Mostrar mensagens com a etiqueta Às vezes dói.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Às vezes dói.. Mostrar todas as mensagens

28 de abril de 2015

Prometes que farás o pino?

Praia Formosa. 2015.

«Enrola-te em mim. Entrelaça o teu corpo no meu. Cai nos meus braços. Esquece o risco e aproveita a queda. Traz o abraço que eu levo o corpo. Traz o beijo que eu levo os lábios. Traz a urgência que eu devolvo a calma. Traz-te. Eu já cá estou.» -- Rita Leston.

------------------------

Visto que não és o Gato Maltês, promete-me que farás o pino. Mas vem. Rápido. Ontem e antes de ontem foi tarde e longe de mais. Aliás, estamos longe. Isto assim não "presta", isto assim não tem piada nenhuma. Perdi a vontade de brincar assim, no cá e lá.

Já te disse que não quero sequer ouvir falar de aeroportos? Quer dizer... Ainda tenho umas quantas "voltas" a dar mas já, já tudo mudará.

O teu lugar sou eu; Já eu sou aquela que te faz rir das coisas mais tontas que possamos ambos imaginar. Mas eu digo-as e tu ris. Ris de mim, do que eu digo. Prometo não fazer de conta, prometo não te imitar. Mas também prometo que continuarei a ser a (tua) "continental". Tu sabes que sim. Eu quero e tu gostas assim.

Está tudo certo e esse mesmo tudo é o TANTO que faz parte. É a Célia que diz (e sempre disse) e eu acredito. Oh, Oh se acredito.

Estamos todos à tua espera. Tenho 3 qualidades de Gin na despensa e água tónica no frigorífico. A Célia e o Carlos guardaram-te vinho alentejano. Já eu tenho para mim que sairemos de lá a rebolar. Literalmente. Ainda assim, rebolaremos felizes e contentes, de coração e braços cheios de afectos.

Lá estarei à tua espera, no tal sítio que passei a gostar muito pouco... Lá estarei porque é assim, como tem que ser. Por agora, pelo menos... Até ver o que a vida nos trará (sim, vai trazer-nos o que jamais nos deu, eu sei que sim).

Voltando um pouco atrás, juro não quero insistir na questão do pino. E realmente, pensando melhor, venho antes prometer-te que, se me abraçares suavemente, não terás que fazer esse tal pino. Porém, terás forçosamente que sorrir até mim. Só assim te "vejo", só assim sou tua. Só assim me perco e encontro.






24 de abril de 2015

Abaixo do tapete.

Praia do Garajau, 2 de Abril de 2015.


E eis-me aqui, 12 dias depois do último abraço, dos últimos beijos (leves e tristes), de um sorriso disfarçado, dos adeus que dissemos enquanto eu subia (a muito custo) a escada rolante. 12 dias depois.

Tudo me parece vago, tudo está baço. Quero o calor do teu abraço, o teu olhar doce e a calmaria que trazes contigo e que, de certa forma, me matou os fantasmas e me deixa mais leve, mais solta. É isso mesmo. Preciso de ti. Preciso da tua leveza e desse jeito único e terno de ser.

Preciso da tua determinação, da tua coragem. Quero para mim a tua verdade e as tuas certezas. Preciso do teu sorriso mas também não passo sem a tua voz, nem tão pouco sem te ver falar e gesticular o lábio superior de uma forma tão peculiar, tão tu. Tão minha, porque já és meu. E eu sou tua. Tu sabes...

Preciso de ti. Mais hoje do que já precisava ontem.

Toca-me onde me dói e verás
uma flor a abrir-se lentamente
sobre a pele, a maravilha nunca
adivinhada de um mistério. Esta

é a tua vez de o desvendares -
paixão é uma palavra demasiado
antiga no meu corpo, já não sei a
última vez, a única vez. Toca-me

por isso devagar, não me lembro
da primavera que fez nascer a
doença sobre a ferida, não sinto
o recorte da cicatriz que o tempo

pousou nela. Agora chama-me ao
teu peito com as mãos, tal como a
chuva chama pelos narcisos sem

cessar, ano após ano; diz o meu
nome com os dedos a serem rios
que latejam no coração adormecido

de uma aldeia. Não me adivinhes -
lá, onde me doer, vou recordar-me. -- Maria do Rosário Pedreira.




23 de abril de 2015

Creio que foi o sorriso, talvez o teu jeito. Mas não sei ao certo.


Andei a pensar nisto durante a manhã mas não tive oportunidade de vir Aqui escrever. Agora, e já depois de um almoço diferente, em jeito de Sexta-Feira antecipada, comecei por procurar o significado da palavra cativar e, em sentido figurado, penso ter encontrado a resposta mais adequada:


v.pron. Figurado. Ficar apaixonado por; enamorar-se.
(Etm. do latim: captivare)

Devo dizer que, de certa forma, este foi o significado que mais preencheu a vontade de (te) vir falar de Amor. Não de um amor qualquer, não. Nada disso. Venho falar de A-M-O-R ; Do teu Amor por mim, do meu Amor por ti. Este nosso Amor maravilhoso que nem o Atlântico consegue acalmar, ainda que a distância - essa espécie de vírus - insista em intrometer-se entre nós. Mas nós somos grandes e fortes. Quer dizer, temos dias. E também temos noites e ainda camas vazias.

Em tempos idos, falaste-me em criar espaços. Lembrei-me agora do quanto essa expressão entoou (e tem feito eco) na minha cabeça, de como me tocou na alma e, naturalmente, no coração. Sim, contigo descobri que tinha um coração preparado para amar, para TE amar, como um Homem e uma Mulher se podem e devem amar... Eis-nos chegados aqui, agora, ao momento presente.

Ainda há pouco falava eu de nós. Recordava o último do ano, o primeiro telefonema 1 mês e meio depois (celebrava-se então o 4.º aniversário do meu outro grande Amor, aquele que te vê como quem tem um foguetão, aquele que contigo vai partilhar brinquedos e que quer que durmas em casa dele; sim, tu já sabes de quem falo), recordo o primeiro encontro, já em Lisboa, o nervoso mais do que miudinho, o calor, a vontade de nos abraçarmos, o carinho que já sabíamos nutrir um pelo outro e até me recordo dos dois beijos que demos ao de leve na face um do outro.

Fizeste-me feliz logo ali, no meio de tanta gente mas, ao mesmo tempo, não havia mais ninguém, estávamos sozinhos. Ainda hoje, desculpa insistir nisto, não me dou longe de ti, mesmo que até estejamos na mesma cidade e que eu saiba que já, já me vens buscar para jantar ou que, passando dez minutos da meia noite, tu vais tocar à campainha ou meter a chave à porta. Não, meu Amor. Desculpa, vou repetir-me, mas não me dou longe de ti.

Cativaste-me. Aqui estou eu, encantada contigo e fascinada pelo tanto que (já) somos e temos. E, por mais voltas que dê, continuo na dúvida sobre o que me aconteceu naquela noite. Terá sido o teu sorriso? Foi a tua voz? O teu jeito tímido? O brilho do teu olhar de menino, esse mesmo olhar que me lê a alma? Terá sido tudo isto? Pois, não sei.

Mas está tudo certo. E, como diz a Célia, tudo faz parte.




16 de abril de 2015

Não me dou longe de ti.

Fortaleza S. João Baptista do Pico, Funchal.

Venha a chuva, caiam raios, desça a trovoada de Sta. Bárbara, que o Sol se abra e a Primavera se revele, jogue o Benfica, hajam risadas, cafés e cigarros na rua, SMS e telefonemas de quem não ouço e vejo há imenso tempo, surjam abraços daqueles que são os "Meus", a Família que escolhi, faça frio ou calor, haja trânsito ou nem por isso, tenha eu a sopa para fazer ao Domingo e 1001 coisas para pensar, organizar e arrumar, a roupa na máquina para lavar, os almoços da semana para se irem fazendo, a manicure, o cabeleireiro, o Pilates das Quartas e das Sextas, caia granizo a meio da semana, o cartão de crédito a pagar, o gasóleo para pôr, as idas aos CTT ao almoço, em jeito de ganhar tempo, caia o Carmo e a Trindade se eu conseguir estar assim, sem te ter. Sem te ver, sem te tocar. Sem te sentir.

Não, não e não. Não me dou longe de ti.

(E nem quero.)

 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

«E tens-me na tua mão. Tens o meu coração na tua mão! Sabes que te pertence a ti e ninguém mais. Tens-me na tua mão. Nem precisas de a fechar, sabes que não fujo e não tenciono ir a lugar algum. O meu coração ontem era teu. Amanhã continuará a ser.» -- Rita Leston.

2 de dezembro de 2014

Comer, Meditar e Fazer o Amor.


O amor, o amor... Ai, o amor!

Por acaso, não fui eu que escrevi isto mas bem que poderia ter sido. E é de reter:

«(...) A felicidade, hoje, não é de quem sabe perseguir curiosamente as coisas todas, mas de quem sabe onde ir e onde ficar, o que seguir e o que deixar, o que escolher, o que ignorar. A felicidade, hoje, nestas noites feitas dias claros, é saber que as coisas do dia não se acabam, mas que a noite chega e passa, e mesmo que venha outra, a de hoje não volta mais. E há coisas que não são da noite nem do dia, mas que não podes esquecer no meio do teu tempo ocupado:

Lembra-te que o corpo é carne e quer carne. Que quem não come definha, mesmo que ache que não.
 
Lembra-te que a alma adora quem ama. Inventa uma religião em que falar seja sagrado, em que um beijo valha o mesmo que uma prece.

Lembra-te que o sexo não é automático. Não é obrigatório, nem é opcional. É voluntário. Há que o querer. E que a forma mais antiga de aproximar pessoas e de as fazer sorrir não é um psicoterapeuta. É foder. Com quem quiseres. Como deve ser.»



1 de dezembro de 2014

O meu Pai, um Super Herói.

Até ver, o meu Super Herói continua a ser o meu Pai. Para o bem e/ou para o mal. Venham daí mais 61 anos de ti!

Cá estou, aqui estarei. Sei que não sou nem 1/3 do que gostarias que eu fosse. Hei-de ser sempre a ovelha ranhosa, aquela bem negra e sim, o meu coração, já sabes, é vermelho e branco. Sou do Benfica, tenho na alma a Chama Imensa, mas uma coisa é certa: vou sempre correr para os teus braços e pedir-te ajuda; Seja para mim ou para ajudar terceiros. Porque tu estás AÍ (para mim). Também. Bem sei que a nossa vida não se pautou por 1001 afectos mas também sei que tu és o meu Pai, aquele que fica feliz por me saber feliz. E isto chega-me.

Não te segui os passos na bola e nem tão pouco na política. Ainda assim, aprendi os teus ensinamentos e guardo-os em mim como um tesouro valiosissimo. Os bons e os maus, é certo. O sentido de justiça, a honestidade, a bondade, a tua verdade, o gosto pela leitura, entre outros. Ser-se correcto é um dom. Se isto vier das entranhas do nosso coração e sair assim, puft!, naturalmente... É realmente um bem supremo. Mas também gosto de dinheiro, tal como tu. Mas isto não é bom (mas talvez nem seja assim tão mau). Só não o tenho como uma prioridade. Uso-me dele, tão somente. Não sou sua escrava.

Faltou-me a apetência e o teu jeito inato para a Matemática e, deixa-me já dizer-te que, é algo que tanto admiro em ti. Ora lá está... Sou mesmo muito boa em Línguas. Adoro escrever, adoro ler e também já faço tricot, desde que o sofá esteja de feição, claro. Só não toco piano. Ainda assim, gostaria de saber cantar e também de trabalhar na Rádio.

Até já, Papai! Deves estar quase a chegar! Vamos estar juntos numa Segunda-Feira e isso, só por si, é maravilhoso. Mas não tão maravilhoso como tu. (Nem como eu, que sou só cá uma grande "vaidosona"!)

Lá em cima há planetas sem fim...




28 de novembro de 2014

Lar rima com Amar.


Do Funchal à Vila do Mato, do Crato à Costa da Caparica, do Entroncamento a Castelo Branco, da Venda Nova a Peniche, de Inglaterra à Austria, da Alemanha ao Egipto.

[Contigo, então... Perfeito demais. Não dá sequer para mexer. Nem estragar. (Nem tudo o que parece é. É só o que é e nada mais)]



27 de novembro de 2014

Como é que vai ser?


Francesca:
« - I realized love won't obey our expectations, it's mystery is pure and absolute.», in The Bridges of Madison County.



Tento saber como é que vai ser,
Se posso viver sem ti
Tento fugir mas eu só penso,
Na hora em que estás aqui.

Tu nunca vens e quando apareces,
Finges que não há nada
Deixas-me só sempre a pensar,
Que chegamos ao fim da estrada.

Pode parecer que sou livre, mas eu estou preso a ti
Às vezes disfarço e não consigo
Mas eu só penso na hora em que estás aqui.

Ligas para mim, eu vou até aí,
Depois dizes que não podes
Prometo que não te quero ver mais,
Até que tu não me largues

Não vejo ninguém vou por aí, deixo passar as horas
Chamo-te nomes, grito contigo e tu dizes que me adoras

Tento manter a calma às vezes, parece que não te ligo
Pode parecer até que te esqueço, mas só quero estar contigo.

Tento dizer adeus e tu deixas sempre uma porta aberta
Tento esconder e fujo para noite, acordo de uma directa...


Humildade, que (mais) queres tu de mim?


Acabei de ler isto:
«Aquele que é humilde na sua interacção com os outros, recebe a cooperação e o carinho de todos.»
~~~~~~~
Sim, claro. Não te metas ao fresco, não. É que isto é meio caminho andado para ser apanhando por uma rabanada de vento. Ainda assim, prefiro as que se comem no Natal.

Tipos.

26 de novembro de 2014

Esta vida não tem hora(s).


«(...) Criar tensão é bloquear a passagem da vida em tudo aquilo que ela nos oferece. Coisas que consideramos boas e outras que classificamos como más. Bloqueando, não permitimos que as más fluam e se transformem em algo que nos sirva de modo diferente. E não criamos espaço para que as boas fluam na nossa direcção. (...)»
~~~~~~~~~~~~~
É caso para se escrever que, ao aceitar o momento presente, correm-se menos riscos de sair de um momento menos positivo com a sensação de que se bateu contra uma parede. O que, obviamente, pode ser bastante desagradável.

Será de experimentar. Certamente que não haverá lugar para os efeitos secundários.



25 de novembro de 2014

4# Do They Know It's Christmas?


Se contei bem, faltam 30 dias para o Natal. Mas isto é meramente informativo, obviamente. Ainda assim, passo a palavra.


I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas
Is you, you, yeah



24 de novembro de 2014

Estás fixe ou vais a Peniche?


Já fomos. E apesar da chuva que viajou connosco, foi como se não a tivessemos visto. Estava Sol, não estava? Eu quase que garanto que vi o Sol neste fim-de-semana (Bom, no meu coração vi-o. Assim como nos teus olhos e até nas tuas mãos). E, aparentemente, regressámos a Lisboa e trouxemos o Sol connosco. 

Afinal, e pelo menos desta vez, não foi preciso encomendar nada. Ele veio. Bom seria que fosse para ficar. O Sol e tu, tu e eu... Principalmente nós.

O amor! Uma palavra é a Luz, cantaram os Expensive Soul.



19 de novembro de 2014

No dia seguinte (ao dia em que TU morreste).


Capítulo 1.
Tenho idéia que sempre escrevi sobre o dia em que tu morreste. Ora pela morte cerebral, ora quando te parou o coração. Também já escrevi sobre as diferentes formas de dor sentida antes, durante e após. Foram várias as emoções; São dispares os sentimentos. Afinal de contas, sou capaz de ter coração. Quer dizer, eu sei que tenho pois ele bate-me cá dentro todos os dias. E não menos importante, desde o dia 7 de Fevereiro de 2011 que o "reconheço", que o sinto vibrar e pulsar. Foi o dia em que nasceu o meu Afilhado mais novo, o meu Amor maior. Ele é lindo, é maravilhoso e chama-se Francisco. Eu amo-o perdidamente e sei, porque o sinto com uma intensidade enorme, que ele me ama também. Mais que não seja, faz-me olhinhos quando quer e eu derreto-me sempre. Não tenho como evitar e nem quero fazê-lo. É amor, o que é que se vai fazer, não é? Nada. Vive-se, sente-se e aprende-se.

Capítulo 2.
Voltemos pois ao príncipio. No dia seguinte ao dia em que tu morreste, fiz várias coisas. A Carla Sofia quis dormir lá em casa e eu nem questionei. Faltavam-me forças para ripostar e eu já nem sabia ao certo de que terra era portanto, deixei-a ficar. Acordámos cedo (acho que não dormimos), tomámos banho e saímos para tomar o pequeno almoço no Scala. Nota que eu não ingeria alimentos sólidos desde o dia 27 de Outubro, o teu primeiro dia fora de casa. Aliás, foi o dia em que saíste e nunca mais voltaste. Mas lá fomos nós. Foi uma enchurrada de caras e de perguntas. Ainda hoje não sei o que disse mas sei que devo ter dado umas quantas respostas tortas. Caramba! Eu estava mega, ultra cansada de 3 semanas de angústia, de dor, de ausência, do desconhecido, do que ali estava/estaria para vir. E veio. Menos tu. Tu não voltaste a casa.

Capítulo 3.
Tratámos de vários assuntos, incluindo do velório e da cremação. Tratámos das festividades, basicamente foi isto. De tarde, recebi o Tiago lá em casa e com ele escolhi e separei a tua roupa toda. A Avó Fernanda e a Tia Teresa ficaram com a maior parte e por mim, tudo OK. Eu guardei a roupa interior, biquinis e fiquei com outras coisas também. Nada de mais. Já me conheces. A dor era tanta que tive o pensamento congelado durante tempos e a minha capacidade de raciocínio - PUFT! - esfumou-se; Caiu num caos qualquer. Mas sei que guardei o que me apeteceu, uso o que bem entendo (ainda tenho peças tuas, do tempo em que eras solteira, acreditas?). Aliás, posso dizer-te que tudo cheirava a ti, ao teu perfume inconfundível, o Femme Individuelle da Mont Blanc. Ainda guardo o frasco, usei-o até acabar. E gostava bastante mas... Nunca tive coragem de o comprar. Sei lá eu porquê. Acho que aquilo também és tu e eu tenho-te e sinto-te (ainda?) de diferentes formas e isso já é tanto e basta-me (ou não, nem sei). Tudo o resto, se for para mexer muito, vou fazer asneira. E também não me apetece, devo dizer-te. Tenho este feitio do caraças e tu já sabes que eu sou assim, metade torrão de açucar e outra metade limão. Portanto, é o que se arranja.

Capítulo 4.
No Domingo seguinte [isto porque o dia em que tu morreste foi numa Sexta, o dia seguinte (este sobre o qual te escrevo agora) foi Sábado], o Tiago tirou-me de casa. Fomos para a Baixa, levei o carro para o estacionamento do Camões e lá andámos nós, de loja em loja. Faltava-me roupa preta e um casaco de Inverno em condições. Este acabou por ser oferta do Pai. Aliás, uma de várias ao fim destes anos todos. Faço o que me ensinaste, que eu cá sou bem mandada, e deixei de ser orgulhosa. Aceito, não penso muito nessa coisa dos orgulhos e nessa merda do dinheiro, e olha... Sou bem mais feliz assim, sem ter orgulho por receber prendas do meu Pai. Afinal, ele é o meu Pai e eu sou a sua Filha. Nem sei bem porque raios estou a terminar este capítulo com esta frase meio tola (e bem longa, sem pontuação, ao jeito do Saramago) na medida em que sei que tu sabes disto melhor do que eu.

Capítulo 5.
Quer dizer, minto-te com todos os dentes que tenho. Não sou mais feliz, assim no seu todo. Aprendi a ser feliz sem ti, sem te ter por perto. Ou por outro lado, posso dizer que aceitei, perdoei e segui em frente. Optei pelo caminho mais difícil (tinha feito o mesmo um ano antes, com a história já velha e gasta do R. e, pelos visto, não lhe perdi o jeito), é certo. Mas quem disse que gosto das coisas simples da vida? Nada disso. Ainda assim, aqui estou, de pé. Sempre a "partir pedra", a aprender a ser feliz um dia de cada vez para não querer sorver tudo de uma só vez. E sorrio; Não posso, nem quero deixar de o fazer.

Contudo, hoje, e só por hoje, não me apeteceu ouvir música. 


18 de novembro de 2014

Um dia (eu vou ficar bem).


Pode ser o que você quer
Ou o que eu tenho pra te dar
Uma vida inteira pra viver
Ou um só segundo pra lembrar...



No dia em que TU morreste.


«Na noite em que tu nasceste, a Lua sorriu com tanta admiração que as estrelas vieram de imediato espreitar para te ver e a brisa nocturna sussurrou: "A vida nunca mais será a mesma". Porque nunca houve ninguém como tu neste Mundo, tão encantados contigo estavam o vento e a chuva que sussurravam bem alto o som do teu lindo nome. E o Céu soprou todos os seus trompetes e tocou todas as suas cornetas, na magnífica e maravilhosa noite em que tu nasceste.»
-- Nancy Tillman.

~~~~~~~~~~~~   ~~~~~~~~~~~~   ~~~~~~~~~~~~   ~~~~~~~~~~~~

Capítulo 1.
Não sei se nasceste de manhã, de tarde ou de noite mas sei qual foi dia em que TU morreste. Foi hoje, há 9 anos atrás e isso jamais esquecerei. Afinal, está/ficou gravado na minha alma para todo o sempre.

Capítulo 2.
Bem sei que nunca gostaste do teu nome mas, lá está, gostavas do meu e por isso mesmo, contra tudo e contra todos, chamaste-me Paula. Hoje, passados estes anos todos, muitos ou poucos não importa, a dor é sempre a mesma. Faltas-me tu, falta-me o calor da tua pele, falta-me o teu cheiro tão peculiar, faltam-me os afectos, o abraço, o teu jeito de me afagar do cabelo, falta-me a tua alegria, faltam-me as tuas tristezas de um passado na Ilha, onde nunca conseguiste ser tu, em plenitude. Faltam-me os teus "dizeres" (bom, agora tenho a Célia que diz coisas, levadas da breca, mas que me fazem gargalhar sem parar), faltam-me as tuas certezas (especialmente aquelas que tanto me serenavam e outras vezes vezes me tornavam forte), faltam-me as tuas anedotas, faltas-me tu e o Pai juntos, amigos e companheiros, como nunca mais voltei a encontrar casal igual. Falta-me a candura do teu olhar, ora conciso, ora duro, ora doce feito mel. Faltas-me tu, o meu eterno porto seguro. Não te vejo alçar da perna em jeito de descanso, enquanto fumavas um dos teus 50 cigarros SG Filtro, mas a Rosete fá-lo como mais ninguém, tal e qual tu o fazias, sem vergonhas e na maior. Faltas-me tu e a tua capacidade de organização. Podes não acreditar mas eu até tenho saudades da carne assada e da panela de arroz que levavas para a casa da Alice, por ocasião das festas. Esta é a mesma Alice que ainda há dias me disse que só tu lhe pedias utensílios de cozinha dos quais ela nunca tinha ouvido falar. Vê lá tu bem que até sinto saudades de te pores a arrumar os armários e as cozinhas das pessoas em geral (na verdade, arrumavas tudo o que apanhasses à frente). Falta-me o teu amor imenso por mim (nunca ninguém me amou como tu me amaste), por todos e por tudo quanto acreditavas valer a pena. Eras mais do que um pilar. Eras força, coragem e luta. Misturavas-lhe graça, punhas aquela pitada de humor (e até alguma "brejeirice") e era vê-los todos a invadir a tua cozinha, já perdidos de tanto de rir. Ías sempre para a frente, nunca olhavas para trás; Não querias e nem gostavas de o fazer. Eras presente no momento presente. E quer queiras, quer não, foste sempre o "presente" da minha vida, o meu maior tesouro. Em tudo. Querias ter os meus olhos grandes e as pestanas longas (o que tu falavas disto!) mas tu eras a Luz em pessoa. E ainda bem que não fui só eu que te "vi" assim. 

Capítulo 3.
Decididamente, tu não eras normal; Não eras deste Mundo. E não tenho dúvidas de que o Mundo, este mesmo Mundo em que viveste e em que vivemos ainda todos, não te esquecerá. Afinal de contas, a vida não foi a mesma desde o dia em que nasceste, nem tão pouco desde o dia em que TU morreste.

[E até foste tu que me ajudaste a pagar o bilhete para eu ir a Alvalade (credo em cruz) ver os Srs. das Armas e das Rosas. Sim, eu sei. Isto não tem nada a ver com o dia em que tu morreste mas não podia deixar de dar o ar da minha graça, caso contrário isto ficava dramático demais. E não vale a pena, né?]




17 de novembro de 2014

É que é o mês de Novembro nunca foi gajo para brincar.




Livrai-nos Senhor de pensamentos pecaminosos, de luxúria e coisas assim tão deliciosamente boas. Amém! (gosto de ver o ponto de exclamação no fim do Amém!)
Oh pá, tu que vais mas voltas sempre. Mas aqui o que me irrita profundamente (o que vale é que é só de vez em quando que eu cá não gosto nada de perder tempo) é o facto de me acontecer o mesmo.

Bom, não me cansarei de referir que o Cácalharás sabe-la (sempre) todinha. E na ponta da língua! Opsss... Voltei ao mesmo! Livrai-nos Senhor de pensamentos pecaminosos, de luxúria e coisas assim tão deliciosamente boas. Amém! (continuo a gostar de ver o ponto de exclamação no fim do Amém!)

Estamos em Novembro, pá. E este gajo não brinca em serviço.

[Já tu brincas comigo. E eu contigo. E brincamos os dois, assim como quem não quer nada (mas queremos). E gostamos de querer. Mas também gostamos de gostar.]

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.

-- José Saramago - "Os Poemas Possíveis" --

12 de novembro de 2014

Enquanto houver estrada para andar.


Gosto muito, mesmo muito, de mim. Mas (também) gosto de TI.
Não sei bem se me entendes (apesar de me teres dito logo que sim) mas a minha vida pauta-se pela verdade; Não quero voltar a "mentir-me" e a "enganar-me", fugindo de ti assim, de forma labiríntica (esta palavra existe?). Gosto de ti. Talvez fosse este o problema ou, mudando-lhe o tempo verbal, talvez seja este o problema (ou pelo menos um deles).

Problema? Não, não há qualquer espécie de problema. Gostar de ti não é "o" problema. Só que é aqui, neste exacto instante, que voltamos ao início: gosto muito, mesmo muito, de mim.

Sim, isto é assunto para se evocar o S. Jorge Palma. "Assimcomássim", a gente vai continuar...



11 de novembro de 2014

Qualquer dia vou e não volto.


Tipo assim:

Deu-me para arrancar sem destino nenhum;
Sem pendura pois a vida já me foi dura para insistir na companhia.

O destino... Só eu saberei.


6 de novembro de 2014

E o que foi (feito) do coração?

Coração fechado é um coração magoado. Diz a R. B. e está muito bem dito.

Já o Marco (oh "coisa" mais linda e boa...) canta assim:

Coração, olha o que queres...