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19 de novembro de 2014

No dia seguinte (ao dia em que TU morreste).


Capítulo 1.
Tenho idéia que sempre escrevi sobre o dia em que tu morreste. Ora pela morte cerebral, ora quando te parou o coração. Também já escrevi sobre as diferentes formas de dor sentida antes, durante e após. Foram várias as emoções; São dispares os sentimentos. Afinal de contas, sou capaz de ter coração. Quer dizer, eu sei que tenho pois ele bate-me cá dentro todos os dias. E não menos importante, desde o dia 7 de Fevereiro de 2011 que o "reconheço", que o sinto vibrar e pulsar. Foi o dia em que nasceu o meu Afilhado mais novo, o meu Amor maior. Ele é lindo, é maravilhoso e chama-se Francisco. Eu amo-o perdidamente e sei, porque o sinto com uma intensidade enorme, que ele me ama também. Mais que não seja, faz-me olhinhos quando quer e eu derreto-me sempre. Não tenho como evitar e nem quero fazê-lo. É amor, o que é que se vai fazer, não é? Nada. Vive-se, sente-se e aprende-se.

Capítulo 2.
Voltemos pois ao príncipio. No dia seguinte ao dia em que tu morreste, fiz várias coisas. A Carla Sofia quis dormir lá em casa e eu nem questionei. Faltavam-me forças para ripostar e eu já nem sabia ao certo de que terra era portanto, deixei-a ficar. Acordámos cedo (acho que não dormimos), tomámos banho e saímos para tomar o pequeno almoço no Scala. Nota que eu não ingeria alimentos sólidos desde o dia 27 de Outubro, o teu primeiro dia fora de casa. Aliás, foi o dia em que saíste e nunca mais voltaste. Mas lá fomos nós. Foi uma enchurrada de caras e de perguntas. Ainda hoje não sei o que disse mas sei que devo ter dado umas quantas respostas tortas. Caramba! Eu estava mega, ultra cansada de 3 semanas de angústia, de dor, de ausência, do desconhecido, do que ali estava/estaria para vir. E veio. Menos tu. Tu não voltaste a casa.

Capítulo 3.
Tratámos de vários assuntos, incluindo do velório e da cremação. Tratámos das festividades, basicamente foi isto. De tarde, recebi o Tiago lá em casa e com ele escolhi e separei a tua roupa toda. A Avó Fernanda e a Tia Teresa ficaram com a maior parte e por mim, tudo OK. Eu guardei a roupa interior, biquinis e fiquei com outras coisas também. Nada de mais. Já me conheces. A dor era tanta que tive o pensamento congelado durante tempos e a minha capacidade de raciocínio - PUFT! - esfumou-se; Caiu num caos qualquer. Mas sei que guardei o que me apeteceu, uso o que bem entendo (ainda tenho peças tuas, do tempo em que eras solteira, acreditas?). Aliás, posso dizer-te que tudo cheirava a ti, ao teu perfume inconfundível, o Femme Individuelle da Mont Blanc. Ainda guardo o frasco, usei-o até acabar. E gostava bastante mas... Nunca tive coragem de o comprar. Sei lá eu porquê. Acho que aquilo também és tu e eu tenho-te e sinto-te (ainda?) de diferentes formas e isso já é tanto e basta-me (ou não, nem sei). Tudo o resto, se for para mexer muito, vou fazer asneira. E também não me apetece, devo dizer-te. Tenho este feitio do caraças e tu já sabes que eu sou assim, metade torrão de açucar e outra metade limão. Portanto, é o que se arranja.

Capítulo 4.
No Domingo seguinte [isto porque o dia em que tu morreste foi numa Sexta, o dia seguinte (este sobre o qual te escrevo agora) foi Sábado], o Tiago tirou-me de casa. Fomos para a Baixa, levei o carro para o estacionamento do Camões e lá andámos nós, de loja em loja. Faltava-me roupa preta e um casaco de Inverno em condições. Este acabou por ser oferta do Pai. Aliás, uma de várias ao fim destes anos todos. Faço o que me ensinaste, que eu cá sou bem mandada, e deixei de ser orgulhosa. Aceito, não penso muito nessa coisa dos orgulhos e nessa merda do dinheiro, e olha... Sou bem mais feliz assim, sem ter orgulho por receber prendas do meu Pai. Afinal, ele é o meu Pai e eu sou a sua Filha. Nem sei bem porque raios estou a terminar este capítulo com esta frase meio tola (e bem longa, sem pontuação, ao jeito do Saramago) na medida em que sei que tu sabes disto melhor do que eu.

Capítulo 5.
Quer dizer, minto-te com todos os dentes que tenho. Não sou mais feliz, assim no seu todo. Aprendi a ser feliz sem ti, sem te ter por perto. Ou por outro lado, posso dizer que aceitei, perdoei e segui em frente. Optei pelo caminho mais difícil (tinha feito o mesmo um ano antes, com a história já velha e gasta do R. e, pelos visto, não lhe perdi o jeito), é certo. Mas quem disse que gosto das coisas simples da vida? Nada disso. Ainda assim, aqui estou, de pé. Sempre a "partir pedra", a aprender a ser feliz um dia de cada vez para não querer sorver tudo de uma só vez. E sorrio; Não posso, nem quero deixar de o fazer.

Contudo, hoje, e só por hoje, não me apeteceu ouvir música. 


18 de novembro de 2014

No dia em que TU morreste.


«Na noite em que tu nasceste, a Lua sorriu com tanta admiração que as estrelas vieram de imediato espreitar para te ver e a brisa nocturna sussurrou: "A vida nunca mais será a mesma". Porque nunca houve ninguém como tu neste Mundo, tão encantados contigo estavam o vento e a chuva que sussurravam bem alto o som do teu lindo nome. E o Céu soprou todos os seus trompetes e tocou todas as suas cornetas, na magnífica e maravilhosa noite em que tu nasceste.»
-- Nancy Tillman.

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Capítulo 1.
Não sei se nasceste de manhã, de tarde ou de noite mas sei qual foi dia em que TU morreste. Foi hoje, há 9 anos atrás e isso jamais esquecerei. Afinal, está/ficou gravado na minha alma para todo o sempre.

Capítulo 2.
Bem sei que nunca gostaste do teu nome mas, lá está, gostavas do meu e por isso mesmo, contra tudo e contra todos, chamaste-me Paula. Hoje, passados estes anos todos, muitos ou poucos não importa, a dor é sempre a mesma. Faltas-me tu, falta-me o calor da tua pele, falta-me o teu cheiro tão peculiar, faltam-me os afectos, o abraço, o teu jeito de me afagar do cabelo, falta-me a tua alegria, faltam-me as tuas tristezas de um passado na Ilha, onde nunca conseguiste ser tu, em plenitude. Faltam-me os teus "dizeres" (bom, agora tenho a Célia que diz coisas, levadas da breca, mas que me fazem gargalhar sem parar), faltam-me as tuas certezas (especialmente aquelas que tanto me serenavam e outras vezes vezes me tornavam forte), faltam-me as tuas anedotas, faltas-me tu e o Pai juntos, amigos e companheiros, como nunca mais voltei a encontrar casal igual. Falta-me a candura do teu olhar, ora conciso, ora duro, ora doce feito mel. Faltas-me tu, o meu eterno porto seguro. Não te vejo alçar da perna em jeito de descanso, enquanto fumavas um dos teus 50 cigarros SG Filtro, mas a Rosete fá-lo como mais ninguém, tal e qual tu o fazias, sem vergonhas e na maior. Faltas-me tu e a tua capacidade de organização. Podes não acreditar mas eu até tenho saudades da carne assada e da panela de arroz que levavas para a casa da Alice, por ocasião das festas. Esta é a mesma Alice que ainda há dias me disse que só tu lhe pedias utensílios de cozinha dos quais ela nunca tinha ouvido falar. Vê lá tu bem que até sinto saudades de te pores a arrumar os armários e as cozinhas das pessoas em geral (na verdade, arrumavas tudo o que apanhasses à frente). Falta-me o teu amor imenso por mim (nunca ninguém me amou como tu me amaste), por todos e por tudo quanto acreditavas valer a pena. Eras mais do que um pilar. Eras força, coragem e luta. Misturavas-lhe graça, punhas aquela pitada de humor (e até alguma "brejeirice") e era vê-los todos a invadir a tua cozinha, já perdidos de tanto de rir. Ías sempre para a frente, nunca olhavas para trás; Não querias e nem gostavas de o fazer. Eras presente no momento presente. E quer queiras, quer não, foste sempre o "presente" da minha vida, o meu maior tesouro. Em tudo. Querias ter os meus olhos grandes e as pestanas longas (o que tu falavas disto!) mas tu eras a Luz em pessoa. E ainda bem que não fui só eu que te "vi" assim. 

Capítulo 3.
Decididamente, tu não eras normal; Não eras deste Mundo. E não tenho dúvidas de que o Mundo, este mesmo Mundo em que viveste e em que vivemos ainda todos, não te esquecerá. Afinal de contas, a vida não foi a mesma desde o dia em que nasceste, nem tão pouco desde o dia em que TU morreste.

[E até foste tu que me ajudaste a pagar o bilhete para eu ir a Alvalade (credo em cruz) ver os Srs. das Armas e das Rosas. Sim, eu sei. Isto não tem nada a ver com o dia em que tu morreste mas não podia deixar de dar o ar da minha graça, caso contrário isto ficava dramático demais. E não vale a pena, né?]




11 de novembro de 2014

Psssttt... Hoje é Dia de S. Martinho!


O S. Martinho sempre foi uma data importante para mim. Nunca foi pelo vinho (agora também é) mas sim pelas castanhas. Mas não só.

Na minha casa, fosse dia de semana ou ao fim-de-semana, era sempre dia de jantar de forno. Havia (mais) alegria, falávamos e e riamos alto, comíamos ainda melhor e no fim... Ei-las, as belas castanhas! Cozidas, fritas e assadas misturadas com o carinho único da minha Mãe que, não lhe bastando ter-nos feito o jantar, fazia imensa questão de as ir descascando. Realmente, só mesmo um ser humano como ela para o fazer. Mas eu aprendi a lição e também o faço. Isso e separar bago a bago de uva para servir à mesa (ou dar na boquinha de alguém mais especial).

A minha Mãe costumava dizer que com tanta castanha que eu comia (fora o chá ou água que ingeria), qualquer dia fazia madeira na barriga. E esta não era, de todo, uma visão agradável. Porém, e quando passei a beber vinho, a questão deixou de se pôr. Vinho é vinho. Tinto, sempre.

Aos 39 anos descobri que o meu alimento preferido - a bela da castanha, pois então - faz-me mal (muito mesmo). Chamam-lhe intolerância alimentar mas eu prefiro pensar que é só mais uma modernice. Mas nã, nã, nã... Hoje é Dia de S. Martinho!

Até as ter todas cá dentro (as que conseguir aguentar!), a incharem-me a barriga como só elas e a demorarem uma eternidade para serem "processadas" pelo organismo, vou ver se medito e abro a mente e o coração para as "receber". E vou perdoar-me (tenho que começar o quanto antes!). Tenho a certeza que serei feliz que é, como quem diz, as belas castanhas vão-me saber pela vida!

E eu sou pela paz, pelo amor e por aproveitar tudo de bom e maravilhoso que a vida nos dá. E hoje, só por hoje, vou comer castanhas e estarei (ainda) mais feliz.

Abra-se a garrafa de vinho!
 


2 de novembro de 2014

Will be.

E que assim seja...
[Considerações (meio que "às cegas") de fim-de-semana deram nisto.]

PS: E o Benfica lá ganhou na Sexta-Feira. Amém e, claro... Venha a nós um batom vermelho.


30 de outubro de 2014

Espelho do Coração.


Não tenho nada mas tenho, tenho tudo. Sim, era a Floribela que o dizia. 

«A introspecção permite-nos ver o nosso verdadeiro “eu”, no espelho do nosso coração.» -- Brahma Kumaris.



29 de outubro de 2014

Coisas de Família.

Morreu-se-me mais uma das minhas pessoas. Daquelas do Património que é a Família mas daquelas de quem eu sempre gostei, de quem gostava e de quem vou gostar na mesma.

De qualquer forma, e em jeito de compensação, quis o Universo que eu me animasse um pouco e eis que encontro o meu porto seguro, o meu mais que tudo. E não, não foi o gajo do café. Aliás, até é coisa de gaja não fosse ela a Madeira, a minha Ilha da Madeira.

Oh McNamara: eu cá já gostava de ti mas agora, upa upa.


27 de outubro de 2014

7.30.

Eram mais ou menos 7.30 da manhã do dia 27 de Outubro de 2005.
Eram mais ou menos 7.30 e não me chamaste a mim (eu por acaso estava em tua casa nessa manhã). Não me chamaste a mim; Eu sei que nunca o farias. Chamaste o Pai. Por obra do acaso (ou talvez não), ele não te ouviu.
Eram mais ou menos 7.30 e só eu te ouvi.
Eram mais ou menos 7.30. Saímos os 3 de casa eram 8.00 mas tu não voltaste. Mas eu sabia que assim seria. E assim foi. -- Foste e não voltaste.

20 de outubro de 2014

A melancolia é só mais um tumulto, um novo precalço.


O outono vem vindo, chegam melancolias, 

cavam fundo no corpo, 

instalam-se nas fendas; às vezes 

por aí ficam com a chuva 

apodrecendo; 

ou então deixam marcas; as putas, 

difíceis de apagar, de tão negras, 

duras. 
-- Eugénio de Andrade - O Outono. --

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# [Outubro e Novembro: ide para a Sra. PQOP.] #
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18 de novembro de 2013

8 anos depois.

Costa da Caparica, Outubro de 2013.


"Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro ...
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa. "
-- Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde".
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Mais um ano se passou. Chegámos ao 18.º dia do mês de Novembro. E contam-se já 8 anos. É incrivel como parece ter sido ontem, quiça antes de ontem. A dor é algo tão frio, tão angustiante. A dor é despropositada.
Dizem que a dor reflecte o choque e o trauma; Veste-se em nós e está ali, está aqui. Tão espelhada, tão reflectida (fere-me a vista). Nem todos a (e ME) conseguem ver (graças aos Céus). Eu também não deixo. Que me vejam, que me julguem, que me/nos lamentem. Eu não quero (nem vou) deixar que me vejam... Que TE vejam em mim. Tu és minha - seja lá o que isto for. E eu fui tua.
Apeteceu-me escrever novamente sobre este assunto. Vai na volta senti-me obrigada a fazê-lo. Não sou assim tão forte. Sou fraca. Quero que retenhas isto. Eu resisto e invento. Re-invento-me, mais concretamente. E resisto-me.
Nunca se fica igual. Nada é o que era, o que foi. O tempo corre desalmadamente que nem mil cavalos à solta num campo verde qualquer. Os mesmos mil cavalos que trago comigo. Ao peito, dentro peito. E depois pergunto-me: «-Qual peito? Qual coração?»
Não sei de mim. Mal sei quem sou. Mas eu era tua. E tu foste minha. Isto é tremendamente alucinante. É um carrossel que vai e volta e que me faz doer (voltei a falar de/da dor). Amanhã já não será isto. Será certamente outra coisa qualquer.
 

11 de novembro de 2013

Na boa conta, peso e medida!



No Dia de S. Martinho, comem-se castanhas e prova-se o vinho!




29 de outubro de 2013

Não assinalei AQUI o dia 27 de Outubro.

Tão somente porque me esqueci.

E o que poderá representar tal esquecimento? Pois que... Não sei.

Como rever uma vida (a minha) em 2:13.

E nunca, por nunca, me havia acontecido ISTO.

16 de outubro de 2013

Eu (ainda) não sei se aceito a dor na sua magnitude.

@Do Mundo.


De modos que é isto.

Mas também é disto. E eu gosto. (ainda que continue confusa grrrr...)


26 de março de 2013

Do que é Eterno em mim.

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

-- José Luís Peixoto.
 

15 de março de 2013

Das coisas que (ainda) mexem comigo.

Ele queria ser filósofo e escritor mas... Transformaram-no em economista. Partiu hoje, no seu natural regresso a casa - R.I.P.

13 de março de 2013

Cómo amar a alguien más que a nosotros mismos.

Para a Bray, para a Miss C. e para a Loura N.:

"Hijo es un ser que Dios nos prestó para hacer un curso intensivo de cómo amar a alguien más que a nosotros mismos, de cómo cambiar nuestros peores defectos para darles los mejores ejemplos y, de nosotros, aprender a tener coraje. Sí. ¡Eso es! Ser madre o padre es el mayor acto de coraje que alguien pueda tener, porque es exponerse a todo tipo de dolor, principalmente de la incertidumbre de estar actuando correctamente y del miedo a perder algo tan amado. ¿Perder? ¿Cómo? ¿No es nuestro? Fue apenas un préstamo... EL MAS PRECIADO Y MARAVILLOSO PRÉSTAMO ya que son nuestros sólo mientras no pueden valerse por sí mismos, luego le pertenecen a la vida, al destino y a sus propias familias. Dios bendiga siempre a nuestros hijos pues a nosotros ya nos bendijo con ellos.»

-- José Saramago 


Porque, apesar de não ser Mãe, já fui muito amada. Mas também porque, sempre que penso neste Amor imenso, INCONDICIONAL e intenso entre Mães e Filhos, lembro-me SEMPRE de vocês as 3.

Obrigada por fazerem parte da minha Vida, do meu Caminho.





27 de fevereiro de 2013

Eu sei.

Eu sei.
No fundo, no fundo eu sei.
Eu sei que mereço que me tenhas deixado por aí. Sim, deixado por aí. Perdida e abandonada que nem uma cadela sem dono, sem tecto e sem rumo.
Já te sorri, já te ri. Já te chorei vezes sem conta. Eu sei que sim.
Era tua, só tua. Era a tua menina de olhos grandes e pestanudos. E hoje? E ontem? E amanhã? Pois, eu sei. Nada sou.
Eu sei. Eu mereço, não é?
Eu sei que sim. Aliás, caso contrário, nenhuma outra explicação existiria para me teres abandonado.
Eu sei. Eu mereço. Eu sei que assim é.
Eu sei. Mas gostava que me ouvisses gritar que tu, para mim, ainda és tudo.
Eu sei. Tu já não me ouves. Tu já não me queres. Mas sabes que mais?
Eu sei.









27 de dezembro de 2012

Conceito de Felicidade.

Vamos fazer de conta que é dia 25 de Dezembro, Dia de Natal, caso contrário seria difícil contextualizar este meu post.

De há sete anos para cá que o meu acordar nesta data se tornou diferente. Sim, diferente, digamos assim até para não tornar este texto lamechas e manchado já, à cabeça, por tristezas e assim. "Coise e tal", como diria Miss V.

Abro olhos assim naquela, sem saber muito bem em que terra estou. O barulho das portas dos armários, de tachos e panelas há muito que se faz sentir e, acabo, naturalmente, por me render às evidências, encaixar e realizar, de uma vez por todas, que é hora de tirar o rabo da cama.

Primeiro, solto as pernas dos lençóis para sentir a temperatura do ar, procuro os chinelos de quarto que, provavelmente, estarão um para cada lado. Respiro fundo, mais uma vez. Há muito barulho lá ao fundo, na cozinha. Raios, xiça, penico! Nos entretantos, o cheiro de carne a assar tranquilamente no forno é algo que se me entra pelas narinas e me faz farejar, como se do mais belo perfume se tratasse. Mas não se trata do mais belo de todos, não. Isso é que não.

É o odor, o sabor, o calor do pescoço da minha Mãe que almejo sentir! Sei que lhe vou aparecer de surpresa, ela vai soltar uma asneirola fácil e feia mas depois aninhamo-nos como se não houvesse amanhã... Como se não houvesse destino. E, naquele INSTANTE, não existe, mesmo. De todo! Ou julgava eu que não existia. No fundo, e para ser realista, é mais isto, que há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. Bem entendido.

Tudo o resto podia estar "lastimoso". Bom, certo e sabido que nunca fui pessoa de grandes lamentos até porque a vida tem-me corrido relativamente bem. Aliás, conheço alguém muito especial que sempre me disse «-Tu tens uma vida simpática». Confere; A pessoa está certíssima! Mas sim, por uma ou outra razão, a "coisa" podia até nem estar a correr de feição que a mim me bastava, tão somente, a minha Mãe existir, ela ser minha e eu ser a sua menina, a sua Paulinha de olhos grandes e pestanudos, de sorriso aberto e a quem ela tantas vezes obrigava a cantar. Pois que, é verdade. Fazia-me cantar e representar como se estivesse por aí, num palco qualquer. Ui, das figurinhas.

Aquele momento, aqueles abraços todos, os cheiros, o entregar-me nos seus braços, fazê-la sentir-se a melhor Mãe do Mundo e ser, garantidamente, a Filha mais feliz e preenchida desse mesmo Mundo também... Este sim é o meu conceito de Felicidade. Não, nunca conheci e dificilmente irei conhecer outro igual.

Hoje, no agora dos dias presentes que correm desalmadamente, como se fossem uns grandes malucos, as manhãs de dia 25 de Dezembro são, nada mais e nada menos, iguais a tantos outros acordares domingueiros. Preguiça daqui, preguiça d'acolá, salto da cama e tudo o resto acontece. Faz parte, direi eu. Ou não, sei lá eu! 

Do património dos meus afectos posso afirmar que, pelo tempo que for, pelo tempo que durar, o meu Amor Existe. E esse Amor (ainda) és Tu, Mãe



17 de dezembro de 2012

Não sei fingir.

 

«Não sei fingir que amo pouco, quando em mim ama tudo.» 
-- Vergílio Ferreira --
Esta coisa do Inverno e dos dias que passam a correr deixa-me assaz "perdida" (ou será mais parva?). E é entre estes dias que correm assim, desalmadamente, loucos e ferozes como só eles, que se me fica tanto por dizer, tanto por fazer.
Só que... Não sei fingir. É Natal e eu estou-me completamente nas tintas para tal. Olhem, do nada (que em mim é tudo), até rimei, vá lá. Parece-me bem.
Mas como ouvi dizer este fim-de-semana, «não há bicho, logo não há peçonha», isto passa-me.
 
  
 

23 de novembro de 2012

São emoções que dão vida à saudade que trago.

Oh Mãe, estamos (novamente) em Novembro!
Recuso despedir-me.
Avanço, sem medos. Teremos todo o tempo do Mundo.
Estou cá para ti. Somos felizes, juntas. À nossa maneira (tal como tão bem me ensinaste).
E eu sou uma boa Menina. Aprendo rápido, bem sabes.
Sou toda olhos e pestanas grandes, como dizias.
Afinal, é Novembro. E sim, estão lá todas as estrelas.
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As nossas sombras a namorarem em Lisboa.
-- José Luís Peixoto
«(...) É de noite. Há estrelas de certeza.

Novembro é o mês certo para te segurar nas mãos, memorizar-te os dedos para nunca mais esquecer. Temos os nossos segredos, vivemo-los. E, numa hora que escolhemos juntos, despedimo-nos sem medo. Teremos amanhã, teremos a próxima semana e o próximo ano mas, mais ainda, temos agora, este preciso momento em que estamos tão vivos.»

Texto integral: http://www.joseluispeixoto.net/71940.html
Há gente que fica na história, na história da gente.