10 de maio de 2009

Nesta Paragem Existem Febres Para Todos Os Gostos.




Fotos de Carlos Monteiro. Terreiro do Paço, 9 de Maio de 2009.

Depois de uma semana alucinada, entre trabalho para três, dores nas costas e noites mal dormidas, tivemos um sábado fantástico. Entretanto, e para relaxar, quisemos ficar em casa todo o Santo Domingo! Porém, e como nem tudo é belo e amarelo (algumas pessoas que conhecemos são... amarelas e belas!), tentar acompanhar as notícias deste País e do Mundo é algo de doentio. Não se aguenta a TV portuguesa, valeu-nos a RTP2 que transmitiu a meia-final e a final do Estoril Open 2009 que, com muita pena nossa, não pudemos assistir ao vivo e a cores, como vem sendo hábito nos últimos três anos. OK, vamos à Alemanha em Junho e não podemos querer tudo... Quer dizer, querer podemos mas nem sempre é possível. E assim sendo, mais vale ir pedindo e ir gozando a pouco e pouco! E vá lá... Valeu-nos a Fox e o DVD genial da Isabella Taviani que veio direitinho do Brasil para Nós e, acima de tudo, para o Nosso Coração "meloso"... E ao qual assistimos em modo repeat... Caramba! Somos assim: quando gostamos, GOSTAMOS À SÉRIA!

Avancemos Camaradas, avancemos. Acabámos por confirmar que o nosso Glorioso, para além de estar decadente, está gasto, cansado, que é o mesmo que dizer que está a dar as últimas. Depois, percebemos que desde violências, gripes de todas as espécies animalescas, o Socas a pedir maioria absoluta, o Papa que visitou a maior Mesquita do Mundo mas que não se descalçou, que existem vírus nos hospitais, a embarcação que desapareceu nos Açores, os Senhores do Fraque que não têm roupa de etiqueta mas que se vestem de forma clássica, a moda do botox e bla bla bla... Uffaaaaa! Não se aguenta.

O melhor mesmo é desligarmos a TV, jantar bem e beber uns quantos copos de vinto tinto do Crato, que acabará por nos levar até às Estrelas e dormir que nem Bébés! Cansadas de tanta coisa má que por aí acontece, resolvemos vir até Aqui, para vos dizer que, de facto, existem Febres para Todos os Gostos. Elas são Febres de Amizade, Febres por Vinho e até Febres por Compras, vulgo, Febre por Carteiras. Não entenderam nada mas também... Não faz mal.

"Allô, allô Marcianos", está confirmadissimo. Nesta Paragem existem Febres para todos os gostos. Não somos médicas mas podemos afiançar que a receita para a cura é simples. E, vá lá, como às vezes também gostamos de ser "Meninas Boazinhas, Bonitinhas e Queridinhas", partilhamos de bom grado a receita maravilha:

Ingredientes

- Uma grande dose de Amizade
- Outra tanta dose de loucura
- Cinco cafés e quatro pastéis de nata
- Chuva e chapéus de chuva
- Compras no Terreiro do Paço
- Muita gargalhada sonora, como se quer
- Vinhos do Ribatejo, de Setúbal e do Douro.

Modo de Preparação

- Mexam bem, mas devagarinho, pois as cabeças nem sempre estão no lugar
- Envolvam tudo lentamente, com açucar ou sal a gosto
- Reguem abundantemente com a Doçura da Célia, a Alegria Contangiante da Isa e a Nossa Loucura Peculiar
- Voltem a mexer e envolvam de novo, tranquilamente e sem pressas.

O Resultado é sempre FANTÁSTICO. Queremos e Vamos Repetir. Porque SIM, porque QUEREMOS MUITO, porque MANDAMOS e GOSTAMOS DE SEGUIR OS NOSSOS CORAÇÕES.

E Lá estaremos JUNTOS para a Semana. Mas atenção Viajantes e Outros Tantos Marcianos... Já vos dissemos ontem e queremos repetir: NÃO ALMOCEM NO PRÓXIMO SÁBADO. O jantar avizinha-se Farto e Intimista, Como Sempre e Como Dantes. Falamos de barriga cheia, dado o know how adquirido ao longo de anos. Lá, Nós Todos sabemos Onde, bebe-se bem, come-se ainda melhor e respira-se Amizade Pura e Dura. Pois é, lamentamos que nem todos saibam o que isso é... "Azarito". Nós sabemos e sentimos!

No entretanto, vamo-nos vendo, beijando e abrançando lá pela Selva semanal. Estamos combinadas?!...

Nota da Direcção:
Sabemos tão bem que escrever com Caps Lock equivale a gritar mas olhem... Temos pena. Estamos mesmo a Gritar. A Gritar de Felicidade!

Elis Regina, Allô, Allô Marciano


7 de maio de 2009

Kiss My Name.

Foto de Paula Santos. Costa da Caparica, Agosto de 2008.

Tivemos um dia de merda. A Vida é Linda mas também pode ser uma "filha duma putice" pegada. Tivemos de tudo hoje. Até o cigarro, fumado com o maior dos prazeres do mundo, à ida para o cabeleireiro, resolveu voar para... O nosso pescoço. Queimámo-nos mas ainda houve tempo para chegar a uma bomba de gasolina para encontrarmos o sacana do cigarro, que já nos queimava o assento. Bolas!

Ainda assim, já temos a cadeira hiper, mega confortável que nos fará continuar à espera de alguém que escreva o nosso nome! Quer dizer, convenhamos... Que existe quem o queira fazer... É bem verdade. Resta-nos saber se nos apetece. Olhem, Cenas de Gajas.

Nessa mesma cadeira, vamos aguardar também pelo dia em que teremos a coragem para conceber um outro blog de sonho, cheinho de escárnio e de mal dizer. Sim, porque também somos assim! Cheinhas de coisas mordazes, pirosas, fúteis, picantes e com ideias maléficas por partilhar! Olhem, temos pena, OK?

Bom, mas enquanto esse blog maravilha não chega, apeteceu-nos parar Aqui hoje, para dizer umas quantas barbaridades alucinadas, saídas da cabeça de quem não dorme em condições há meses, sofre daquela doença temporária (é só uma vez por mês, não se pega mas deixa-nos assim... acesas) e que se está, com licença, no "caganits" para o que vier depois. E não, desta vez não temos pena de nada. Se vieram até Aqui para nos lerem, aguentem-se!

O nosso Glorioso está em decadência. Valha-nos esta Chama Imensa que se mantém cá dentro, vai-se lá entender o porquê. Pois, mas também é certo que nos estamos nas tintas para isto.

O tempo está que não se entende. Um calor que quase nos parece querer queimar por dentro, por fora, em todo o lado. É vê-las todas "descascadas", a pedirem por favor para serem comidas à força toda, e que se fazem acompanhar pelas suas fabulosas garrafas de cor azul, amarela ou alaranjada. Dizem que os líquidos que transportam são diuréticos. Fod**-** mais as dietas, junto com as gajas magras, que mais parecem folhas de alface. Sem sabor, entendam-nos. Se não as temperarem... Oh valha-nos Deus, o Senhor Lá de Cima.

O trabalho, esse gajo tramado que nos faz levantar da cama "azamboadas" e mal dispostas, continua a ser a "lotes e a potes". Os servidores "espipam-se", não se encontram UPS, atendem-se gajos e gajas chatos como a "putaça", os telefones não param, pedem-nos tudo e até um Diabo a 4... Aghghg, que raiva! OK, valha-nos a Célia lá na Selva, os almoços com Sol à sobremesa, os Abraços e os Mimos Sinceros e a Macaca Isabel que nos leva os pensos higiénicos à WC, enquanto esperamos de "rabo alçado"!

O nosso carro preto fantástico está imundo. Acreditam que não nos lembramos de quando foi a última vez que o gajo levou água e sabão? Cheira a tabaco que tresanda, vemos cinza espalhada por todo e até "bezins" do tabaco da outra, que só reclamava que fumávamos para cima dela e "bla bla bla". Fod*-** para as gajas armadas em esquisitas tal como... Nós somos. Também.

Para ajudar, a mulher a dias pediu-nos em tempos para passar a vir aos Sábados à tarde. Boa. Como somos meninas de bem, anuímos, claro está. Estamos fod****. Toca a acordar cedo e esperar pela moça, que nos vai entrar pela casa logo às duas da tarde. Que lindo. Vale-nos o Verão que se avizinha e as idas para o nosso camping às Sextas-Feiras.

Entretanto, e porque não nos apetece escrever mais "puto", lembrámo-nos de outro gajo estranho. O Antony Hegarty, que daqui a uma semana nos vai conhecer no Coliseu. Se o gajo não for simpático e se o dinheiro dos bilhetes não valer a pena termos perdido tempo em filas de espera na Fnac há já não sei quantos meses... Juramos que lhe mandamos com os ténis à tola. É garantido.

E, sendo assim, mal fod**** e mal humoradas, queremos que tentem ouvir o seu Kiss My Name. Quem sabe não há por aí algum maluco escondido que nos compreenda!

KISS MY NAME
Antony And The Johnsons




Kiss my name
Mama in the afterglow
When the grass is green with grow
And my tears have turned to snow
I am only a child
Born upon a grave
Dancing through the stations
Calling out my name
Kiss my name

Oh kiss my name
I am trying to be sane
I'm trying to kiss my friends
And when broken, make amends
Kiss my name, the curtains white
The turtle doves embroider light
As I lie, murdered in ground
Rain compacting sodden sound
Of songs I sang the years before
Kiss my name
When it was my time to rain
Upon the coal that I became

Would you kiss my name?
Mama kiss my name

E por hoje, deixamo-nos de tretas e dizemos Adeus Aos Senhores.

PUFT! Fomos. Quem sabe... Para Outras Paragens.

Nota da Direcção:
Este foi um dos post que mais "pica" nos deu publicar!

Um Presente Para Ti, Célia!

Foto de Luís Guerra. Intemporal...

Querida Célia,

Aqui, Nesta Nossa Paragem, vim escrever hoje... Somente para Ti.
Porque ambas sabemos e sentimos cá dentro, dentro do Nosso Coração, que um gesto vai valer sempre mais do que mil palavras... Hoje, sim hoje, e porque me apetece muito... Escrevo-te estas palavras singelas que, a partir do momento em que as leres, passarão a ser imediatamente Tuas.
Tenho-Te na minha Vida. Tenho-Te em Mim, porque ambas sabemos que SIM. Tens-Me em Ti, porque ambas queremos assim.
Poderia ser tudo diferente. Melhor hoje, pior amanhã, ideal e extraordinário depois de amanhã mas... É assim. É um Sentir sem igual.
Quando te aconchego em Mim e me encosto em Ti, tudo fica daquela cor violeta, lilás e outras vezes sentimos até que pode ser também uma cor amarelada. Tal como os Teus Girassóis.
Não preciso de mais nada. De manhã, ao acordar, vale tudo a pena. É o saber da tua presença aí, aqui, ali e acolá. Mas é presença sentida e vivida. Partilhada e ouvida. Revelam-se segredos tantas e tantas vezes em silêncio... Só porque é bom. Só porque nos entendemos num simples abraço... Num doce sorriso.
Obrigada, Célia. Obrigada por gostares de mim assim... Incondicionalmente... Tal como sou. Raramente me senti amada assim.
Contigo aprendo todos os dias a amar a Vida, mesmo nos dias cinzentos, mesmo nos dias de chuva... Mesmo quando o Sol se esconde mas que sabemos estar algures.

Quando eu falhar, avisa-me. Quando eu te faltar, reclama e grita bem alto.
Quero-te muito bem. Tu sabes que sim.
Para Ti, somente para Ti, vim Aqui para te dizer que sem ti a minha Vida já não é igual.
Abraço dos Nossos.
PLIM...

3 de maio de 2009

Atrevida e Cheia De Vida.

Foto de Luís Guerra. Oliveira do Hospital, Outubro de 2002.

Atrevida. Tu ainda és assim. Que bom!

Ainda te sinto. Ainda te cheiro. Amo-te exactamente como sempre, como dantes.

Não te demores agora. Continuo a apreciar os teus passos largos que te traziam para casa, sempre que me vinhas desafiar para aquele café que tão bem sabes que gosto de tomar antes do jantar.

O teu Sorriso continua lindo e sincero. É certo que o vento mudou algumas das nossas direcções mas acabamos por nos encontrar... Sempre. Não conseguimos dizer adeus. Mas que raio de palavra é esta? Vamos bani-la, está decidido.

Entre Nós continua a existir este Amor Imenso, tal como o Mar. O Mar que tantas vezes apreciámos juntas enquanto fumávamos cigarros, umas vezes em silêncio, outras tantas a jogar conversa fora como que a falar do almoço que se avizinhava, das gargalhadas da noite anterior, ou então ficávamos ali, simplesmente perdidas entre os beijinhos que eu te dava no pescoço que tão bem me retribuías com aquela "aguinha"salgada e fresca nas costas...

Lembras-te Mãe, de quando caminhávamos suavemente pela praia do nosso camping até àquele pontão especial onde, mais tarde, eu e o Tiago te libertámos? Ainda te lembras do hábito parvo que temos de deitar as alças dos biquinis abaixo, para ajudar a bronzear este nosso colo e peito tão semelhante, onde saltam à vista uma infinidade de sinais, pintas e pintarolas que nunca mais acabam? Na verdade, com as minhas manias dos raios UV e da camada do ozono saturada e bla bla bla, nunca me consigo "dourar" como tu! Também é certo e sabido que a minha pele jamais será tão aveludada e perfumada como a tua, que me aninhava e embalava e me fazia ser assim, tão TUA. Aiii... Que saudades tenho de Ti, Mãe.

Ainda te lembras de como sou melosa, de como gostava de te dar a mão, de te abraçar mesmo quando reclamavas que tinhas calor ou do jantar que ainda estava por terminar e já eram quase oito da noite e o Pai gosta de jantar a essa hora (aquela seca habitual dos horários... olha, sabes, agora não é nada assim e até é ele que me diz: «-Paula, sem stress...»!).

Será que Aí ainda me ouves? Será que ainda és apaixonada pelos meus olhos grandes e pelas pestanas que tanto invejavas, já que os teus olhos são pequeninos? E ainda te lembras que eu tenho o mesmo sinal que tu, no lado esquerdo da cara, sinal esse que nos confere este "jeitinho" especial? Será que ainda te lembras do quanto me fazias Feliz nas manhãs de Natal? Vinhas à rua tomar o pequeno almoço com o Pai, despedias-te dele; Ele que nunca estava connosco, ía para a Costa trabalhar. Depois, voltavas a casa, fazias imenso barulho na cozinha, metida entre tachos e panelas, enquanto assavas a carne (carne que já não como...) e eu acordava tão imensamente feliz por saber que iria ter contigo, pé ante pé, para te abraçar e beijar o pescoço. Lembras-te, Mãe? Depois dessas manhãs, nunca mais conheci qualquer outra sensação que se assemelhe com... FELICIDADE. Esse é o único conceito de Felicidade que conheço.

Nos dias das Mães tinhamos outros almoços. Gostavamos de ir comer picanha e de beber cerveja, de passear e de comprar roupa naquelas lojas malucas, como lhes chamavas, e onde te punhas a "abanar o capecete" enquanto eu me percorria pelos mesmos corredores vezes sem conta. Tenho saudades tuas, Mãe. Tenho saudades do teu corpo, do teu cheiro, do teu abraço e, principalmente, do calor que emanava de ti. Não há ninguém como tu, Mãe.

Obrigada por todas as lições de vida. Obrigada por me teres ensinado a gostar de ouvir o Mar, de andar descalça, de nadar no mar frio, de comer pimentos assados com sardinhas, por me teres ensinado a gostar da chuva e da cor amarela. Obrigada por me teres ensinado que, mesmo que não se saiba uma história de encantar, se devem inventar outras tantas 1001 histórias se uma criança nos pedir. Obrigada por todas as histórias que me contavas quando eu era pequenina, sobre a tua vida na Madeira, quando me revelavas como eras rebelde, dentro daquela farda obrigatória no colégio de Santa Teresinha onde estudaste. Sabes, Mãe, naquela altura, eu não tinha qualquer dificuldade em comer. Eu pedia-te histórias apenas para que ficasses ali, sentada ao pé de mim... Para que eu te pudesse admirar e contemplar, tal como tu fizeste, anos mais tarde, quando eu chegava tarde do trabalho e te sentavas aqui na sala, ao meu lado, e fumavas enquanto eu comia e o Pai dormia sentado no sofá...

Sempre foste uma Mulher Linda... Daí os ciúmes do Pai, que agora tão bem compreendo. Obrigada por todos os ensinamentos e por todo o Amor que me tens. Obrigada por me permitires dar-te a mão à noite, quando tu adormecias rapidamente, sem nunca largares o comando da tv da outra mão!

Oh Mãe, desculpa... Desculpa por nunca te ter agradecido convenientemente pelas mangas que me descascavas de manhã cedo, para que eu comesse fruta depois do almoço. É curioso que nunca foste muito desses cuidados mas, nos últimos anos antes da tua partida, fizeste-o vezes e vezes sem conta...

Obrigada Mãe, por amares os meus Amigos que, ainda hoje, te recordam com alegria e preferem deixar o Pai sozinho na sala, para virem fumar cigarros na cozinha talvez, quem sabe, à espera que entres ali a qualquer instante!

Aposto que tu, Mãe, continuas a gostar de ter muitos biquinis, de preferência com bolinhas, de contar anedotas picantes, de comer pézinhos de coentrada e a orelha do cozido à portuguesa. Aposto que continuas a ser rebelde, que não gostas de chapéus na cabeça e nem de beber água na praia, que insistes em andar descalça, em fazer tudo com as mãos...

Aposto que ainda me amas loucamente, como se não houvesse amanhã. Talvez porque... Não há mesmo amanhã! Por isso viveste tanto e tão intensamente, sem medos desse tal amanhã. Saber que me amas muito torna-me feliz mas não tão forte quanto ambas gostaríamos. Não tem sido fácil, confesso-te.

A minha Vida é diferente, agora.

E, como está este Sol fabuloso, acredito que queiras ir para outras paragens. Por isso mesmo, despeço-me de ti por instantes...

Aqui, Nesta Paragem, vim escrever para ti. Para te lembrar que te amo muito, cada vez mais e mais e mais. E também para te agradecer por me teres ensinado a ser assim... Atrevida. Cheia de Vida. Solta na Vida mas... Tão Tua.

Isabella Taviani, "Atrevida"






26 de abril de 2009

Eu Hei-de Ser das Cerejas...


Foto da Bu'. Costa de Caparica, Agosto de 2008.

Eu Hei-de Ser das Cerejas. A frase enche-me a Alma e está entranhada em mim desde a passada Quarta-Feira, quando a Aldina Duarte cantou e encantou o Grande Auditório da Culturgest.

Ali, sentada no escuro da sala e da noite, senti de tudo um pouco. Revejo-me no Fado, em cada acorde, em cada palavra dita, cantada e sentida. O Fado não é para todos. O Fado não é para qualquer ouvido... O Fado não é para qualquer Coração e muito menos para uma Alma qualquer. Ama-se ou Odeia-se. Não há meio termo e nem cor cinzenta.

Na Quinta-Feira de manhã fui ao Serviço de Sangue do Hospital Amadora-Sintra com o objectivo de me inscrever no Centro de Histocompatibilidade do Sul (http://www.chsul.pt/web/). Senti-me em perfeita Sintonia com o Universo. Andava há um ano para o fazer e eis chegado o momento. Saí de lá hiper feliz comigo, o meu coração queria saltar de dentro de mim tamanha era a alegria e a paz interior que aquele gesto me trouxe. Posso até não vir a ser um dador compatível mas, o que me levou até ali, jamais esquecerei.

Eu Hei-de Ser das Cerejas porque sou diferente. Não posso mudar o Mundo mas gostava de ter poderes para tal, como se fosse uma Fada portadora de uma varinha mágica com o condão de tornar este mundo cruel num mundo melhor... Quero sonhar com isto.

Parei aqui hoje para escrever sobre este meu querer ser das cerejas... Parece confuso mas não é. E sei que quem conhece a minha Essência entenderá. Por isso mesmo, dedico-vos este post por todas as dores, todas as alegrias e todas as penas que partilham comigo. Em particular agradeço à Minha Princesa Bu' por todas as mensagens noctívagas que, mesmo sem saber, me embalam o sono. À Minha Sweety agradeço, mais uma vez, por todos os Abraços e também por teres esse colo fantástico que me acolhe e me recebe, sem ser preciso dizer nada... Nós, tu e eu, sabemos o quanto o silêncio vale ouro.

Um obrigada muito especial também para Ti... Tu que vieste colmatar a ausência de Yellow On My Rainbow. As Conversas continuarão a ser, como sempre e como dantes, tal e qual as Cerejas.

E, aos que se revelam na minha Vida, pelo Bem e até pelo Mal, agradeço por aparecerem e por existirem. Sem vocês eu não seria capaz de distinguir tão claramente o que quero e não quero para mim.

Aqui, nesta Paragem, eu sei que sou uma Princesa. Uma Princesa Prometida. Desta feita, prometida ao... Universo.

Aldina Duarte, "Princesa Prometida"


21 de abril de 2009

Acordar os Leões!

15. Zen Tarot Card - Condicionamento

"A menos que você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta pela sociedade.

Personalidade é conveniência social. A sociedade não pode tolerar a individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha. A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho. As ovelhas estão sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? - apenas os leões andam sós.

Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando, programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente. A sociedade quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade. A sociedade quer escravos porque os interesses estabelecidos querem obediência.

Comentário OSHO:
Esta carta lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão - a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade.

É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito.

Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente - tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você."

Osho One Seed Makes the Whole Earth Green Chapter 4

Cheia de mim, consultei a página do Osho para perguntar ao Universo qual a mensagem que me queria transmitir hoje. Bom... E Aqui parei agora para vos incentivar a:

* Dançar
* Correr
* Mexer
* Falar línguas e linguagens desconhecidas (talvez a dos corpos, a dos amantes não?!...)
* Tudo e mais alguma coisa para que possam...

Soltar os Leões que têm dentro de vocês!

Vou dizer adeus aos Senhores, boa?

Puft! Fui!

19 de abril de 2009

This Is England... Too.

This Is England poster.

http://en.wikipedia.org/wiki/This_Is_England


Foi noite de filme, chás e cafés no Cinema Londres ontem. Há anos mil que não entrava naquela sala de cinema. As cadeiras estão fofas. "Recostei-me", pus-me confortável.

A sala estava equilibrada. Ouviram-se suspiros, alguém tossia aqui e ali. Outros, "remexiam-se" nas cadeiras. Em determinada altura, sentimos alguma tensão. Prendemo-nos ao écran, mal se respirava... Sentimos o mesmo, na mesma onda e com a mesma intensidade. Nada que palavras soltas e ternas ditas baixinho ao ouvido não nos serenasse o espírito já suficientemente inquieto. Nada que não fosse passar a seguir, é certo.

Saímos para a rua e chovia de novo. Usámos a tal umbrella prateada, quem sabe (mais uma vez) para "dar nas vistas"! Trocaram-se ideias, opiniões. Tentou-se interiorizar algo, divagou-se algures.

Rumámos para o queijo e outras bebibas. Jogou-se conversa fora. Seguiram-me mais ideias, partilharam-se outras tantas experiências, enquanto fomos lendo a agenda do IndieLisboa e me mostravas as tais wild and recent England's photo. Thank you, once again!

Moral da "Estória": Pensar é bom, raciocinar é ainda melhor. Partilhar então é... Extraordinário.

E hoje parei Aqui, nesta minha Paragem, apenas para... Partilhar. Deixo-vos com os The Smiths.

Please, Please, Please Let Me Get What I Want

(Composição: Johnny Marr/Morrissey)

Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time

Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man
Turn bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time.


12 de abril de 2009

Pascoelices.

Foto de Célia Pinto. Costa da Caparica, 4 de Abril de 2009

Pascoelices. A palavra é toda minha e refere-se à Páscoa.

E assim se passou mais uma festividade. Outra daquelas que dispenso. Valha-nos o Pão de Ló do Scala (e ter nanado muitooooo!) porque até as amêndoas e os ovos de chocolate me soam a "falsos" visto que têm sabor a plástico. Olhem, cenas de gaja... Pascoelices minhas, que valem o que valem!

Há muito que deixei de fazer planos. Quer dizer, ainda construo castelos de areia na praia :) e também sonho imenso com as 1001 palavras que gostaria de dizer ao "Lovezinho de Jasmim" mas, como até os lovezinhos já são diferentes... Que é o mesmo que dizer que não estão "p'raqui" virados... Avancemos, Camaradas, avancemos!

Planeei sair daqui mas a Vila do Mato ficou-se pelo ensejo de... Lá voltar, pois então. Não tinha de ser. Prefiro pensar assim! Descansou-se bastante por estes lados, "cinemou-se" a "potes e a lotes" à moda da minha Sweety e, por falar nisso, do Crato chegaram boas novas. Vamos ter vinho do bom! Uiii... Estou ansiosa pela entrega e mais! Estou "ansiosisssssima" por bebê-lo, ah pois é! E houve Tatianices por aqui também. Aliás, nota-se bem, a ver pela nova roupagem que esta Paragem adquiriu. Repararam?...

Besides this, I had good news from England's Moonlight and I can't wait to see my postcards broughted by Miss D. :) I'm still waiting for you Smart Girl ;-)

Uma nova semana se avizinha e, talvez por isso mesmo, parei Aqui hoje somente para vos deixar uma mensagem singela...

SEGUIR EM FRENTE. Afinal, ninguém manda mais do que Nós Próprios.

Aqui, nesta Paragem, devidamente upgraded by Bu, mando Eu, uma das Gatas Extraordinárias da Cássia!

Cássia Eller, Gatas Extraordinárias
(Composição de Caetano Veloso)

O amor me pegou
E eu não descanso enquanto não pegar
Aquela criatura
Saio na noite à procura
O batidão do meu coração na pista escura
Se pego, ui...Me entrego e fui
Será que ela quererá
Será que ela quer
Será que meu sonho influi
Será que meu plano é bom
Será que é no tom
Será que ele se conclui
E as gatas extraordinárias que
Andam nos meios onde ela flui
Será que ela evolui
Será que ela evolui
E se ela evoluir, será que isso me inclui
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar essa criatura
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar

8 de abril de 2009

Entre Corações e Palavras.




Sabes, Princesa... Existem Coisas Só Nossas.


Desculpa-me a ousadia e o abuso mas...

Tenho que te partilhar com o Mundo. Mundo este que se torna pequeno demais para Almas Singelas como... Nós.




A foto é minha. Lembras-te? Costa da Caparica, Agosto de 2008.

A Banda Sonora fica a cargo do DJ Santiago que também tem um Dom. O Dom de Ser.


A Bela e O Monstro (Era Uma Vez)
http://www.youtube.com/watch?v=VUGwxRnozUM&feature=related


«Eu gritei e chorei a noite inteira. Gritei até ficar rouca e chorei até os meus olhos incharem.
Ninguém me ouviu gritar, ninguém me viu chorar. Então eu tentei novamente, só que desta vez gritei em silêncio e chorei sem derramar uma lágrima. Só assim fui ouvida.

O silêncio foi o grito mais forte que poderia ter dado! Não derramei nenhuma lágrima porque não havia mais o que derramar. O grito transformou-se em dor. A dor que eu senti. A dor que não sinto mais ! Tudo, porque houve uma esperança que prevaleceu. Essa esperança trouxe tudo o que tinha perdido em tempos. Voltei a sorrir e a pensar que valia a pena viver... Nem que fosse só por uma pessoa, só por aquela pessoa.

[…]

Ouvi um barulho.
Espreitei.
Eram as ondas a bater contra as rochas.
Sussurrei-lhes ao ouvido se me sabiam indicar o caminho para a felicidade.
Elas, junto com a brisa do mar, foram ter aos teus pés.

~ . Chega ao pé de mim e conta-me (ao ouvido) aquela bonita história de Amor. A que pode ser a Nossa!»

Publicado por Tatianinha @ Sábado, Junho 07, 2008
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7 de abril de 2009

Sob Medida.


Foto de Paula Santos. Costa da Caparica, 20 de Janeiro de 2009.

Sob Medida

Se você crê em Deus
Erga as mãos para os céus
E agradeça
Quando me cobiçou
Sem querer acertou
Na cabeça
Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea
Seu par, sua irmã
Eu sou seu incesto (seu jeito, seu gesto)
Sou perfeita porque
Igualzinha a você
Eu não presto
Eu não presto

Traiçoeira e vulgar
Sou sem nome e sem lar
Sou aquela
Eu sou filha da rua
Eu sou cria da sua
Costela
Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus

Se você crê em Deus
Encaminhe pros céus
Uma prece
E agradeça ao Senhor
Você tem o amor
Que merece...

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Quando se sente a Morte de perto, como me aconteceu há precisamente três anos e cinco meses, passamos a ter vontade de dizer e de fazer tudo aquilo que jamais ousámos dizer e/ou fazer. É um estado de Ser e de Sentir. Por isso mesmo...

Sou Solta na Vida... Sem Nome e Sem Lar. Coisas Minhas, Só Minhas.

Ouçam "Sob Medida" de Chico Buarque... Aqui, Nesta Paragem, na voz única da Isabella Taviani, a "Minha" Isabella...

Isabella Taviani, Sob Medida




5 de abril de 2009

Oiça Lá, Ó Sr. Vinho!

Foto de Carlos Monteiro. Lisboa, ViniPortugal, 4 de Abril de 2009

«-Hi Sweety... Não resisti a colocar esta nossa picture tão giraaa, sei lá! Qualquer dia, "agarram" em nós e metem-nos a circular na net! Uiiii!...»

Cada Momento Nosso é simplesmente... Uno. One and Only. We know :-)

Beeemmm... Não há palavras! E foi assim que se passou mais uma bela tarde de Sábado, desta feita a provar vinhos da Estremadura, do Douro e, claro... Do Alentejoooo!

«-"Bora lá" criar um Clube de Fãs e "desgrenhar" os cabelos cada vez que se fala de vinho alentejano???»

Entre cheiros e sabores, risos e gargalhadas bem altas, pistáchios, fotografias, cigarros, piadas soltas e outras loucas, pinturas rupestres («-Oh Casal Maravilha, vocês acreditam que o raio do boneco que o Menino C. me desenhou na mão esquerda ainda não saiu por completo?!...») e até com "arpões" à mistura... Lá conseguimos terminar a nossa 3.ª Prova de Vinhos na ViniPortugal (http://www.viniportugal.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=29&Itemid=44), no sábado passado.

Sobre o que lá se passou não vale a pena escrever "mai" nada. Quase que nos convidaram a sair... É a mais pura das verdades. (Porque terá sido, valha-nos Deus?!...)

Bom, e já chega de "postagens". Dormi hiper bem estas noites, pedalei hoje de manhã e fui ver o Mar toda a santa tarde, de lilás e sempre muito bem acompanhada, ah pois é... Porque esta coisa de ser assim, gira e tal, tem muito que se lhe diga! Oooppsss! "Vizinhinces", deixem lá! (Bolas, estou quase a dormir sentada... Já só penso na minha cama gigante.)

Por hoje fico-me... Nesta Paragem. FUI!

Amália Rodrigues - Oiça Lá, Ó Senhor Vinho

Oiça lá ó senhor vinho,
vai responder-me, mas com franqueza:
porque é que tira toda a firmeza
a quem encontra no seu caminho?

Lá por beber um copinho a mais
até pessoas pacatas,
amigo vinho, em desalinho
vossa mercê faz andar de gatas!

É mau procedimento
e há intenção naquilo que faz.
Entra-se em desequilíbrio,
não há equilíbrio que seja capaz.

As leis da Física falham
e a vertical de qualquer lugar
oscila sem se deter
e deixa de ser perpendicular.

"Eu já fui", responde o vinho,
"A folha solta a bailar ao vento,
fui raio de sol no firmamento
que trouxe à uva, doce carinho.

Ainda guardo o calor do sol
e assim eu até dou vida,
aumento o valor seja de quem for
na boa conta, peso e medida.

E só faço mal a quem
me julga ninguém
e faz pouco de mim.
Quem me trata como água
é ofensa, pago-a!
Eu cá sou assim."

Vossa mercê tem razão
e é ingratidão
falar mal do vinho.
E a provar o que digo
vamos, meu amigo,
a mais um copinho!


Amália Rodrigues, Oiça Lá, Ó Sr. Vinho!
(http://www.youtube.com/watch?v=dAIVNZS1O_0
)

A Saúde em Portugal é...

Surreal!

Quase sem querer, rimei.

O Ministério da Saúde português disponibiliza um serviço que se intitula de: Saúde 24 (http://www.saude24.pt/PresentationLayer/home_00.aspx). Para aqueles que lhe recorrem, ficam já a saber que:

- São colocadas várias questões básicas ao utente/paciente "adoentado";
- Dependendo da análise das respostas dadas, é enviado um fax detalhado (e com carácter de confidencial) para um hospital público (o da área de residência) que indica, entre outras coisas, a gravidade da situação e a necessidade do dito utente/paciente ser assistido com carácter de urgência;
- O dito paciente deve pois dirigir-se a esse hospital onde, SUPOSTAMENTE, deve ser atendido... RAPIDAMENTE;
- Depois de preparada a ficha de contacto, do pagamento de aproximadamente 10€ (:-|) o paciente terá de aguardar pela chamada para a triagem.

É é aqui, neste preciso momento, que começa saga, bem ao nosso "jeito tuga". A um paciente com dores fortes no peito há várias horas é atribuída uma senha verde que representa, nada mais nada menos, do que... 3,5h de espera! Acham normal? Não, pois não? Ou serei eu que sou louca e estou a " ver coisas"???

Entre a decisão natural do ficar ali, do voltar para casa sem saber mais nada ou de rumar para um hospital particular... Há que "tê-los", os tomates, no lugar e decidir por ir para as urgência de um hospital particular.

Bom, isto são apenas "raivices" minhas, obviamente. Valem o que valem. Contudo, e porque dentro de mim ainda existe uma esperança vã de que o Mundo pode vir a mundar... Por mais romântico que este sentimento seja... Decidi parar nesta Paragem agora, apenas para deixar escrito que a saúde em Portugal é algo de surreal mesmo.

É algo que nos revolve as entranhas, que nos enoja e nos fundamenta ainda mais o ensejo de partir...
Partir para outras Paragens, de mochila às costas, roupas de linho largas e chinelos no pé. Não há c* que aguente este País do 4.º Mundo.

SOCOOOOOOOORRRRRROOOOOOOO!

I Need Another World!


Antony and The Johnsons, Another World



2 de abril de 2009

Outros Sons Enchem o Espaço...

Foto de Paula Santos. Costa da Caparica, Agosto de 2008

Mas porque será que... Me Deixas Louca?

"Quando caminho pela rua lado a lado com você
Me deixas louca
E quando escuto o som alegre do teu riso
Que me dá tanta alegria
Me deixas louca

Me deixas louca quando vejo mais um dia
Pouco a pouco entardecer
E chega a hora de ir pro quarto escutar
As coisas lindas que começas a dizer
Me deixas louca

Quando me pedes por favor que nossa lâmpada se apague
Me deixas louca
Quando transmites o calor de tuas mãos
Pro meu corpo que te espera
Me deixas louca

E quando sinto que teus braços se cruzaram em minhas costas
Desaparecem as palavras
Outros sons enchem o espaço
Você me abraça, a noite passa
E me deixas louca..."

Elis Regina, Me Deixas Louca



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E, como quem manda aqui sou eu, repito: Mas porque será que... Me Deixas Louca?

Por hoje fico-me... Nesta Minha Paragem. Cerebral? Visceral? Ou será mesmo... Emocional?

Vá... Vou dizer adeus aos Senhores... Adeussssssss!

"Puft"! Fui!

1 de abril de 2009

A Rebelde.

«As pessoas têm muito medo daqueles que conhecem a si mesmos. Estes têm um certo poder, uma certa aura e um certo magnetismo, um carisma capaz de libertar os jovens, ainda cheios de vida, do aprisionamento tradicional... O homem iluminado não pode ser escravizado - este é o problema - e não pode ser feito prisioneiro... Todo génio que tenha conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido: ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.

O homem iluminado é o maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma nação.

Osho The Zen Manifesto: Freedom from Oneself Chapter 9

Comentário Osho:

A figura de poder e autoridade desta carta é, visivelmente, de alguém que é senhor do seu próprio destino. Em seu ombro, há uma representação do sol, e a tocha que ele segura na mão direita simboliza a luz da sua própria verdade, arduamente conquistada. Rico ou pobre, o Rebelde é de fato um imperador, porque quebrou as correntes do condicionamento repressivo e das opiniões da sociedade. Ele deu forma a si mesmo abraçando todas as cores do arco-íris, aflorando das raízes obscuras e amorfas de seu passado inconsciente, e criando asas para voar para o céu. A sua própria maneira de ser é rebelde -- não porque esteja lutando contra alguém ou contra qualquer coisa, mas porque ele descobriu a sua própria natureza verdadeira e está determinado a viver de acordo com ela. A águia é o animal com o qual se afina espiritualmente, um mensageiro entre a terra e o céu.

O Rebelde nos desafia a ser suficientemente corajosos para assumir responsabilidade por quem somos, e para viver a nossa verdade.»

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Sou Rebelde... Coisas Minhas.


E hoje fico-me por aqui, nesta Paragem. Lilás, quem sabe?

Djavan, "Lilás"



30 de março de 2009

The Reader.


"Hollywoodices".
Não escondo o meu profundo descontentamento sobre quase tudo que nos chega da América. Daqui vem do pior a... Coisinhas melhores. Os americanos têm essa capacidade de fazer nascer o mau e o bom. Já disse várias vezes, e volto a afirmar, que não tenho vontade nenhuma de ver o filme vencedor do Óscar em 2008, Slumdog Millionaire (http://en.wikipedia.org/wiki/Slumdog_Millionaire). Não duvido que possua atributos e argumento capazes para ter merecido ganhar tal prémio. Já li até que a banda sonora vale por tudo o resto, o que me deixa (apenas) tentada a comprar o CD, como apreciadora de todo o tipo de música que sou. Mas valha-nos Deus! Continuam eles a querer "bater no ceguinho", contando histórinhas de embalar... Mas embalar quem, digam-me? São temas batidos, gastos. Perde-se o romance e a beleza de singelas histórias de amor no meio de tanta pobreza. E, no fundo, para quê? O coitadinho do menino que sonha ganhar dinheiro fácil, concorrendo a um concurso apenas para prender a atenção da sua amada... Não há "pachorra". E, como quem manda aqui sou eu, ficam já a saber que, se eu mandasse por lá, as "hollywoodices" seriam outras.

Fui ver o The Reader (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Reader_(film) no domingo, ao final do dia. Ainda estou a pensar no filme, na sua história. No tanto que fica por ali, perdido no ar, em qualquer sala de cinema. Trata-se de um filme inquietante, onde o Amor é retratado de formas distintas mas que se consegue sentir. Respira-se um Amor e um Romance que podem acontecer a qualquer momento, a qualquer pessoa, mesmo com aqueles que, por motivos vários, participaram em acontecimentos atrozes que marcaram a Humanidade, como foi a Segunda Guerra Mundial onde ocorreu, por exemplo, a evacuação do campo de Auschwitz.

Estive sempre muito atenta a tudo mas voltarei, com certeza, a uma sala de cinema para ver de novo este filme. Mudei de posição na cadeira vezes e vezes sem conta. Quase sem saber, fui transportada para Berlim. Berlim dos anos 50, 60, 70 e, finalmente até ao ano de 1995... Recordei obras literárias como a Odisséia, de Homero, A Dama do Cachorrinho, de Anton Checkhov e Huckleberry Finn... Enquanto Nico Muhly nos embala suavemente com a sua música (http://www.youtube.com/watch?v=Rdc2BYdVhTg).

Polémico ou não, simples ou complexo, inquietante ou não... Acreditem, vale a pena ver este filme, baseado no romance Der Vorleser de 1995, escrito pelo alemão Bernhard Schlink.

P.S. Curiosamente, acabei por descobrir também que Nico Muhly participou recentemente no trabalho The Crying Light (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Crying_Light) do Antony and The Johnsons, com quem estarei no Coliseu de Lisboa em Maio ;-)

28 de março de 2009

Vamos ver quem é que aguenta... O Silêncio.

Foto de Paula Santos. Lisboa, Outubro de 2008

A semana avançou rapidamente. As noites foram curtas. O sono cada vez menos. Vale-nos o facto de a dor de garganta e a rouquidão terem atenuado. Andamos ansiosos, talvez. Tudo acontece num "piscar de olhos". É complicado gerir tudo, e tão pouco, assim. Mas continuamos a tentar, a tentar. Chegaremos lá?

A cama parece imensa. Todas as noites fechamos os estores até ao fim na esperança de que, quem sabe, possas aparecer... Surgir do nada, talvez do meio deste Silêncio que "desceu" em nós. Sabemos bem que preferes dormir assim, completamente no escuro. Mas, mesmo no escuro, enxergávamos-te. Nem sempre precisamos de olhar com os olhos. Poderíamos tocar-te, apenas. Poderíamos até... Nem te tocar.

As memórias continuam cá. Estão em quase todo o lado. O sofá e o comando da TV ainda te esperam. A mesa da sala continua posta, sempre com dois lugares a mais. Um dos que está a mais pertence-te. É aquele que fica do nosso lado direito. Mas já não existem manchas de vinho nem de chá desse lado. Não avistamos sequer "bezins" nem pedaços de cinza de cigarro. Não existem canetas nem papéis espalhados na mesa, antes do jantar. As taças do chá também estão ali, junto dos copos altos. O Silêncio está por aí e vive por aqui também. Por vezes, a Solidão insiste em querer "aparecer". É duro resistir-lhe, "fazer-lhe frente" com veemência e determinação. Ainda hoje é assim.

Na quinta-feira jantámos com Amigos e Gatos. Foi noite de teatro. Revivemos Happy Hour (http://teatrotrindade.inatel.pt/happyhour.html). Foi outro Momento. Ficámos serenamente sentados e cruzámos as pernas por instantes. Assistimos à peça ali, com tudo a acontecer bem à nossa frente, tal como da primeira vez. Facilmente nos vimos naqueles dois seres que amam desesperadamente mas que não conseguem fazer valer aquele sentimento maior... O Amor. Porque o Silêncio e o Medo de Amar e de se Ser venceram.

Foi quase tudo igual. As lágrimas queriam saltar. Podíamos "vestir" qualquer uma daquelas personagens. As emoções fluíam... Colocámos a cara junto dos braços tensos, ali dobrados em cima daquela mesa. Somos assim. Ficámos a pensar naquele "tudo" que acontecia ali. Sentimos de novo aquela certeza. Certeza(s) de quem consegue ter a capacidade de amar tranquilamente. Ambicionamos isso... Tranquilidade versus Liberdade.

Sentimos tudo, quase tudo, como da primeira vez. Porém, faltavas tu. Ninguém se movia. Ninguém falava. Sentíamos um nó na garganta. Faltou-nos aquela mão pequena, macia mas tão segura. A tua mão! Uma mão que não consegue chegar até nós. Tentámos aguentar o Silêncio… Mais uma vez.

Silêncio! Silêncio! Quem é que aguenta? Beijamos-te ou não?

Silêncio! Silêncio! Quem é que aguenta? Beijamos-te ou não?

Beija-nos… Ainda que seja... Em Silêncio.

Debussy, Clair de Lune



25 de março de 2009

A Certeza da Eterna Presença.

Foto de Paula Santos, Cascais, 2007

Olá Mãe... Escrevo-te para que saibas que te sinto sempre maneiras diferentes...

Há dias assim.

Acordei "azamboada" na segunda-feira. Ainda te lembras que como sou um verdadeiro "terror" às segundas-feiras?! Bolas, mexi-me e remexi-me na cama. Dei voltas e mais voltas. Pensei que nem sequer a luz do dia queria ver, quanto mais pensar em sentir o calor do Sol. Alguém me escreveu: <<-Não deixes que a tua Chama se apague...>>. Levantei-me de imediato. Em menos tempo do que é normal saí para rua decidida a fazer do meu dia um dia melhor. Se o pudesse partilhar, excelente! "Perdi-me" várias vezes em pensamentos e ideias mas "voltei" sempre... A mim.

Pensei no "desamor". Pensei na Pessoa Amada muitas vezes, com ternura e saudade. Saudade daquela que nos liberta. Sabes, Pessoa Amada, desejei abraçar-te. Abraçar-te apenas para, quem sabe, acalmar esta dor no meu peito... Quem sabe para apaziguar este âmago. Para me sentir melhor. Comigo. Cá dentro. Gosto de ti, naturalmente. Tu sabes que sim. Dói-me, é certo. Não te nego. E isto tu também sabes. O que talvez não saibas é que gostar de ti me faz também sentir VIVA. Consciente de MIM.

Assim do nada, de repente, lembrei-me da minha Mãe. E, tal como já me acontecera antes, segui o instinto e, no instante a seguir, estava a fazer a coisa certa, no momento certo. A tal questão da Serendipity. Ainda te recordas do que te escrevi na porta do frigorífico?... Pois é, Cor Colorida. Aquele era o Momento. E lá fui eu abraçar-te, naturalmente. Tão naturalmente quanto o gostar de Ti. Tão naturalmente como a minha forma de aceitar tudo o que a Vida me traz e me tira. Tão naturalmente como te querer bem.

Apertei-te doucement... Sentiste? Balouçámos suavemente. Perguntei-te baixinho:<<- Estás bem?>>. Sussurrei para dentro de mim: <<-Que saudades tinha eu de te ter nos meus braços... Que vontade de te proteger... Que saudades de te sentir no meu colo...>>. Mexi-te no nariz. Manias. Apeteceu-me ainda mais beijar-te ali, logo ali. Não beijar de beijar. Beijar de sentir. Entendes-me? Não, provavelmente não.

Mas não precisei de o fazer. Porquê? Questionas-te agora: <<-Porque será que ela não precisou de me beijar???>>... Respondo-te eu: está gravado cá dentro como é beijar-te, como é ter o calor da tua boca, como é sentir a textura dos teus lábios, como é contemplar esses dentes perfeitos que tantas vezes me morderam o pescoço... Sei exactamente como é beijar-te. Basta-me, aqui e agora, experimentar fechar os olhos e beijo-te... Naturalmente.

Jamais esquecerei a noite em que me beijaste pela primeira vez. Jamais esquecerei o teu primeiro beijo. O primeiro de poucos, é verdade... Jamais esquecerei que me disseste baixinho: <<-Calma...>>. De seguida, tocaste delicadamente no meu colo e voltaste a sussurrar: <<-Sente, apenas sente>>.

Estás a ver, Mãe? Falei-te do Amor. Vês o que acontece comigo sempre que te sinto? Sempre que me "cutucas" e me fazes seguir em frente sem reservas, sem medos nem qualquer pudor? Acima de tudo, agradeço-te por me teres ajudado a serenar a alma. Eu estava tão sem rumo... Tão angustiada. Tu sabes. Tu sentiste. Foi e será sempre assim, não é? Estás em Mim. E assim se explica o porquê de me teres levado a querer aquele abraço e a desejar ardentemente que aquela pessoa em particular me abraçasse também. Assim aconteceu. Senti-me uma Menina Grande, a Tua Menina. Aquela que sempre admiraste e que, ainda hoje, amas incondicionalmente.

Há noites assim.

Cheguei a casa, depois de mais um longo dia. Pus a conversa em dia com o Di, tinha que ser! Pedalei na bicicleta até não aguentar mais. Fiz pranchas e flexões. Entrei no banho. Saí do banho e limpei-me. Saltitei até ao quarto porque já não me lembrava onde tinha deixado os chinelos. Sou apenas distraída, como diz a nossa Princesa Tatiana.

Cantarolei baixinho qualquer coisa, em jeito de dueto com o Camané, que havia tomado banho comigo. De seguida, alcancei o telemóvel. Do outro lado estava a Célia. E, tal como eu e tu fazemos todas as noites, trocámos beijinhos doces e votos de bom sono.

Sabes Mãe, acabei por confessar à Célia este nosso segredo... O dos beijinhos de boa noite, na testa e no nariz... Ainda hoje aguardo ansiosamente por esse momento quando, ao cair da noite, me vens beijar, mimar e afagar este meu cabelo farto. Sempre que vens, sinto-me "Dona deste Mundo e do Outro". Sinto o meu Porto Seguro bem amarrado. Sinto-me verdadeiramente enraizada.

Pois é Mãe... Tu és assim. Mas não te posso querer só para mim. Sempre foste um Espírito Solto. Sempre serás uma Mulher do Mundo e, claro, ninguém pertence a ninguém.

Tu, Célia... Iluminas os meus dias. Estás aqui. Naquele Lugar, onde só entra quem tem cópia da Chave Original. Eu sei que tu sabes o quanto me tornaste forte e maior, apenas por me dares dois beijinhos de boa noite... Obrigada, Sweety. "Nanei" bem, tal como me pediste. Sou muito bem mandada. Quer dizer, tenho dias...

Provavelmente, não conseguirei abraçar a Pessoa Amada todas as vezes que este meu Coração Inquieto me pedir. Porém, e porque neste Imenso Universo a Lei do Retorno existe, sou abraçada todos os dias por ti, Mãe e também por ti, Célia.

E porque existem dias e noites assim... Esta foi, apenas, uma forma que arranjei para vos falar de mim.

SINCRONICIDADE<-->UNIVERSO<-->LEI DO RETORNO


Nouvelle Vague, In a Manner of Speaking

(http://www.youtube.com/watch?v=0ZilC3ldN84&feature=related)