

2014, no último do Ano.


Por cá, o 31 de Dezembro é chamado apenas como a noite da passagem de ano. É comum ver muita gente a fazer tudo o que não fez durante o ano que acabou. Os exageros são bastantes. Diz que é normal, afinal de contas, anda meio Mundo (des)enganado, triste, oprimido, uns quantos ressabiados e outros tantos alucinados mas depois há quem seja feliz; Há quem aceite, perdoe e deixe ir. Porque tudo vem e vai, a seu tempo. Há, efectivamente, um tempo para tudo.

Na Madeira, a alusão a esta data é feita de uma forma mais ou menos "romântica" e diz-se o último (dia) do ano. Sempre gostei, confesso.

E, nos dias de hoje, estes mesmos dias que se esgotam nos picos e vales da saudade, gosto ainda mais. E está tudo bem; Está tudo certo.


 Well there's another dance
all you gotta do is say yes
And if you're rough and ready for love
honey I'm tougher than the rest
If you're rough enough for love
baby I'm tougher than the rest...

 


25 de março de 2015

Chegará então um dia...


«(...) Chegará então um dia em que olhará com maior detalhe para a sua folha em branco, como se procurasse secretamente um sinal do remate da sua história. E tal não será o seu espanto quando reparar que a folha já não está em branco. Mas não será tudo, o melhor virá a seguir (…).» -- Retirado daqui.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Por te ver para além do vísivel, por te "reconhecer" em gestos, na doçura das palavras e na forma honesta e digna como conduzes a tua vida, por te admirar tremendamente por acreditares no Amor bom, puro e real, por me quereres, por nos querermos desta forma egoísta e tão própria destes estados de alma e de coração, por seres assim, o Meu Homem, quando aqui o pronome possessivo não transporta qualquer culpa, não nos pesa, não oprime nem refreia, por seres tu (tinhas que ser tu, não há volta a dar!), chegou o dia! E, se nos faltar o papel, escreveremos na areia das nossas praias, nas nunvens fofas do Céu (o tal algodão doce "secreto" de que tantas vezes te falo, lembras-te?), escreveremos nas árvores e até nas estrelas; Usaremos a nossa pele se necessário, falaremos através dos olhos, ouviremos os nossos corações em uníssono, seremos dois num só corpo, uma só alma e, claro, não podiam faltar aqueles 100 mil cavalos, que batem com força cá dentro, especialmente na distância. Esta mesma distância que só um Atlântico provoca, a distância que jamais alguém nos tirará mas que nos une mais e mais. E ouviremos o repicar dos sinais mas também as nossas músicas!

Por agora, durante os dias que passam devagar e nas noites frias que o (teu) Amor me ensinou a combater, posso concluir que tudo está certo, tudo faz parte. O resto é, tão somente, paisagem. Nós saberemos sempre como "havemos de lá chegar" até porque... O Amor quis-nos, assim - JUNTOS. E que assim seja... Assim será!




11 de março de 2015

Do saber (que também é amor, cumplicidade, respeito e responsabilidade).


Danada. Fico danada sempre que leio qualquer coisa que poderia (deveria?) ter sido eu a escrever. Mas é que fico mesmo danada e depois passa-me assim, num ápice!

Eu gosto do Gustavo Santos. Gosto de lê-lo sem que me sinta obrigada a comungar de todas as suas opiniões e sem que, por outro lado, me sinta como que uma espécie de fiel seguidora. Que não sou. Nem dele nem de qualquer outra pessoa que não seja eu própria. Até porque sei sempre o que é melhor para mim.

E no Agora, nos dias que correm devagar só porque Tu estás para aterrar em Lisboa em breve, exactamente neste "instante", eu sei que tu és o meu melhor. E pouco mais me resta fazer, para além de te querer amar todos os dias, mais e mais, cada vez melhor. Vais gostar tanto, vais ver que sim!

Isto é, sem sombra de dúvida, coisa "do saber", daquilo que é, tão somente, sem questionar. Certo e sabido: «When you know better, you do better»!

Bom, mas voltando atrás (que o pote de mel está mesmo todo "escancarado" e, se entramos nesta coisa maravilhosa que é o Amorrr, não saio daqui), parei na Paragem para poder falar do que li aqui:

«A partir do momento em que sabes o que queres, tens a responsabilidade de o viver! Se não o fizeres, o castigo nem é tanto o que não vives no momento mas sim a culpa que vais carregar a vida toda por naquele segundo não teres escolhido arriscar e mudar o teu caminho. Vai doer! Vai doer muito mais que todas as vezes que pudesses ter caído a lutar por aquilo que querias. Respeita-te. Bom dia!»

Rapidamente, e porque a minha cabeça não pára mas também porque sou responsável por me permitir amar e ser amada (que coisa deliciosa...), interiorizei que, sem mais demoras, Algo Estranho (me/nos) Acontece(u)!








10 de março de 2015

Porque te amo!


Porque te amo com todas as forças do meu ser, com toda a coragem, com toda a alegria e vontade que não tive até aqui... E por mais "ambíguo" que isto possa soar, sinto-me tua... De alma e no coração. E não "dói" nada assumir isto; Estou contigo, é contigo que quero ficar. Quero que sejas meu para poder amar-te incondicionalmente, como mereces... E porque MERECEMOS. E eu acredito TANTO em NÓS!

E há-de haver outro lugar,
E palavras p'ra dizer
Quando a terra abraça o mar
É como um Filho a nascer.
E há-de haver outra maneira,
De contar a quem não sabe,
Se me dás a Vida inteira
Porque só vivi metade?



24 de fevereiro de 2015

Criar Espaços.

No Amor não se sabe nada mas, em contrapartida, faz-nos sentir de tudo (um pouco). É para rasgar, para o bem e para o mal. Mas é real. Existe. Sente-se, sem truques e sem qualquer filtro. 

Sim, concordo que se trate de, tão somente, criar espaços.

Dissipem-se as dúvidas dos mais cépticos, o amor não se decide, sente-se!




26 de novembro de 2014

Esta vida não tem hora(s).


«(...) Criar tensão é bloquear a passagem da vida em tudo aquilo que ela nos oferece. Coisas que consideramos boas e outras que classificamos como más. Bloqueando, não permitimos que as más fluam e se transformem em algo que nos sirva de modo diferente. E não criamos espaço para que as boas fluam na nossa direcção. (...)»
~~~~~~~~~~~~~
É caso para se escrever que, ao aceitar o momento presente, correm-se menos riscos de sair de um momento menos positivo com a sensação de que se bateu contra uma parede. O que, obviamente, pode ser bastante desagradável.

Será de experimentar. Certamente que não haverá lugar para os efeitos secundários.



19 de novembro de 2014

No dia seguinte (ao dia em que TU morreste).


Capítulo 1.
Tenho idéia que sempre escrevi sobre o dia em que tu morreste. Ora pela morte cerebral, ora quando te parou o coração. Também já escrevi sobre as diferentes formas de dor sentida antes, durante e após. Foram várias as emoções; São dispares os sentimentos. Afinal de contas, sou capaz de ter coração. Quer dizer, eu sei que tenho pois ele bate-me cá dentro todos os dias. E não menos importante, desde o dia 7 de Fevereiro de 2011 que o "reconheço", que o sinto vibrar e pulsar. Foi o dia em que nasceu o meu Afilhado mais novo, o meu Amor maior. Ele é lindo, é maravilhoso e chama-se Francisco. Eu amo-o perdidamente e sei, porque o sinto com uma intensidade enorme, que ele me ama também. Mais que não seja, faz-me olhinhos quando quer e eu derreto-me sempre. Não tenho como evitar e nem quero fazê-lo. É amor, o que é que se vai fazer, não é? Nada. Vive-se, sente-se e aprende-se.

Capítulo 2.
Voltemos pois ao príncipio. No dia seguinte ao dia em que tu morreste, fiz várias coisas. A Carla Sofia quis dormir lá em casa e eu nem questionei. Faltavam-me forças para ripostar e eu já nem sabia ao certo de que terra era portanto, deixei-a ficar. Acordámos cedo (acho que não dormimos), tomámos banho e saímos para tomar o pequeno almoço no Scala. Nota que eu não ingeria alimentos sólidos desde o dia 27 de Outubro, o teu primeiro dia fora de casa. Aliás, foi o dia em que saíste e nunca mais voltaste. Mas lá fomos nós. Foi uma enchurrada de caras e de perguntas. Ainda hoje não sei o que disse mas sei que devo ter dado umas quantas respostas tortas. Caramba! Eu estava mega, ultra cansada de 3 semanas de angústia, de dor, de ausência, do desconhecido, do que ali estava/estaria para vir. E veio. Menos tu. Tu não voltaste a casa.

Capítulo 3.
Tratámos de vários assuntos, incluindo do velório e da cremação. Tratámos das festividades, basicamente foi isto. De tarde, recebi o Tiago lá em casa e com ele escolhi e separei a tua roupa toda. A Avó Fernanda e a Tia Teresa ficaram com a maior parte e por mim, tudo OK. Eu guardei a roupa interior, biquinis e fiquei com outras coisas também. Nada de mais. Já me conheces. A dor era tanta que tive o pensamento congelado durante tempos e a minha capacidade de raciocínio - PUFT! - esfumou-se; Caiu num caos qualquer. Mas sei que guardei o que me apeteceu, uso o que bem entendo (ainda tenho peças tuas, do tempo em que eras solteira, acreditas?). Aliás, posso dizer-te que tudo cheirava a ti, ao teu perfume inconfundível, o Femme Individuelle da Mont Blanc. Ainda guardo o frasco, usei-o até acabar. E gostava bastante mas... Nunca tive coragem de o comprar. Sei lá eu porquê. Acho que aquilo também és tu e eu tenho-te e sinto-te (ainda?) de diferentes formas e isso já é tanto e basta-me (ou não, nem sei). Tudo o resto, se for para mexer muito, vou fazer asneira. E também não me apetece, devo dizer-te. Tenho este feitio do caraças e tu já sabes que eu sou assim, metade torrão de açucar e outra metade limão. Portanto, é o que se arranja.

Capítulo 4.
No Domingo seguinte [isto porque o dia em que tu morreste foi numa Sexta, o dia seguinte (este sobre o qual te escrevo agora) foi Sábado], o Tiago tirou-me de casa. Fomos para a Baixa, levei o carro para o estacionamento do Camões e lá andámos nós, de loja em loja. Faltava-me roupa preta e um casaco de Inverno em condições. Este acabou por ser oferta do Pai. Aliás, uma de várias ao fim destes anos todos. Faço o que me ensinaste, que eu cá sou bem mandada, e deixei de ser orgulhosa. Aceito, não penso muito nessa coisa dos orgulhos e nessa merda do dinheiro, e olha... Sou bem mais feliz assim, sem ter orgulho por receber prendas do meu Pai. Afinal, ele é o meu Pai e eu sou a sua Filha. Nem sei bem porque raios estou a terminar este capítulo com esta frase meio tola (e bem longa, sem pontuação, ao jeito do Saramago) na medida em que sei que tu sabes disto melhor do que eu.

Capítulo 5.
Quer dizer, minto-te com todos os dentes que tenho. Não sou mais feliz, assim no seu todo. Aprendi a ser feliz sem ti, sem te ter por perto. Ou por outro lado, posso dizer que aceitei, perdoei e segui em frente. Optei pelo caminho mais difícil (tinha feito o mesmo um ano antes, com a história já velha e gasta do R. e, pelos visto, não lhe perdi o jeito), é certo. Mas quem disse que gosto das coisas simples da vida? Nada disso. Ainda assim, aqui estou, de pé. Sempre a "partir pedra", a aprender a ser feliz um dia de cada vez para não querer sorver tudo de uma só vez. E sorrio; Não posso, nem quero deixar de o fazer.

Contudo, hoje, e só por hoje, não me apeteceu ouvir música. 


18 de novembro de 2014

Um dia (eu vou ficar bem).


Pode ser o que você quer
Ou o que eu tenho pra te dar
Uma vida inteira pra viver
Ou um só segundo pra lembrar...



No dia em que TU morreste.


«Na noite em que tu nasceste, a Lua sorriu com tanta admiração que as estrelas vieram de imediato espreitar para te ver e a brisa nocturna sussurrou: "A vida nunca mais será a mesma". Porque nunca houve ninguém como tu neste Mundo, tão encantados contigo estavam o vento e a chuva que sussurravam bem alto o som do teu lindo nome. E o Céu soprou todos os seus trompetes e tocou todas as suas cornetas, na magnífica e maravilhosa noite em que tu nasceste.»
-- Nancy Tillman.

~~~~~~~~~~~~   ~~~~~~~~~~~~   ~~~~~~~~~~~~   ~~~~~~~~~~~~

Capítulo 1.
Não sei se nasceste de manhã, de tarde ou de noite mas sei qual foi dia em que TU morreste. Foi hoje, há 9 anos atrás e isso jamais esquecerei. Afinal, está/ficou gravado na minha alma para todo o sempre.

Capítulo 2.
Bem sei que nunca gostaste do teu nome mas, lá está, gostavas do meu e por isso mesmo, contra tudo e contra todos, chamaste-me Paula. Hoje, passados estes anos todos, muitos ou poucos não importa, a dor é sempre a mesma. Faltas-me tu, falta-me o calor da tua pele, falta-me o teu cheiro tão peculiar, faltam-me os afectos, o abraço, o teu jeito de me afagar do cabelo, falta-me a tua alegria, faltam-me as tuas tristezas de um passado na Ilha, onde nunca conseguiste ser tu, em plenitude. Faltam-me os teus "dizeres" (bom, agora tenho a Célia que diz coisas, levadas da breca, mas que me fazem gargalhar sem parar), faltam-me as tuas certezas (especialmente aquelas que tanto me serenavam e outras vezes vezes me tornavam forte), faltam-me as tuas anedotas, faltas-me tu e o Pai juntos, amigos e companheiros, como nunca mais voltei a encontrar casal igual. Falta-me a candura do teu olhar, ora conciso, ora duro, ora doce feito mel. Faltas-me tu, o meu eterno porto seguro. Não te vejo alçar da perna em jeito de descanso, enquanto fumavas um dos teus 50 cigarros SG Filtro, mas a Rosete fá-lo como mais ninguém, tal e qual tu o fazias, sem vergonhas e na maior. Faltas-me tu e a tua capacidade de organização. Podes não acreditar mas eu até tenho saudades da carne assada e da panela de arroz que levavas para a casa da Alice, por ocasião das festas. Esta é a mesma Alice que ainda há dias me disse que só tu lhe pedias utensílios de cozinha dos quais ela nunca tinha ouvido falar. Vê lá tu bem que até sinto saudades de te pores a arrumar os armários e as cozinhas das pessoas em geral (na verdade, arrumavas tudo o que apanhasses à frente). Falta-me o teu amor imenso por mim (nunca ninguém me amou como tu me amaste), por todos e por tudo quanto acreditavas valer a pena. Eras mais do que um pilar. Eras força, coragem e luta. Misturavas-lhe graça, punhas aquela pitada de humor (e até alguma "brejeirice") e era vê-los todos a invadir a tua cozinha, já perdidos de tanto de rir. Ías sempre para a frente, nunca olhavas para trás; Não querias e nem gostavas de o fazer. Eras presente no momento presente. E quer queiras, quer não, foste sempre o "presente" da minha vida, o meu maior tesouro. Em tudo. Querias ter os meus olhos grandes e as pestanas longas (o que tu falavas disto!) mas tu eras a Luz em pessoa. E ainda bem que não fui só eu que te "vi" assim. 

Capítulo 3.
Decididamente, tu não eras normal; Não eras deste Mundo. E não tenho dúvidas de que o Mundo, este mesmo Mundo em que viveste e em que vivemos ainda todos, não te esquecerá. Afinal de contas, a vida não foi a mesma desde o dia em que nasceste, nem tão pouco desde o dia em que TU morreste.

[E até foste tu que me ajudaste a pagar o bilhete para eu ir a Alvalade (credo em cruz) ver os Srs. das Armas e das Rosas. Sim, eu sei. Isto não tem nada a ver com o dia em que tu morreste mas não podia deixar de dar o ar da minha graça, caso contrário isto ficava dramático demais. E não vale a pena, né?]




12 de novembro de 2014

Enquanto houver estrada para andar.


Gosto muito, mesmo muito, de mim. Mas (também) gosto de TI.
Não sei bem se me entendes (apesar de me teres dito logo que sim) mas a minha vida pauta-se pela verdade; Não quero voltar a "mentir-me" e a "enganar-me", fugindo de ti assim, de forma labiríntica (esta palavra existe?). Gosto de ti. Talvez fosse este o problema ou, mudando-lhe o tempo verbal, talvez seja este o problema (ou pelo menos um deles).

Problema? Não, não há qualquer espécie de problema. Gostar de ti não é "o" problema. Só que é aqui, neste exacto instante, que voltamos ao início: gosto muito, mesmo muito, de mim.

Sim, isto é assunto para se evocar o S. Jorge Palma. "Assimcomássim", a gente vai continuar...



Generosidade, que (mais) queres tu de mim?


Bom, nem eu própria consigo responder à questão.

São 39 anos de intenção verdadeira mas também de muitas dúvidas, mágoas, de dor e angustia e de perplexidade. Entretanto, vão-me pesando os ossos e tenho dias em que mal aguento as costas. Sim, a tendência tem sido carregar o "mundo" às costas, preocupar-me e amar os outros como me amo a mim mesma.

Ainda me questiono (e tomo decisões drásticas; gostava de ser má mas mesmo muito má), é certo, mas normalmente volto a cair, volto a ceder. E novamente vem a dor, o pesar. Mas nada de lamentos. Fazer o papel de vitima não me cai bem e em nada me favorece.

Queria ter estes 20 segundos de "auto-punição", largar, deixar ir... Ainda não sou capaz de o fazer (será que quero?) mas chego lá (ou não). Oh se chego (nem sei!).



11 de novembro de 2014

Psssttt... Hoje é Dia de S. Martinho!


O S. Martinho sempre foi uma data importante para mim. Nunca foi pelo vinho (agora também é) mas sim pelas castanhas. Mas não só.

Na minha casa, fosse dia de semana ou ao fim-de-semana, era sempre dia de jantar de forno. Havia (mais) alegria, falávamos e e riamos alto, comíamos ainda melhor e no fim... Ei-las, as belas castanhas! Cozidas, fritas e assadas misturadas com o carinho único da minha Mãe que, não lhe bastando ter-nos feito o jantar, fazia imensa questão de as ir descascando. Realmente, só mesmo um ser humano como ela para o fazer. Mas eu aprendi a lição e também o faço. Isso e separar bago a bago de uva para servir à mesa (ou dar na boquinha de alguém mais especial).

A minha Mãe costumava dizer que com tanta castanha que eu comia (fora o chá ou água que ingeria), qualquer dia fazia madeira na barriga. E esta não era, de todo, uma visão agradável. Porém, e quando passei a beber vinho, a questão deixou de se pôr. Vinho é vinho. Tinto, sempre.

Aos 39 anos descobri que o meu alimento preferido - a bela da castanha, pois então - faz-me mal (muito mesmo). Chamam-lhe intolerância alimentar mas eu prefiro pensar que é só mais uma modernice. Mas nã, nã, nã... Hoje é Dia de S. Martinho!

Até as ter todas cá dentro (as que conseguir aguentar!), a incharem-me a barriga como só elas e a demorarem uma eternidade para serem "processadas" pelo organismo, vou ver se medito e abro a mente e o coração para as "receber". E vou perdoar-me (tenho que começar o quanto antes!). Tenho a certeza que serei feliz que é, como quem diz, as belas castanhas vão-me saber pela vida!

E eu sou pela paz, pelo amor e por aproveitar tudo de bom e maravilhoso que a vida nos dá. E hoje, só por hoje, vou comer castanhas e estarei (ainda) mais feliz.

Abra-se a garrafa de vinho!
 


6 de novembro de 2014

Depois, logo se vê.


[Queria eu não estar "chateada" com nada. (Vá, não insistas.)]

Então e... Depois? Depois, logo se vê.


Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já... (Helena Elis)





30 de outubro de 2014

Espelho do Coração.


Não tenho nada mas tenho, tenho tudo. Sim, era a Floribela que o dizia. 

«A introspecção permite-nos ver o nosso verdadeiro “eu”, no espelho do nosso coração.» -- Brahma Kumaris.