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7 de novembro de 2014

Flores no cabelo em jeito de Sexta-Feira.


Olho para esta imagem e, sinceramente, não sei do que gosto mais: se dos "coquinhos" nas "mamocas", da "sainha" feita de folhas, das luvas e das "botildes" pretas, dos óculos (serão estes de mergulho?) e/ou da coroa de flores no cabelo...

OK, ganhou a coroa de flores no cabelo!



4 de novembro de 2014

Canhoto.

O Talisca jogou, marcou e petiscou.
E é canhoto, "ah posé"!

24 de outubro de 2014

Entre maçons e opus dei, não há quem nos valha.

Diz que é Sexta-Feira. Já eu, que sei que nada sei (eu e o Sr. Eng.º José Sócrates), também sei que entre maçons e opus dei, não há quem nos valha.

E mais... Ide todos levar naquele mesmo sítio onde levam as galinhas.

20 de outubro de 2014

Provalmente, só me falta parir.(*)

Belisco-me assim... 2, 3 vezes, só naquela e tal. Sendo que tenho 39 anos e que aprendi a ler aos 6, dou-me por satisfeita por encontrar isto.

E, visto que julguei que este dia jamais chegaria, vou ali abrir uma garrafita de vinho tinto e já volto. É que o parir, esse, fica para depois.

(*) E conhecer a Patagónia mas não sem antes passar pela Argentina. Ah, pois é!

7 de novembro de 2012

Haja paciência.

«Já é Natal, corre ao Centro Comercial mais próximo e compra a tua Felicidade.»
(Autor desconhecido)

Que coisa tão linda - Natal.


25 de outubro de 2012

Na Terra dos Sonhos.

Esta é outra música que atravessa credos, idades, religiões, orientações sexuais, cor politica e até clubismos. E faz-nos pensar.

Utópico ou não, a verdade é que:

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar
E abre bem os olhos,escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar.

  Resumindo, baralhando e voltando a dar...

Se queres ver o mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar p'ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar
E se ás duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanço, está ao teu alcance tens de o encontrar.





24 de outubro de 2012

As Linhas de Torres (que é como quem diz, de Wellington).

As Linhas de Wellington. Portugal, 2012

Mais info's aqui: As Linhas de Wellington.


Pois que a Terça-Feira foi uma noite mais do que bom para descomprimir.
Jantar, cafezar/fumar naquele pequeno "tesouro" que a S. me apresentou (ui, é que para além dos deliciosos scones, o cheesecake e o bolo de chocolate com manga são também divinais!) e ainda deu para matar saudades do Fonte Nova e de lá ir cinemar.

Numa escala de 7******* (a minha escala, portanto, até porque quem manda aqui sou eu), dou 3* a este filme. As representações não são, de todo (para não dizer nada), excepcionais mas o que me ficou efectivamente na "retina" foi a abordagem histórica apresentada e, acima de tudo, o que pude lembrar e aprender da história de Portugal (por exemplo, sabia lá eu que os ingleses nos tinham vindo ajudar na guerra contra os franceses...).

Nota adicional:
Se tem a mania de que não gosta de filmes portugueses, não se atreva a sair de casa para ir ver este em particular. Às páginas tantas, vai (mesmo) continuar a achar que não gosta de filmes portugueses.


É como o queijo numa ratoeira.

Tendo por base as etiquetas Nós Por Cá e Opiniões, aproveitamos esta "maravilha" da Internet - a Blogosfera -, para destacar uma ou outra notícia diária. Ou semanal. Ou, quiçá, mensal, que isto de lidar com mulheres é algo deveras complicado. Ou não. Mas... Acreditamos que vale a pena.

E, antes mesmo que se faça tarde, optámos por destacar esta notícia Três fases para o sucesso da empresa no Jornal i de hoje, de onde extraímos isto:
 
«O sucesso das organizações depende em grande parte dos recursos humanos e da forma como estes são aproveitados. Mas como gerir, avaliar e motivar uma equipa nos dias de hoje? Foi este o mote de mais uma edição do iBreakfast, uma parceria do jornal i e da consultora Stanton Chase. (...) Cabe também às organizações o papel de manter as pessoas motivadas: “Exige muita criatividade”, garante Maria João Gomes, da WeDo Technologies. Para Sandra Faustino, HR Manager do Banco Santander Consumer Finance, é necessário “ter diferentes planos consoante a faixa etária. A personalidade das pessoas deve ser tida em conta”.»

Isto faz-nos pensar na realidade e na conjuntura actual vivida por "aqui". E não deixa de ser castrador assistir à promoção da falta de mérito e de capacidade profissional de tanta gente (gente não, gentinha), durante anos e anos a fio. E são quase sempre os mesmos.

Ainda no mesmo contexto, voltamos a pensar nas três fase para o sucesso da empresa: avaliar, gerir e motivar.

Por "aqui", o sistema de avaliação dos colaboradores é altamente duvidoso e, no nosso entender, corrupto. Não se cumprem datas, não se reúne para definição de objectivos, não existem prazos para nada e, no fim, assinam-se formulários sem fim, atestando que "aceitamos" (À FORÇA) manter a mesma avaliação do ano anterior. Que bonito, apraz-nos dizer.

O gerir e o motivar são verbos que me fazem, pomposamente, ROFLOL. A "gestão" até pode ser ensinada (e enaltecida sobremaneira em rankings "do cócó e do xixi" que só servem mesmo para alimentar egos de gente pequena e mesquinha) mas "gerir" em ambiente manifestamente esclavagista parece-nos, um tanto ou quanto, ordinário e sem qualquer ética. Já a motivação... Essa ficará para quem a "apanhar". 

E pronto. Vamos ali e já voltamos.







29 de novembro de 2010

MATER.


Espectáculo MATER, 27 de Novembro de 2010. Convento de Mafra.


Vai-se ao Homeopata e é disto. Trocam-se meia duzia de palavras à saída e temos nas mãos um folheto que nos "desvaria" a mente. Resiste-se à tentação de gastar mais dinheiro com "coltura". Resiste-se mas depois vai-se ao Colombo, sobe-se ao 2.º piso e, eis senão quando, estamos na Fnac. Compram-se bilhetes, pois então.

O espectáculo MATER é muito mais do que um bailado. São momentos em movimento; Este movimento é puro, audaz, forte e, ao mesmo tempo, suave. São experiências vividas e sentidas a uma só voz, a um respirar ora lento, ora acelerado. Sente-se. Vive-se. Conquista-se. Sente-se. Vive-se. Conquista-se.

Estava muito frio naquela noite mas valeu a pena sair de casa por um bom par de horas. Regressei cansada mas "cheia" de tantos sentimentos que insistiram em se misturarem com a tristeza que me tem acompanhado. Resultado: escolhi com gosto o pijama e o robe da semana, vi TV como se não houvesse Domingo e consegui, por portas e travessas, dormir mais umas quantas horas pela manhã.

Sim, na noite de Sábado, e por umas horas, pouco pensei, racionalizei ainda menos e senti-me, de certa forma, viva e com (algum) fôlego. Mas foi só isto.


(No Domingo à tarde estava novamente feita num farrapo em forma de mulher. Estou que nem me suporto, essa é que é essa!)

30 de outubro de 2010

A-PRO-VA-DO.

Imagem retirada daqui:
http://apipocamaisdoce.blogspot.com/2010/10/pensamento-introspectivo-do-dia.html


Orçamento 2011.
Pronto, está feito. E aprovado. É que já não se aguentava.

Para não desesperar por antecipação, "bora" lá comprar qualquer "coisita".
~-~-~-~-~-~-~-

28 de junho de 2010

0-0.

O resultado 0-0 tem sido uma constante neste Mundial. A Selecção Tuga não foge à regra e, grão a grão, lá vai "enchendo o papo", bem temperado com... Ketchup. Oh God, as coisas fantásticas que se dizem e que se ouvem por aí...

Entretanto, e como quem não quer a coisa e tal, amanhã já saberemos se fazemos fiesta ou se os nuestros hermanos nos "empurram" para fora do Mundial. Aliás, nada que já não saibamos como é; A História revela-nos isso mesmo e, vai daí, aqui vivemos neste cantito à beira mar plantado e que os senhores não conseguiram "papar". Olé, Olé!


Voltando atrás, um jogo que termine a 0-0 é como... Jogar a feijões. E tenho escrito.

21 de junho de 2010

"Baligada" de golos.

"Baligada" means barrigada, em jeito de homenagem aos Coreanos :-D

Esqueçamos pois a crise, as votações no Parlamento, as degraças e declínio do Governo, as heresias da Igreja Católica, o mau tempo dos últimos dias, a falta de money nas carteiras, os manjericos já murchos num pós Santo António molhado e ainda... Tudi-tudi.

Afinal, era SÓ disto (7-0) que os Tugas estavam à espera. Oh pá, estamos como novos, chiça-penico!

Sigamos pois em frente e depois...

Nothing Else Matters


14 de maio de 2010

Camisa de Vénus.


*Sai uma condecoração para a mesa do fundo!
*

«O GOVERNO DE SÓCRATES É IGUAL À CAMISA DE VÉNUS»

Uma explicação (possível):
A camisa de Vénus permite inflação, impede produção, destrói a próxima geração, protege um bando de cara**** e ainda transmite um sentimento de segurança... enquanto na verdade, alguém está fod**** alguém!


-> Mas é possível que já não se façam Tias como antigamente? É, é possível. Ainda assim, bem hajas Alice Espadachim :o)

Dizem por aí...

Que os Pokémons fizeram-se representar em Portugal, nos dias 11, 13 e 14 de Maio.

Well, espero que isto não tenha nada a ver com a visita papal. Ou será que o papa era o Pokémon Mor?

E esta, hein?

25 de dezembro de 2009

True Colours.


Foto de Nan Goldin.


Chove lá fora. Aliás, choveu todo o "santo" dia. Porém, tal não evitou que eu descobrisse a data em que se comemora o Dia Mundial do Orgasmo. Sabem, a "esfera bloguista" é, sem dúvida, fantástica. Mas não tanto quanto a Sweety, naturalmente.

Posto isto, até porque o que me importa é deixar aqui registado (mesmo que não venha a servir para nada), quero informa-los de que o Dia Mundial do Orgasmo se comemora a 31 de Julho. É verdade.

Bom, mas as lamentações do cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, também foram notícia de TV. Segundo ouvi, o Sr. Policarpo lamentou-se devido à «(...) indiferença, o agnosticismo e mesmo o ateísmo (...)» que considera existir na sociedade, tendo-se dado ainda ao trabalho de apelar vivamente a uma maior intimidade dos cristãos com Deus. Mas não quero sequer pensar no que isto possa querer dizer. Porra, que medo. Muito medo!

E agora... Pergunto eu: «- Porque será que não re-avaliam a medicação que dão aos senhores, especialmente nestes casos críticos?».

Valha-nos a Cindy e as suas True Colours que me fazem lembrar, claro está, um ou vários orgasmos :-) Curiosamente, preferia ver a Cindy naquela sua versão mais punk/groove "desengonçada". Ai saudade, saudade... Dos loucos anos 80!




22 de dezembro de 2009

O Hot Club na Praça da Alegria...

Ardeu.


Não saí à rua hoje. Não vi e nem ouvi noticiários e só à pouco li as gordas de um jornal qualquer na net.

Eis que me deparei com esta notícia -> http://www.publico.clix.pt/Local/predio-do-hot-clube-encerrado-temporariamente_1415022

Ai, Portugal, Portugal... Do que é que tu estás à espera?

Não me canso de escrever esta frase do Jorge Palma... Porque será?



14 de setembro de 2009

Em tempo de "Politiquices".

Recebi uma mensagem de correio electrónico de alguém mais atento do que eu ao Expresso de 27 de Junho de 2009. E como a noite chegou com "pézinhos de lã", o sono teima em não chegar e o João Pestana também tem direito a férias... Passo a transcrever:

«Artigo de Miguel Sousa Tavares, Expresso 27/06

Conversa entre mim e uma amiga(…):

— É sempre assim, esta auto-estrada?

— Assim, como?

— Deserta, magnífica, sem trânsito?

— É, é sempre assim.

— Todos os dias?

— Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

— Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

— Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

— E têm mais auto-estradas destas?

— Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. — respondi, rindo-me.

— E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

— Porque assim não pagam portagem.

— E porque são quase todos espanhóis?

— Vêm trazer-nos comida.

— Mas vocês não têm agricultura?

— Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

— Mas para os espanhóis é?

— Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

— Mas porque não investem antes no comboio?

— Investimos, mas não resultou.

— Não resultou, como?

— Houve aí uns expert que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

— Mas porquê?

— Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pêndula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

— E gastaram nisso uma fortuna?

— Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

— Estás a brincar comigo!

— Não, estou a falar a sério!

— E o que fizeram a esses incompetentes?

— Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

— Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

— Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km. Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

— Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

— Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois,

pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

— Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

— Isso mesmo.

— E como entra em Lisboa?

— Por uma nova ponte que vão fazer.

— Uma ponte ferroviária?

— E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

— Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

— Pois é.

— E, então?

— Então, nada. São os especialistas que decidiram assim. Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

— E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

— Não, não vai ter.

— Não vai? Então, vai ser uma ruína!

— Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína — aliás, já admitida pelo Governo — porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

— E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

— Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

— E vocês não despedem o Governo?

— Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

— Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

— Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

— O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

— A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

— Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

— É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

— E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

— O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

— Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

— É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

— Não me pareceu nada...

— Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

— Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

— Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

— E tu acreditas nisso?

— Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

— Um lago enorme! Extraordinário!

— Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

— Ena! Deve produzir energia para meio país!

— Praticamente zero.

— A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

— A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

— Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar — ou nem isso?

— Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

— Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

—Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

— Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

— Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

— Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!»