22 de março de 2009

Instantes Depois.

De alguma ausência...

Foto de Luís Guerra, Outubro de 2002 (Vendas de Gavinhos, Oliveira do Hospital)

Por motivos diversos, ausentei-me. Porém e, como escrever me faz sentir bem e ainda mais importante, regresso às actividades "bloguistas" hoje e, desta vez, apresento-vos em traços largos o que têm sido estas duas semanas alucinadas. Prometo não me alongar muito, até porque a hora avançada não me permite, depois porque o cinzeiro está quase cheio e, por fim, o meu copo de vinho tinto Marquês de Borba está praticamente vazio. Assim sendo, começo por falar de...

Amizades.
Mr. Santiago fez 29 aninhos. A prenda surpresa foi uma tarde bem passada na companhia de uma Grande Estrela. A Sô Dona Estrela, Amiga e Funcionária da Sô Dona Amália Rodrigues. Levei o Santiago a visitar a Casa Museu da Amália. Para os amantes do Fado, é algo que recomendo vivamente. Mas não posso exprimir o que senti na integra. Desde os calores logo à entrada da Casa, à emoção, à presença constante daquela Grande Senhora do Fado e do Mundo ali, naquele que era o seu Mundo, a sua Casa, a sua Vida. Havemos de lá voltar. De seguida, rumámos para a Praça das Flores e fomos "esplanar". Bebemos uns martinis, fumámos cigarros e conversamos horas a fio. O jantar aguardava-nos, lá na outra banda. Levei-o a jantar ao Barbas. As entradas estavam fenomenais e o vinho então, do melhor (aconselhado por um de vários empregados que não largam a minha mesa, sempre que lá vou... é assim desde os meus 5 anos) . Foram duas garrafas para acompanhar a Ceia. Ficámos por ali. Recebi flores do meu Pai Vasques, que fez questão de marcar convenientemente o Dia da Mulher que se avizinhava. Conversámos e rimos horrores com o Sr. Ramos, vulgo Barbas, e com o Jorge Máximo, o taxista que, se me permitem a redundância, é o Máximo. Santiago ficou-se pelo último whisky e demos mais umas quantas gargalhadas com o discurso daqueles dois personagens saídos da CATEDRAL BENFICA. Só quem priva com eles entende estas minhas palavras. E nem sempre o que se vê e ouve na TV corresponde à realidade. São ambos dois Senhores. Dois Seres Únicos! De tal forma que, se não fossem os nossos ténis, tinha-mo-los acompanhado até à discoteca Ondeando, passo a publicidade, atenção. Fumamos mais uns cigarros, sentimos a maresia e voltámos para a Aldeia...

Amizades II.
Estive com a Sara várias vezes durante estas duas últimas semanas. Gosto ainda mais dela hoje, do que já gostava ontem. E ela sabe bem porquê. Obrigada, Sara, pelas tuas palavras amigas, pelos sorrisos e pelos abraços que me dás. Obrigada por me respeitares, por me ouvires e, acima de tudo, por quereres o melhor para mim. Ouço-te com atenção e sinto a verdade nesses olhos verdes tão sinceros.

Amizades III.
A Hiper-Mega-Única Isabel tem estado quase todos os dias comigo no gabinete. Não nos conseguimos orientar com as inúmeras tarefas conjuntas que temos por concluir mas chegaremos lá. E porquê? Porque sim! Obrigada, Isabel, pelos beijinhos à despedida, pelos olhares amigos e por me ouvires também.

Amizades como a da Minha Sweety.
Palavras para quê? Continuas a dar-me a mão e o colo, como ninguém. Obrigada por me levares a "comer" Sol à sobremesa. São menos uns quilinhos e faz-nos bem a ambas. Mesmo quando te enganas nas datas das provas dos vinhos e vamos para a ViniPortugal no fim-de-semana, a pensar que teremos néctar dos deuses alentejano... Mas até nesse Sábado havia Sol e pudemos passear no Terreiro do Paço e depois até ao metro do Chiado. Esqueçamos pois a desgraça daquele jogo de futebol, em que saímos ambas da Catedral com o "cabeção empinado", com aquele resultado "mer****" com o Guimarães. Valeu-nos a tua Cataplana de Peixes e Mariscos. E sem mais comentários sobre este assunto, pois já me cresce água na boca, chegamos a Domingo passado. A Sweety e o seu Big Boy levaram a Menina aqui a ver a Selecção Nacional de Rugby jogar com os "espanholitos" no Estádio Universitário. Boa! Valeu-nos a garra daqueles moços musculados, ali a defenderem a Pátria e a Bandeira Portuguesa, como em mais nenhum desporto se vê. Valha-nos isso, porque se pensarmos no futebol da actualidade... É de fugir, correcto? Thank you Sweety, pelo fim-de-semana excelente que nos proporcionaste.

Amores versus "Desamores".
Que é como quem diz, mais pró "desamor". Bom, tem sido um "osso duro de roer". Estou a "curtir uma onda" menos boa, é verdade. Apaixonei-me de novo pela pessoa errada! Foi assim, sem rede... Again. Mas Aqui estou. Sei que estás por aí, seu "Sentimento Macaco", vulgo Amor... Sei que gostas de brincar às escondidas comigo. Mas, também sei que te vais revelar a qualquer momento e me vais mostrar que também eu serei compensada. Não ter o amor, o carinho e a atenção da Pessoa Amada é "fo****", por isso aprendi o quão importante é racionalizar. Se não é bom para nós, se não nos faz bem... Adeus. Já não é Amor. Dói, ah pois dói! Então, se dói assim, não quero. Volto para dentro de mim! Quero encontrar de novo a minha Chama Imensa, primeiro para me aquecer e depois... Depois, quero AMAR DE NOVO ASSIM! Com garra e fervor! Sou EU! Existo! Quero tudo a que tenho direito e ainda mais... Quero mais um par de botas, também. AllStar ou umas outras de cor berrante, como aquelas minhas botas amarelas deliciosas!

Descobertas ou Re-Descobertas?
Re-Descobri um Ser Especial que, para além da sua formação na área de Informática, escreve uns livros sobre a Morte e a Vida. Eu e a Isabel fomos assistir às Conversas da ... (não digo de onde senão a Sweety enerva-se e vá-se lá saber o que esta Mulher é capaz de fazer!), desta vez sobre a 2.ª Edição de um livro que recomendo como leitura "obrigatória", "O Desafio da Morte", que nos fala, acima de tudo, de Vida. Como podemos aprender a estar nesta Vida, sabendo que dela também faz parte a Morte. Sem qualquer pretensão de ser doutrinal, trata-se de um livro intimista, de fácil leitura e que tem uma capa fabulosa. É azul... E não escrevo mais nada. Leiam. Vão apreciar. Obrigada ao "Tal Ser Especial" pelo Momento. Pela Partilha. Por Ser Como É... Assim, Tão Genuíno.

Dia do Pai.
Mais uma daquelas datas comerciais... Para mim, claro. Mas cumpri bem o meu papel e fiz do dia do meu Pai um dia melhor. Ofereci-lhe palavras. Palavras minhas, honestas e profundas. Ele apreciou-as tanto quanto o livro "Sinfonia para os Cinco Violinos". Este "livrito" versa sobre aqueles que foram uns grandes senhores no mundo do futebol "esverdeado" mas, principalmente, do futebol português. Sou do Glorioso Benfica, como sabem, mas admiro o futebol em geral, como desporto entusiasmante que é, que move pessoas, paixões, ergue bandeiras e que nos faz sofrer! Por isso mesmo, fiquei satisfeita por perceber que o meu Pai adorou a lembrança singela que lhe ofereci nesta ocasião, não por frete atenção, mas por saber que ele gosta de mimos. Tal como a Filha dele. E quem não gosta?

Morte. Momentos.
Esta semana partiu Daqui o Avô Beto. O Avô de um dos meus Afilhados. Têm sido dias duros para mim. Estou mais frágil. Mais sensível. Meio perdida em pensamentos. Tenho sentido tudo, chorado muito mas também ri. A mim coube-me a tarefa de ir buscar o Di à escola na Sexta-Feira à tarde. Abraçou-me, pediu-me para carregar a sua mochila. Perguntou-me se tinha ido ao funeral do Avô. Descemos a rua a comer cada um o seu corneto, demos uns pontapés numa bola qualquer. Não houve perguntas. Houve sim, troca de palavras simples, apenas porque aquele Miúdo é tão... Meu. Falei-lhe de como sinto a minha Mãe Judite presente, mesmo não podendo vê-la, senti-la, tocá-la e não podendo sequer cheirar-lhe o pescoço. Ele ouviu-me com atenção. Sabe que eu sou assim... Diferente. Diferente da maior parte das pessoas que cruzaram o Caminho dele. E adora-me porque eu sinto-o cá dentro. Os meus Sábados sem o Di já não são os mesmos... Sem aquele frenesim de acordar cedo para o receber, para estar com ele, para irmos ler o Expresso no café, sem os nossos almoços, sem os nossos passeios antes de o ir levar aos Escuteiros... Este Miúdo eleva-me. Faz-me sentir tão amada, tão querida. Este Miúdo faz-me sentir Viva.

Promessa.
Prometo não me ausentar tanto tempo. Faz-me tanta falta escrever... Estou bem melhor agora, depois de sentir que fiz o que devia fazer, no momento certo. E garanto-vos que esta sensação boa se deve apenas à escrita e não... Ao Marquês de Borba.

Fiquem bem. Boa semana. Estaremos juntos... Soon.

Yes, "Soon" (http://www.youtube.com/watch?v=WybjHMUTFhM)

6 de março de 2009

As Cegonhas Anunciam Visitantes.


Foto de Luís Guerra, Outubro de 2002 (Vendas de Gavinhos, Oliveira do Hospital)

Poesia "Fengshuista"

“Passada a porta do jardim há um caminho, e o caminho deve ser sinuoso. Na volta do caminho há uma cerca e a cerca deve ser pequena. Por detrás da cerca há um terraço e o terraço deve ser bem nivelado. Nos bordos do terraço há flores e as flores devem ser frescas. Além das flores há um muro e o muro deve ser baixo. Junto ao muro há um pinheiro e o pinheiro deve ser velho.

Ao pé do pinheiro há rochas e as rochas devem ter forma original. Em cima das rochas há um pavilhão e o pavilhão deve ser simples. Por trás do pavilhão há bambus e os bambus devem ser delgados.
Onde terminam os bambus há uma casa e a casa deve ser isolada. Junto à casa há um caminho e o caminho deve ter uma encruzilhada. No ponto onde se unem os vários caminhos há uma ponte e a ponte deve tentar-nos a que cruzemos.

No extremo da ponte há árvores e as árvores devem ser altas. À sombra das árvores há relva e a relva deve ser verde. Mais além da relva há uma vala e a vala deve ser estreita.
Onde começa a vala há córrego e o córrego deve ser cantante. Além do córrego há uma colina e a colina deve ser vasta. Na falta da colina há uma horta e a horta deve ser grande.

Na horta há uma cegonha e a cegonha deve dançar. A cegonha anuncia que há um visitante e o visitante não deve ser vulgar.
Quando o visitante chega há um vinho e o vinho não deve ser recusado."

Yutang, 1997


Muito nos agrada esta imagem. A imagem de uma Cegonha que anuncia, simplesmente, a chegada de alguém. A chegada de Visitantes. Estes são Especiais, não podem ser vulgares.

Apreciamos todos os Jardins... Tenham eles portas ou não. Se tiverem portas há que abri-las para que possamos avistar o Caminho. Este já Cá está... Nem sempre o conseguimos ou queremos enxergar. De que fugimos todos? Será de Nós Próprios? E se sim, porquê?

Quando Aqui chegámos, ninguém disse que este Caminho era simples, que não era sinuoso. É sinuoso sim. Tem obstáculos, vicissitudes, alegrias maiores, outras menores. Tem do bom e do melhor.

Ao passarmos por todas as portas vamos crescendo, evoluindo. Fortalecemo-nos. Somos mais de Nós Mesmos. Reconhecemo-nos cada vez mais. Ainda assim, é descoberta. É processo. Sempre, sempre um processo.

Ao avistarmos as colinas da Vida, sentimos cada vez mais desejo. Desejo de subir a todas as árvores, colher os frutos e prová-los demoradamente ali, estendidos, deitados na relva, enquanto ouvimos o barulho doce dos canaviais e dos bambus que se envolvem numa dança intimista e "dengosa"...

Perdemo-nos em pensamentos. As ideias e as palavras saltitam a "todo o vapor." O calor do Sol cora-nos as faces. E coramos... Somos Meninas Pequeninas. E porque não? Podemos cantar bem alto, rir e rir como se não houvesse amanhã. Podemos bater asas e voar, tal como as Cegonhas...

Brindemos todos aos Visitantes. Bebamos esse Néctar dos Deuses, o Vinho. Não o podemos recusar... Primeiro, porque gostamos muito e, depois, porque só assim enalteceremos o Momento, conferindo-lhe todo o seu esplendor e toda a sua divindade.

Espalhem a Notícia. Voem e dancem como Cegonhas. Valorizem todos os Visitantes...

Sérgio Godinho, "Espalhem a Notícia"
(http://www.youtube.com/watch?v=jh1aK3qwmuc)


2 de março de 2009

Como Sempre. Como Dantes.


Venda Nova, 20 de Maio de 2008
Eras um Menino quando te conheci. Hoje és um Homem Maravilhoso. Admiro-te. Venero-te. Entendes-me. Sentes-me à Distância. Distância, qual distância? Paredes, prédios, ruas, sol, chuva ou vento, as pessoas, as outras pessoas... O que é que nos derruba? Nada. Nem a morte. Nem aqueles que já partiram. Esses sim, riem-se de nós. Brincam connosco. Mandam vir as Chuvas. Iluminam as nossas Vidas. Fazem-nos sorrir ainda mais. Unem-nos. Aconchegam-nos a Alma. Aquecem as nossas longas conversas. Estão Aqui, estando Lá Longe. No Bem Bom. Vinho, cigarros, risos, sorrisos, gargalhadas, palavras engraçadas, conversas soltas que fluem naturalmente. Esses, aqueles que sempre nos mostraram que vale a pena estar vivo, aqui e agora no Presente.

Hoje é o Teu Dia. Mais um apenas. E vês como as tais 24 horas já estão a terminar? Daqui a um ano estaremos em New York. Provavelmente já passámos a tarde toda na 5th Avenue, a fazer compras e andar pela rua cheios de sacos. A esta hora, recordaremos sorrindo o dia de hoje e já se terá passado um ano. Mas... Estaremos juntos. Como Sempre. Como Dantes. O que nos move? Os Abraços Apertados. As Coisas Boas Da Vida que estão aí para Nós. Que bom é saber vivê-las e partilhá-lhas. Que bom é saber que nos temos. Perto ou Longe. Não há distâncias nem pontes entre Nós. Há Amor. Há Amizade. Há Ternura. Tu na Casa dos Vinte e eu na Casa dos Trinta. E Somos Nós, tão Enormes. E tantas vezes Pequeninos... Como quando a noite cai e traz com ela aquele "bicho papão"...

Sim, eras um Menino quando Te conheci. Recordo-me perfeitamente de uma conversa perdida na tua sala, onde me mostrastes a lareira onde, tantas vezes te aquecias. Lareira essa onde depois me aqueci também, tantas e tantas outras noites, depois de jantarmos com a Tua Família que, no fundo, também é um pouco minha.

Pintaste-nos os azulejos que ainda hoje têm o nome Paula escrito. Esses azulejos estão na Casa do Norte, na Vila do Mato. Estamos por viver mais esse Momento. Quero-te lá comigo! Apreciaremos o final das tardes, quando a brisa mais fresca se aproxima. Estaremos deitados nos baloiços, num balanço suave. Tal como a nossa Amizade. Tal como a nossa Força. Suaves mas Agarrados à Terra, como Ancoras. Saborearemos aquele vinho especial, nuns copos grandes de pé alto. Acordaremos tarde pois as noites terão sido longas. Quem sabe já passadas junto da lareira da cozinha ou na da sala. Teremos ido ao meu sótão de onde avistámos todas aquelas Estrelas Cintilantes e Coloridas. Descemos para mais uns tragos no cigarro enquanto bebemos. Vinho, claro. Teremos jantado. Sabes como adoro preparar jantares e mesas com retoques especiais. E lá continuámos com vinho. Bem ao nosso jeito.

Nunca seremos Seres Perfeitos mas temo-nos para o bem e para o mal. Como Sempre. Como Dantes. Gosto de Ti, assim. Quem me dera já me ter apaixonado por ti. Teria "arranjado" o Mundo para Ti. Saltaria entre montes e vales para te alcançar. Correria na praia atrás de ti. Tu ficavas a construir Castelos na Areia enquanto eu procuraria Coisas e apanharia Conchas para que depois pudesses fazer, quem sabe, aqueles Espanta Espíritos que só tu sabes. Mimar-te-ia ainda mais, tal como mereces. Dava-te a mão, acendia-te um cigarro e afagava-te o cabelo e a nuca. Servias-me a comida, o copo de vinho e no fim... No fim cortavas o meu gelado de maracujá às fatias, enquanto "gargalhávamos" imenso à conta do "Obrigada, Obrigada" da Sô Dona Amália. A Nossa Amália, só Nossa.

Estamos Juntos, de qualquer maneira. À nossa maneira. Seremos sempre assim, os Iluminados aqui da Aldeia. Diferentes. Ousados. Rebeldes. Meninos Simples, por vezes. Bem ao Nosso Jeito Estúpido de Ser, enquanto partilhamos esta Estranha Forma de Vida. Homem e Mulher. Dois Corações. Uma Amizade.

Sabes Tiago, Há Amores Assim. Talvez por isso, e ainda hoje, te olhe assim... Em Estado de Pura Contemplação. Sente-se em Nós. Olha bem para a Nossa Foto!...

Até já. Até Sábado. Quero-te só para mim. Está prometido! Vamos dar Aquele Abraço...
Muitos Anos de Vida. Nesta e naquelas que se avizinham. Voltaremos juntos e, tal como Agora, Eu Sei Que Esperas Por Mim.

"Eu sei que esperas por mim
Como sempre, como dantes
Nos braços da madrugada...
Eu sei que em nós não há fim,
Somos eternos amantes,
Que não amaram mais nada.
[...]
Mas Deus quer mais sofrimento,
Quer mais rugas no meu rosto
E o meu corpo mais quebrado...
Mais requintado tormento,
Mais velhice, mais desgosto,
E mais um fado no fado."

Camané, "Mais Um Fado No Fado"
(http://www.youtube.com/watch?v=2kQVZX7FBiM&feature=related)

1 de março de 2009

Há Gente Que Fica Na História Da Gente...

Foto de Hugo Cruz. Carnide, 24 de Fevereiro de 2009

Eles são poucos mas bons. Ainda assim, não deve ter sido fácil. Eu não desconfiei de nada até ter entrado no restaurante e ter avistado o Zé. «-Mas que diabo fará o Zé em Lisboa, numa terça-feira de Carnaval?» pensei eu, até porque nem vi logo a Fátima! Avancei a medo, apavoradíssima. A Célia começa a segredar-me "trinta por uma linha" ao ouvido mas eu... Eu já não ouvi nada. Olhei-vos a todos, perplexa. Apeteceu-me fugir, tal como pensou a Isabel. Mas não o fiz.

Abracei-te Célia. Tens esse colo fabuloso onde me encaixo tão bem, sem nunca ter que falar nada. Não é preciso, pois não? Lá me vais lendo a alma, sentindo as dores do meu peito e claro... Conheces bem os meus "sopros" e "assopros". Uma questão de expressividade, nada mais. De seguida, abracei a Fátima e senti-me conectada de novo, ligada à Terra, aquele Porto Seguro... É certo que, se não vos tenho abraçado às duas naquele momento, teria fugido.

O motivo que vos levou até ali eu não preciso conhecer. Li as vossas palavras naquela noite e, mesmo quando as leio agora, ainda me emociono. Cada um de vocês ocupa um lugar especial no meu Coração. Gosto de saber que vos sinto e aprecio individualmente, não por aquilo que me possam dar mas sim, por aquilo que vocês são na vossa Essência. E espero estar sempre à altura de merecer a vossa atenção, carinho e, acima de tudo, a vossa Amizade.

A sensação de que não me consigo fazer entender acompanha-me desde sempre, vá-se lá saber porquê. Falo sempre muito, foco-me pouco mas quero acreditar que, de alguma forma, eu não entrei nas vossas Vidas por acaso. Não tenho assim tantas certezas, a sério... Sou um Ser Humano num processo de auto-conhecimento constante, lidando todos os dias com a vontade de mudar sempre para melhor, para evoluir como Individuo.

Não escondo que faço uma clara distinção entre o que são os meus Colegas e os meus Amigos. Os meus Amigos são poucos. Mas sou, de facto, bafejada pela sorte. Talvez por isso mesmo é que a Célia conseguiu juntar facilmente Colegas que já são Amigos! E fruto das tecnologias localizou a Fátima e o Zé, salientando também que se aliou ao meu Pai com a finalidade de "sacar" uns outros tantos contactos. A Sofia, o Diogo, o Rui, o Tiago, a Gabriela, o Rafael, a Sara e o Ricardo não puderam aparecer. Ainda assim, fiquei feliz na mesma. Sei que a Célia não duvida que tudo valeu a pena.

Estava cheia de saudades do João Paulo. Caramba... Fazes-me falta João Paulo, sabias? Nada é como era e tu sabes... Tu sentes saudades nossas também. Admiro-te tanto pelo Homem, pelo Profissional e pela Pessoa Maravilhosa que és. Mantém-te por perto, por favor. Preciso de ti na minha Vida. E todas as palavras parecem-me poucas para descrever o que sinto por ti.

Claro que ainda hoje, sinto saudades do cheiro do cabelo e da roupa do Bruno, lá naquela sala... O Bruno Marçal, esse grande Macaco, com cara de Anjolas. Teremos sempre visões diferentes sobre algumas temáticas, é certo, mas ele será sempre aquele que domina as informáticas, assim como o seu Super Gato Marty, e eu serei sempre aquela que sabe mandar faxes, diz "FêTêPê" em vez de "EfeTêPê" (vulgo, FTP) e que gosta de "Raikus". Bom, ninguém está a entender nada disto a não sermos nós e a Isabel, claro!

A Isabel, a minha Macaca Isabel... Sinto-me sempre em Paz contigo, sabias? Tens uns olhos grandes, capazes de alcançar este Mundo e o Outro! Somos miopes, é certo, mas não perdemos de vista a nossa capacidade para sonhar e para amar todos aqueles que nos são queridos. Carregas contigo a sabedoria de uma Hiper Mãe, com poderes especiais para amar mesmo aquelas que não são do teu sangue. Tal como me amas a mim. Obrigada por tudo, Isabel... Obrigada por continuares a ser sempre igual a ti mesma. Quero-te para sempre na minha Vida.

Do meio do nada, surgiu no ISCTE uma personagem curiosa, com 1,5m e toda furada. Já lá vai um ano e não consigo entender como é que tu, Cláudia, tens aguentado aquela gente louca da DSI! Vocês sabem que eu considero a Claúdia uma das Miúdas mais Giras e Sexys do ISCTE, a seguir a mim, claro, à Célia e à Sara?! Miúda, não me canso de dizer o quanto te admiro e o quanto venero a tua inteligência. Tens uma Aura Lilás que te confere um potencial enorme. Oxalá consigas sempre explorá-lo da melhor forma, a fim de alcançares tudo quanto desejas. De qualquer forma, o Universo está atento e conseguirá guiar-te sempre no teu Caminho. Deixa-te levar, sem medos. O Caminho faz-se... Caminhando. Obrigada por todas as janelas e portas que me tens aberto. Obrigada por todas as gargalhadas, pelas tuas sardas e rugas e por todas as estrelas que consigo alcançar, ali sentada no degrau do teu quintal.

Tenho um profundo respeito, e uma admiração ainda maior, pelo Artista de Serviço. Tu, Hugo. Sabes que "fui com a tua cara" desde o primeiro instante? Acompanhei de longe os problemas de saúde que tiveste no passado, que para mim só passaram de pequenas provações, talvez para que pudesses tirar lições da vida. Mais lições. Depois, à medida que me foste falando da Carla, a tua Carlinha, senti logo que vos conheço não só Daqui mas, quem sabe, de algum outro Instante. Admiro-vos como Casal, na vossa Sintonia Perfeita de Dois Seres Humanos que se gostam, admiram, cuidam e respeitam. Até por isso, por me teres permitido conhecer a Carlinha, te quero agradecer. Obrigada por me aceitares e respeitares como sou. Obrigada por me ouvires sempre, mesmo quando "vês" aquela névoa na minha face. Obrigada por aturares as minhas manias das fotos. Tenho uma empatia contigo muito particular que me faz deixar assim, à vontade. E, claro... A tua Máquina consegue capturar o melhor de mim, sempre!

Agora confesso que, para vos falar do meu Amor pela Fátima, necessitaria de editar vários post. Estamos nesta Vida com uma Missão conjunta. A Missão de Ajudarmos os Outros. Sabiam que, a seguir à Minha Mãe Judite, só voltei a sentir-me amada incondicionalmente pela Fátima? Olhem, sei lá... É isto que me vai na Alma. E sei que, mesmo estando fisicamente longe, tu estás sempre comigo. Sabes que, sempre que me olho ao espelho, consigo ver-te através do "nosso" sinal na cara? É verdade, Linda! Até temos sinais iguais, quem explica isto? Quem explica esta empatia subdita que se manifestou há quase três anos atrás? Ninguém vai acreditar que nos conhecemos apenas em 2006. Ainda hoje me pergunto como é possível sentir-me tão em casa, estando na tua casa... Por mim, já me tinha mudado para a Benedita ontem. Mal sei viver sem ti aqui em Lisboa. Fazes-me tanta falta! Quem aguenta estar sem ouvir as gargalhadas do Zé Vitorino? E quem é que, para além do Zé, partilha laranjas e cervejas comigo? Vocês, só vocês me fazem sair "a abrir" de Lisboa, rumando até à Benedita como se não houvesse amanhã! Sinto-vos "meus", sem qualquer sentimento de posse. E não duvidem... Se tivesse nascido do vosso amor, seria igualmente feliz. Também por vocês me escasseiam as palavras. Estarei aí em breve, esperem por mim... Como sempre, como dantes.

Tu, Menino Carlinhos... Muito obrigada por tomares conta da Célia. Não te peço mais nada, apenas isso. Toma conta dela por mim, sempre que eu não possa estar por perto. Durante o dia no ISCTE, cuido eu, não te preocupes. Esta coisa de podermos fazer turnos para tomar conta da Célia é bom! Ela fica sempre bem entregue, seja nas tuas ou nas minhas mãos. Gosto de ti, não só porque és o Companheiro de Vida do "Nosso Doce" mas, acima de tudo, porque te admiro imenso. Conheço a tua energia boa. Gosto da tua forma de estar na vida, assim tranquilamente. Quero ser assim quando for grande como tu, pode ser?

E quem é que não conhece as tipicas familias italianas? Posso apresentar-vos a minha própria versão da familia italiana. Sim, sim. Tenho uma Tia Italiana que até tem o mesmo nome do que eu, Paula Santos, mais recentemente pertencendo ao Clã Baleiro, por parte do meu Tio Alentejano/Italiano. Os meus Tios italianos são igualmente roliços e bem dispostos como eu. Pontualidade? Nããã... Isso fica para os ingleses com a mania das grandezas. Nós gostamos mesmo é de comer bem, sejam salgados, sejam doces. Marcha tudo. Conheço a Paula há precisamente 500 anos sim, quinhentos anos. Trabalhámos juntas e, quando me dei conta, estava fechada no gabinete a fazer brindes para o casamento da Paula e do Angelo. Acham estranho? Mas não, não é. Obriguei a Paula a oferecer uns saquinhos que eu inventei no momento, com pout-pouri embrulhado em tule que mandámos o Angelo comprar. A Paula é daquelas pessoas super divertidas que, mesmo quando o Mundo lhe desaba em cima, ela consegue ter a capacidade para rir e fazer rir. E não precisamos de falar todos os dias. Estamos aqui, uma para a outra. Foi sempre assim. Será sempre assim... Nós sabemos que sim.

Hi Sweety! Sua Maluca. Quem te manda a ti fazeres-me jantares surpresa? Mas quem é que te encomendou o serviço? Não me digas que já não chegam os manjares dos deuses que me proporcionas sempre que vou lá a vossa casa? Quem diria que invadias assim o meu Coração, tal e qual Napoleão por esse Mundo fora? Quando te conheci, tu já me conhecias. Curioso, não? O tempo, aquele que os relógios suiços marcam, não tem qualquer importância quando temos Amigos como tu. Não há espaço-tempo que importem quando sentimos esta comunhão de ser e de estar apenas porque... Olha, porque sim! Que faço contigo Célia? Palmadinhas no rabiosque não! Por isso, resta-me apenas ser eu e estar em ti, em nós... Na nossa Vida comum. Promete-me uma coisa: Vamos VIVER sempre assim? De sorriso aberto, óculos de Sol mesmo que chova, caminhando suavemente tipo duas "Pretty Women", apreciando todos os Momentos, minuto a minuto, como se não houvesse amanhã? Ajuda-me a melhorar como Pessoa. Abraça-me sempre, por favor. Ralha comigo por vir ao 2 e ao 3, cada vez com maior regularidade. Dá-me a tua Mão. Enrosca o teu Braço no meu e... Não me deixes Caminhar sozinha. Sem ti, já não seria capaz.

Ficava aqui... A contar-vos mais histórias. Podiam até adormecer no meu colo. Teríamos tempo, com certeza. Temos sempre tempo para cuidar dos Amigos. A frase não é minha mas faço questão de a deixar aqui escrita. Afinal, este post é destinado...

"Aos que insistem em passar pela vida sem marcar... E aos que marcam deixando saudade!"

"As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade
Só as lembranças que doem ou fazem sorrir;
Há gente que fica na história da história da gente
E outras de quem nem o nome lembramos ouvir;

São emoções que dão vida à saudade que trago (...)

Há dias que marcam a alma e a vida da gente (...)

A chuva molhava-me o rosto gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha já eu percorrera
Ai... Meu choro de moça perdida gritava à cidade
Que o fogo do amor sob a chuva há instantes morrera;

A chuva ouviu e calou meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro trazendo a saudade..."


Mariza, "Chuva"
(http://www.youtube.com/watch?v=R1RTZLT6wAU&feature=related)


22 de fevereiro de 2009

Just... Choose Love!


Foto: OSHO (Postponement)

«Adiar é simplesmente estúpidez. Amanhã também será necessário decidir; então, por que não resolver hoje mesmo? Você acha que amanhã estará mais sábio do que hoje? Você acha que amanhã vai estar com um vigor maior do que o de hoje? Você acha que amanhã estará mais jovem, renovado em relação à hoje? Amanhã você vai estar mais velho, a sua coragem será menor; amanhã você vai estar mais experiente, e a sua capacidade de dissimulação será maior; amanhã a morte chegará mais próximo - você começará a titubear e a sentir mais medo. Nunca deixe para amanhã. Quem sabe? O amanhã pode chegar ou pode não chegar. Se é preciso decidir, decida agora mesmo. (...) Decida! Não continue adiando indefinidamente.

Comentário OSHO:
A mulher desta carta está vivendo em uma paisagem cinzenta, povoada de nuvens irreais, nitidamente recortadas contra o céu. Através da moldura de janela ela pode ver cores, luz e vida; e, embora quisesse escapar por ali - o que se percebe pelas cores do arco-íris em sua roupa - ela não é capaz de fazer isso. Há ainda em sua mente muita elucubração do tipo "mas, e se...?". Dizem que o amanhã nunca chega, e não importa a frequência com que isso é repetido, parece que a maioria de nós tende a esquecer a verdade contida nessa frase. De facto, a única consequência certa de adiar as coisas é o tédio e a depressão nos dias de hoje, um sentimento de incompletude e de limitação. O alívio e o desenvolvimento que você sentirá quando puser de lado todos os pensamentos de indecisão que o estão impedindo de agir agora, farão com que você se pergunte por que esperou tanto tempo.»

In Osho Dang Dang Doko Dang, Chapter 8


Impulsos e vontades. Já, é para Agora. Como vêem, segui mais um impulso. Para não deixar para amanhã, senti uma vontade irresistível de vir aqui novamente. E resolvi escrever já hoje para que amanhã não venha a sentir saudades. Nem do que que não escrevi, nem do que não disse, nem do que não senti. Sabemos lá do amanhã! O presente é hoje, aqui e agora. O passado já lá foi. Nem me quero lembrar como foi o ontem. Que resistência tonta esta de calar o coração. Que tédio não viver como se fosse o último dia.

Socorro! Falta-me o ar. Não quero saber de redes. Quero saltar, quero voar bem alto. Voar lá em cima. Quero saltar de um trapézio qualquer. Posso até nem sentir o coração mas quero escolher já. E a minha escolha recai novamente no Amor! Escolho o verbo Amar naturalmente desde que me vejam com um sorriso nos olhos, que sintam o calor no meu peito e o fervor da minha alma.

Eu amo.
Tu amas.
Ele(a) ama.
Nós amamos.
Vós ameis.
Eles amam.


Protelar mais para quê? Porquê? Que ganhamos com isso? Arrisquem, vá lá. Não percam mais tempo. Vivam agora! Eliminem o cinzento da Vida. Optem por vermelho, pelo lilás e pelos seus derivados. Ainda se lembram das flores da Célia, os Girassóis? São de cor amarela e giram à volta do Sol. São seres felizes, já notaram? Esborratem-se de cor-de-laranja e lembrem-se das clementinas e das tangerinas tão luzidias, todas juntinhas numa caixa de madeira, expostas por aí numa mercearia qualquer! Abusem do azul cor de Mar. Envolvam-se de cor dourada para se iluminarem como se tivessem sempre um Sol particular em cima das vossas cabeças.

Quero perder o controle. Quero ser mais Eu hoje do que já fui ontem. Escolho o Amor. Escolho o Amor. Escolho o Amor. Olho para dentro de mim e custa-me admitir mas já esperei tempo demais! Não perdi tempo porque ganhei sabedoria. E agora? Agora?... Agora voltaria a fazer tudo de novo! E porquê? Porque escolhi o Amor! E neste Jogo da Sorte, a Vida, volto a apostar no Amor. Eu já cá entrei... Quero ganhar. Vou ganhar.

Já ganhei! Afinal... Escolhi Amar. Toca de "arregaçar as mangas" e, claro, "mãos à obra"! Há que cuidar, alimentar, dar de beber, mimar. Construir!


Escolhi amar logo vou ser amada também. E é já hoje.


Rita RedShoes, "Choose Love" (http://www.youtube.com/watch?v=ZTcxbTyIe0g)

Metamórphosis.


Foto: Luís Guerra, Outubro de 2002 (Vendas de Gavinhos, Oliveira do Hospital)

«Em biologia, metamorfose ou “alomorfia” (do grego metamórphosis) é uma mudança na forma e na estrutura do corpo (tecidos, órgãos), bem como um crescimento e uma diferenciação, dos estados juvenis ou larvares de muitos animais, como os insetos e anfíbios (batráquios), até chegarem ao estado adulto. Depois do nascimento, os animais podem sofrer dois tipos de desenvolvimento: directo ou indirecto. No desenvolvimento indirecto os animais que nascem diferem significativamente da forma adulta, assim os indivíduos passam pela metamorfose. Já no desenvolvimento directo, os animais já nascem com a forma definitiva, pois são muito semelhantes aos adultos, como por exemplo o ser humano.»

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Metamorfose e http://pt.wiktionary.org/wiki/metamorfose.

Foi exactamente há cinco anos atrás. Recordo cada milésimo de segundo, cada sensação, cada cheiro, cada dança, cada movimento, cada olhar e cada sorriso. Recordo-me até do meu Fiat Punto verde vejam bem! Ainda hoje toda a gente me associa aquele "carro de linhas" e, mesmo depois de o ter despachado tarde e a más horas, ainda tenho necessidade de buzinar a meio Mundo para chamar alguém e são poucos aqueles que me conseguem reconhecer a conduzir outro carro.


Avancemos. Naquela altura, estava loucamente apaixonada. Daqueles "erros" que se cometem uma vez, do género "embrulharmo-nos" com um dos melhores amigos. Não nego que até tem a sua piada. Não precisamos de vestir capas e capotes porque os amigos conhecem-se, admiram-se e respeitam-se. Não há nada de camuflado ali. Somos o que somos e o que sempre fomos! E eles já gostam de nós tal como éramos há vinte anos atrás! Bom, mas isto pode ser tudo muito subjectivo, pensarão vocês.

É verdade. Vivi uma grande história de amor quando tinha 28 anos. Talvez a mais verdadeira. Talvez, quem saberá dizer? A mais intensa, certamente. Era eu, despida de mim, do que sempre fui e aparentei ser. Já pensaram que quando amamos podemos aprender tanto? Sim, é verdade. Podemos aprender a ter consciência daquilo que poderá, eventualmente, vir a ser um "pseudo problema": a forma como nos entregamos. Afinal, quando amamos, despimo-nos de medos. A piada da coisa reside exactamente em continuar a acreditar no amor de uma forma positiva mesmo quando corremos sérios riscos de não ser correspondidos! And so what? Não devemos deixar de viver e de sentir! Até porque, como me disse a Sara há dias, aquilo que demonstramos (nós e os outros) nem sempre reflecte o que queremos e o que sentimos verdadeiramente. E também nos podemos enganar. Nós e os outros, claro.

Depois dos 28 anos mudamos! Quer dizer, inconscientemente desencadeamos em nós um processo em que "a" e "b" se encaixam porque sim, sem grande margem para questionar sequer onde fica o buraco do "c..." do bicho mais pequenino do Mundo. É verdade, não se riam! E não falo apenas da aparência física. Mudamos de dentro para fora e somos mais transparentes do que nunca. Tornamo-nos como que uma espécie de "peneira gigante", filtramos toda a informação que vem de nós e dos outros e, claro, a que vem do Mundo também. Refinamos os hábitos, as vontades e os quereres. Deixamos simplesmente de "papar grupos", se é que me faço entender.

Certo, certo é que a parte boa da coisa, e isso posso afiançar de imediato, é que depois dos trinta, Caríssimos Leitores... Depois dos trinta tudo melhora! Até porque aprendemos a gostar (ainda) mais de nós. Achamos piada e admiramos as nossas rugas (e também as dos outros), abusamos dos decotes para evitar os olhares mais curiosos para os rabiosques menos empinados, gostamos das nossas ancas e quadris que se te tornaram mais robustos e ousados também (por acaso sabem o que é a crista ilíaca?...), usamos gloss nos lábios como quem pede para ser beijada agora, agora, agora e mais e mais e ainda mais, fazemos massagens linfáticas, massagens anti isto e anti aquilo, experimentamos as madeixas louras e as unhas pintadas com manicure francesa.

Escrevo-vos de experiência própria e de coração aberto. Tenho alguma dificuldade em generalizar e acabo por particularizar e reduzir a amostra ao meu caso pessoal e também a algumas experiências relevantes de Amigos. Lá está. Outra coisa boa que vem com os trinta anos... Usamos e abusamos do Livre Arbítrio. Eu faço-o (quase) sempre (vou caminhando neste processo, nesta minha metamorfose)... Só estou onde quero estar. Só vou onde quero ir. Só estou com quem quero estar. Só gosto de quem gosta de mim. E quem não gosta assim pode bem "meter à borda do prato". Temos pena.

A era dos "intas" prepara-nos o terreno para que a era dos "entas" se apresente naturalmente e também para que, na melhor das hipóteses, consigamos vivê-la ainda melhor, com mais fervor, ternura e tranquilidade. Bom, a ordem pode ser alterada desde que exista tranquilidade, fervor e ternura. Insisto nisto porque também me ajuda a mim a recordar que... Racionalizar no Amor e na Amizade é tão importante como viver intensamente cada um desses sentimentos. Atingimos um patamar. Mais um.

Evoluímos. Subimos degraus a "olhos vistos". A mim, em particular, nada me assusta. Nem a idade, nem o envelhecimento, nem o Amor e nem a morte. Uma passagem. Apenas mais uma. Outras se seguirão. Tudo melhora com o passar dos anos, tal como os vinhos
. As metamorfoses ocorrem em nós de forma dinâmica, tipo em espiral, tal como um orgasmo. Podemos até sentir que não sabemos de que terra somos. Vemos estrelas, ficamos zonzos. Mas, devidamente conectados, percepcionamos a evolução, a nossa evolução, e sentimo-nos ainda mais seguros, mais fortes. Ainda mais confiantes.

Insisto na Sincronicidade. Nada acontece por acaso. Coincidências? Não, não existem coincidências!


"Estou-me a vir.
E tu como é que te tens por dentro?

Porquê não te vens também?"

Caetano Veloso, "Porquê" (http://www.youtube.com/watch?v=Lp-cT8j5k8I&feature=PlayList&p=FC126151DA8417B5&playnext=1&index=1)


Sigamos em frente. Olhos bem atentos. Coração aberto, sempre. Sem medos!


Caetano Veloso, "Mora na Filosofia" (http://www.youtube.com/watch?v=0x2mpUQTCqw&feature=PlayList&p=FC126151DA8417B5&index=2&playnext=2&playnext_from=PL)

15 de fevereiro de 2009

Às Vezes o Amor...

















Foto de Paula Santos, Agosto de 2008 (Costa da Caparica)


Lisboa, Sexta-Feira 13.

Foi dia concerto no Coliseu. Sentada na plateia ouvi e senti os Tindersticks, tão iguais a si mesmos. Vieram para apresentar, quase na integra, o seu novo trabalho, The Hungry Saw. Intimistas, num espectáculo dinâmico em termos de luzes, cores, sons e sensações.

E, como afirmou Stuart Staples "Não sei o que é que este sítio tem, mas faz-me sentir em casa.", a verdade é que o Coliseu sobe estar à altura daqueles senhores, que foram recebidos como se a banda britânica tivesse sido sempre composta pelos mesmos elementos.


Falo-vos dos Tindersticks porque numa das várias vezes em que fechei os olhos apenas para
feel the moment, dei por mim desenfreadamente à procura do meu bloco lilás, aquele onde costumo apontar umas coisas. Uma das músicas entoava uma frase que me fez simplesmente vibrar, arrepiar... Mas que ecoa até agora dentro de Mim.


E ali sozinha, mesmo às escuras, escrevi com uma caneta de tinta rôxa...
"In Your Hands I Found An Answer. Don't Wake Me Up If I'm Dreaming...".


Veio-me à memória esta minha foto, em que uma concha se revela tão imensa, numa mão pequena e rosada mas estendida de forma determinada, como quem sabe bem o que quer (e o que não quer, claro). Uma mão que se abre como se de um coração se tratasse, como quem diz: «-Estou aqui para amar e ser amada. Para ser respeitada, desejada, acarinhada e valorizada. Não! Por favor, não! Não me acordem, deixem-me sonhar!».


Parafraseando o Sérgio Godinho, em jeito de adaptação... Que hei-de eu fazer, tão nova e desamparada, se o Amor me entra de repente pela porta da frente e fica a porta assim escancarada? Vou-te dizer, a Luz começou em frestas. Se fores a ver, enquanto assim durar, se fores amada e amares, dirás sempre palavras destas. Para te ter, eu vou-te dar a pele, o meu cetim, o meu coração carmesim, as carnes e com ele as senhas. Às Vezes o Amor, no Calendário, noutro mês é dor, é cego, surdo e mudo. Mas, por te querer, vou abrir em mim dois espaços...


Gosto desta sensação de amar, de encantamento... Sinto-me Eu. Não me canso de escrever sobre o Amor. Sobre o Amor Livre, aquele que nos dá Asas para voar bem alto e para longe mas que deixa sempre um cordelinho suspenso no ar, para o caso de a Razão nos chamar...


Às Vezes o Amor é... Um Papagaio de Papel Colorido!


Sérgio Godinho, "Às Vezes o Amor" (http://www.youtube.com/watch?v=fPhC5j9ybwo&feature=PlayList&p=C101B198837534FF&playnext=1&index=59)

8 de fevereiro de 2009

Ser para Ter ou Ser para Amar?

















«Silêncio Fecundo.


As grandes conquistas não têm lugar em situações barulhentas mas em horas de tranquilidade e de silêncio. O Mundo gira silenciosamente para aquele que inventa novos valores e não para quem faz muito barulho.»

Friedrich Nietzsche


Sentimos uma dor profunda cá dentro, no peito. Nada de físico, julgamos. Mal sentimos a garganta. Talvez tenha partido para parte incerta. Não a vamos querer encontrar, garantimos. Nem hoje e amanhã… Amanhã logo se vê.


A nossa garganta representa a comunicação e a nossa capacidade (ou a falta dela) para nos expressarmos. E nem todos somos dotados desse bem tão precioso e tão raro… O poder da comunicação, esse grande símbolo da nossa liberdade, que nos garante a possibilidade de usarmos e abusarmos dessa característica única e intrínseca ao Ser Humano: o Livre Arbítrio para decidirmos sobre tudo o que nos acontece de bom e de mau. Sobre tudo o que temos cá dentro. Sobre o que pensamos e queremos (ou não) para nós.

Seremos criaturas à beira do Infinito? Conheceremos, ou almejamos conhecer, o verdadeiro sentido da Existência? Ou será que todos os caminhos nos “conduzem a um mesmo fim: a revelação de nós”, como escreveu Pablo Neruda?

Somos livres para nos libertarmos. Sairmos de Nós é o sinal vivo de que nos libertamos. Passamos pois a um estado de Conhecimento e de Compreensão. Podemos ser tudo para todos sem perder a nossa identidade, a nossa Essência e, assim, será possível avaliar o que representa não amar ninguém e até não ser amado.

Pelo melhor que damos aos outros devemos querer (e saber!) também receber. Não se trata de economia, atenção. Não nos referimos a um cálculo de compensação ou a uma fórmula matemática repetida vezes sem conta e da qual conhecemos sempre o resultado final. Escrevemos aqui e agora sobre um equilíbrio natural entre os Seres Humanos, fruto da prática de uma das leis do Universo, a Lei do Retorno. “Gratuitidade”. Será que podemos considerar esta palavra como válida?

Dar e Receber, eis a questão. Apeteceu-nos escrever sobre isto. A consagração ao Individuo, à Pessoa, ao Amor e à Amizade,só pode ser perfeita se for contínua. E a fidelidade pessoal será sempre uma fidelidade criadora e renovadora. Sermos livres para a Liberdade garante-nos a aceitação do Destino, da Dor e da Alegria. E vai conduzir-nos forçosamente à aceitação perante os outros. Nem sempre seremos bem entendidos. Nem sempre conseguiremos prender a atenção de todos mas seremos verdadeiros, de nós e para nós.

Se somos livres de Alma e Coração, podemos construir pontes para além do abismo da sociedade que o seu egoísmo criou. Ao tentarmos escutar os outros já estaremos a caminhar, a fazer e a dar o nosso melhor. Somos para Amar. Temos para Sermos e para Amar. E voltamos à Sintonia Universal, à Sincronicidade que nos mostra que nos encontramos exactamente no Tempo-Espaço correctos, a fazer a coisa certa.

As palavras são dinâmicas, tal como os nossos pensamentos. Voltaremos pois ao princípio. Ou será voltarmos ao fim? Se vos apetecer, pensem nisto. Ser para Ter ou Ser para Amar? Aproveitem pois o Silêncio que, para além de valer ouro, também é fecundo.

E está escrito. Sintam-se Vivos.

(http://www.youtube.com/watch?v=PQJWI82VySs
)

1 de fevereiro de 2009

Keep Growing... Courage.

«A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos. Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milénios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direcção ao sol, em direcção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho, e segue em frente. Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária.»

Osho, Dang Dang Doko Dang, Chapter 4.


«Comentário Osho: Esta carta mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas, das pedras em seu caminho, para aflorar à luz do dia. Envolta em brilhante aura de luz dourada, ela exibe a majestade do seu pequenino ser. Sem nenhum constrangimento, equipara-se ao sol mais brilhante. Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer. A flor nos mostra o caminho, na medida em que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há nenhum sentido em se lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se na flor, precisamos passar por eles. Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser.»


Coragem. Sejamos apenas... Flores. As Flores!


http://br.youtube.com/watch?v=GCsqjzSIMVY&feature=related

30 de janeiro de 2009

Happy Hour.



«Quem é esse de tal de amor?

Uma parvoíce inventada pelos poetas provençais.

Achas que houve sempre amor?

Não houve! Em Creta não havia amor, na Babilónia não havia amor! Não? Havia o quê?

Traições. Traições e amizades sólidas.

Como é que isto vai acabar, meu Deus?

Ninguém se mova…

Eu não falo. Vamos ver quem é que aguenta o silêncio…

Shhh…! Silêncio! Silêncio!

Ele não aguenta! Beijo-a ou não?

Beija-me…

Eis o casal perfeito deste país em ruínas… o pai de família comido pela Marilyn Monroe, casado com a vaca leiteira dos executivos nacionais!»


«Fragmentos de uma "Happy Hour", para dois actores, fragmentos de um discurso/diálogo em eco/espelho que nos faça pela proximidade física o distanciamento necessário às leituras possíveis deste "braço de ferro", deste abraço/afecto, perdido na agonia do quotidiano. Espectáculo construído para um olhar atento da pulsação, do nó da garganta, dos corpos usados e famintos de conforto, numa batalha de palavras, emoções, que feitas em nome da verdade nos vai dando a observar e espero, a fazer sentir na pele, o infortúnio e o "peso" das vidas paralelas, no confronto com a natureza animal de cada uma das personagens e que talvez devido à passiva, insegura e repetitiva deriva delas, possamos desta vez e como diria Garrett "falar verdade a mentir".

Espectáculo de carrossel, placa giratória, bola de espelhos que se abre e fecha como uma doce e inquietante caixinha de musica.»


(Fraga, Jan09)


Choveu todo o santo dia. A noite, essa caiu lentamente, de forma suave mas determinada. Aquela noite prometia, senti-o desde o momento em que me telefonaste ao final da tarde. "Destrambalhas-me toda", disse-te logo sem perder a oportunidade para sorrir com o Coração. Seguimos viagem. Do meio do nada avistam-se dois corpos pequenos de mãos dadas, a andar pela Baixa à procura de um lugar para jantar. Que chuva tão fria, bolas... No entanto, a tua mão protegia-me dos males do Mundo, não me deixava cair nem tropeçar, nem perder o rumo... E ainda me aquecia a Alma.


A Trindade está "à pinha", voltam para trás. Bem, o Café do Chiado traz-nos sempre boas recordações, apesar do Mateus Rosé! Entraram tranquilos, escolheram o lugar. Tiram-se os casacos molhados e sentaram-se. Dizem-se piadas, contam-se histórias, trocam-se olhares, uns furtivos outros densos até. Os discursos e as conversas fluem naturalmente. Há palavras que nos beijam como se tivessem nome. Ainda assim, fica sempre tanto por dizer...


Escolhemos o camarão e quanto ao vinho não restam dúvidas. Pedimos o Rosé, Mateus Rosé. As borbulhas fazem-nos sentir cócegas na garganta mas, no final de cada trago, sente-se aquele misto de doce-amargo tão peculiar que nos aquece por dentro. Trocam-se as facas pelo meio. Oh pá, nunca te orientas! Eu falo demais e tu baralhas-te sem perder esse jeito engraçado e desengonçado de ser. Deixa... Não importa! As rugas no canto de cada um dos teus olhos e esse sorriso aberto cheio de segredos fazem de ti uma pessoa única. Já cá andas há muito tempo, you know...


Jantámos, preparámos o tabaco e saímos para a rua. Não me vou alongar sobre aquela triste ideia de pedir o CD que estava a tocar, apenas para confirmar se a Diana Krall estava a fazer um "falsete". Valeu-me de muito! Perdi mais uma aposta, lá terei de pagar um jantar num restaurante do qual nem o nome me queres dizer! Estava frio lá fora mas comigo veio a taça de vinho. Não quero que nos falte nada, bem sabes. Tu ensinas-me tanta coisa e eu mimo-te com tanto e com tão pouco (e, nesses momentos, não me falta nada, sabias?...). Para além disso, não há combinação mais perfeita do que tu, eu, uma taça de vinho, dois cigarros e chuva a cair. Disseste baixinho: «- Espertinha, a Menina...» E eu respondi-te, com aquela frase típica: «-Pois é, eu cá não brinco em serviço!».


Olha, olha! Chegaram mais dois! Temos companhia, boa gente. Gente tranquila, sem stress. Senti de novo aquela certeza de que a noite avançava no tempo e na hora certos. Trocam-se mais palavras, joga-se conversa fora descontraidamente. São quase onze da noite. Caminhamos a passos largos para não chegarmos atrasados ao Luso.


Estava ansiosa e cheia de curiosidade para ver esta peça. Inicialmente não podias mas acabaste por vir e por apreciar. Afinal, deixei-te gozar à vontade, enfiar-me os dedos no nariz e nas orelhas até que eu fico sem jeito. Fazes-me rir como uma Criança. Guardas-me um lugar na fila da frente, mesmo ao teu lado. Experimentas o meu licor, fumamos mais um cigarro e eu seguro no cinzeiro. O pano preto não sobe antes do primeiro acto. O cenário é ali mesmo, no centro de tudo. Os personagens encarnam a figura de todos nós. Revivemos sentimentos, momentos, situações e emociono-me. Os meus olhos querem saltar de tanto olhar para ela e para ele, como que a querer "sorver" cada palavra saída daquelas bocas e cada gesto e movimento daqueles corpos.


Quase sem saber o que me estava a acontecer (não, não era fruto do vinho e nem do licor), tu tocaste-me na mão. Foi com delicadeza e eu acarinhei-te de imediato, alegre, confusa mas grata. Recebo esse gesto pausadamente, sem pressa nenhuma. Aquele era o Momento. Nesse instante perfumado confirma-se que a noite, esta noite era mesmo especial. Sincronicidade, nada mais. O Universo revelou-se, deu-se a conhecer, e tu tocaste-me sem qualquer pudor. Por isso te recebi, assim mesmo, tão serena e orgulhosa, com toda a ternura. Estou de bem Comigo e com o Mundo. Apeteceu-me beijar-te enquanto me entregava a ti.


«Como é que isto vai acabar, meu Deus?

Ninguém se mova…

Eu não falo. Vamos ver quem é que aguenta o silêncio…

Shhh…! Silêncio! Silêncio!

Ele não aguenta! Beijo-a ou não?

Beija-me…»


http://br.youtube.com/watch?v=x6ToqVt68sE&feature=related


22 de janeiro de 2009

O Extraordinário é Demais. Parte II.


E... Porque esta coisa das informáticas nem sempre é para "Meninas e Meninos"... Um dos meus últimos textos perdeu-se no Caos, vá-se lá saber como e porquê. Mas porque eu sei o quanto aquele textozinho é really, really important... Cá vai de novo, com algumas adaptações, fruto do Espaço-Tempo passado e também... Fruto daquilo que me "dá na real gana"! Afinal, quem manda aqui sou Eu, correcto?...


«Imitemos os deuses e comportemo-nos com todos os homens como com irmãos. Assim como os deuses se comportam em relação a nós, também nós devemos nos comportar nas relações com nossos semelhantes. Isto significa não só que não devemos fazer o mal, mas também que devemos fazer o bem, até àqueles que nos fazem mal. Descendemos todos da mesma origem, somos membros de um imenso organismo, somos irmãos, e, pelo bem, nosso e do todo de que somos parte, nossas acções devem ser marcadas pelo amor recíproco.

[...]

Tudo aquilo que vês, que encerra o divino e o humano, é um uno: somos os membros de um imenso organismo. A natureza nos criou irmãos,
gerando-nos dos mesmos elementos e para os mesmos fins; infundiu-nos um amor recíproco e nos tornou sociáveis. Estabeleceu a equidade e a justiça: para seu decreto é mais triste fazer o mal que sofrê-lo; por seu comando as mãos devem sempre estar prontas para ajudar. Tenhamos sempre este verso no coração e nos lábios: “Sou um homem, e não julgo estranho a mim nada daquilo que é humano”. Coloquemos tudo em comum: nascemos para [uma vida em comum]. Nossa sociedade é muito semelhante a uma abóbada de pedras: ela cairia, caso as pedras não se sustentassem reciprocamente, e é justamente isto que a mantém.»


Séneca, Cartas a Lucílio.



Para a Minha Isabel...


Porque te abraço cada dia, porque te quero bem para todo o Sempre... Porque somos Meninas Crescidas e Iluminadas pela Mãe Natureza, e pelas nossas ricas Mães também... Porque, porque, porque e... Porque sim.


Pois é... Naquela tarde, quando já sabia que te ía reservar um espaço mais especial Aqui, pensei escrever-te algo sobre o Daniel Sampaio e/ou sobre o Freud, dado o nosso interesse nestas matérias como a Psicologia e tantas outras coisas curiosas que povoam as nossas cabeças. Mas depois, lembrei-me do Séneca, outro grande doido, e apeteceu-me apresentar um pequeno excerto de um dos textos dele. As escolhas são sempre subjectivas, bem sabemos. No entanto, porque os Amigos são efectivamente a Família que escolhemos para nos acompanharem nesta Vida, acredito que ao partilhar este texto tu sabias exactamente até onde seguia o meu pensamento.


Melhor fiz! Recordei o nosso João Paulo Pirocas no seu fabuloso desempenho, de rabinho a dar a dar, enquanto cantava à porta do elevador daquele 7.º piso que tão bem conhecemos. E escrevi... Necessário, somente o Necessário. O Extraordinário é Demais! Recordas-te? Ainda hoje o cantamos mas falta-nos um "apêndice"... O nosso tão querido Amigo João Paulo. Que está sempre connosco, seja à hora do café (uma colocava o açúcar e a outra mexia-lhe o café!) seja no nosso pensamento. Está entranhado em Nós! Quem manda somos Nós! Recordei também o Bruno Marcolino, aquele com quem rimos horrores só de ele falar nos meus Raikus do Universo! Aquele Macaco com Cara de Anjolas que te colocava um big pig no ambiente de trabalho e adormecia nas formações! Aquele que ainda hoje se refere aos "rabiosques" das moças como sendo... Queijos. Queijinhos da Serra!


São tantos os Momentos já vividos juntas. São tantas as recordações e as lamentações que só Nós Duas é Que Sabemos. E o nosso business de "Dondocas" que nunca mais sai?!... E pensar que ainda hoje falámos em mudar de ramo... Da decoração para o catering, ah pois é!


No dia 10 de Janeiro comemoraste mais uma Primavera. Abracei-te virtualmente nessa madrugada e depois editei um texto para ti no dia seguinte. Este que agora sai meio que adaptado mas do qual quero preservar a essência... Para que fique aqui escrito o quanto te quero bem, seja em todos os teus aniversários, seja por todos os dias das nossas vidas.


... Jamais esquecerei os teus abraços e cuidados de Mãe, o teu colo fofinho que me chama em cada abrir de braços teu... O teu "adeus minha Macaquinha" sempre que me apareces no gabinete de mala ao ombro para dizer até amanhã... Porque estás de pedra e cal na minha vida. Porque nada acontece por acaso e não foi à toa que as nossas vidas se cruzaram. A nossa Amizade não tem idade. Sinto-me uma Menina protegida por ti, tu que consegues mandar embora todos os meus "papões" da noite e os meus medos do dia. E, ao mesmo tempo, fazes-me sentir tão especial por me confessares que já aprendeste tantas coisas comigo. Essa coragem de assumir e verbalizar as coisas torna-te ainda mais Mulher, mais Pessoa... Um Ser Humano único.


Por tudo isto e mais umas tantas outras coisas, deixo-te aqui um Grande Veijo daqueles à R.I. e um Abraço à moda do Pirocas, daqueles que quase nos parte os poucos ossitos que temos! Abraço-te ainda mais forte hoje, não porque me esqueça de o fazer nos outros dias, mas porque tudo vale a pena para te ver ainda mais Feliz. E não... Não esqueci o cheiro do pescoço da tua Filha Mais Nova e nem os atacadores das botas da tua Filha Mais Velha, nem a Planta Especial do Quarto, nem as nossas "Tchitchucas" que fazem tudo ao contrário do que lhes pedimos, ainda recebem por transferência bancária e mais... Deixam-nos recados escritos para não nos esquecermos de comprar qualquer coisa que falta para limpar nem sei bem o quê (e nem quero saber desde que as WC continuem brilhantes e que a tua mesa de apoio esteja limpa, ainda que com algumas revistas por cima)!


Psiuuu... Estou sempre aqui... Por perto. Vim para ficar na Tua Vida e tu, minha Amiga, nem sonhes que alguma vez te vês livre de mim! Estou aqui e daqui não saio, estás a ler bem?


Por hoje, quem manda aqui sou eu, a Macaca Mais Pequena...

18 de janeiro de 2009

Moças de Lábios Rosados...

I really love all the stories that start with... "There Was a Time..."


«- Era uma vez uma Moça Dinamarquesa que embarcou num vapor a caminho do Suez. Houve uma tempestade ao largo de Marrocos e onde as ondas levaram-na para uma praia. Uma praia branca...»

«- Gostava de ser eu a fazer isso... Dói?»

«- Não. E acreditarei em tudo o que me disser agora...»

«- Os Deuses castigam-nos respondendo às nossas preces...»




Do you know that sometimes I loose myself just for being thinking about simple pleasures?... That's true. And in the next moment I feel in peace with me, being One. "Serendipity" between Mind, Body and Soul.

Because of this film, there are some ideas that I would like to share with you now. Maybe you could retain something after read this post... Something that you could think about later, probably in one of those magic moments that you don't have anything else better to do...

«This water lives at Mombasa.», «British know how to read and what good has it done them?», «God is great, Sabu; He plays with us.», «We're a pair, you and I», «At least we would have been somewhere...» and also «When the gods want to punish you, they answer your prayers.».

This last sentence means a lot for me. Not only because I believe in The Universe but because when you really believe in something the "gods", for me The Universe, make everything happen. You just need to want something with truth and pure intention that Universe take care of everything else... He will do the rest, trust me. And if you change your mind you should be prepare too... Not to be punished but to receive Him's designs.

Universe knows exactly what we need.

Please take a few minutes to read about http://en.wikipedia.org/wiki/Clarinet_Concerto_(Mozart) and listen with your heart and with your soul http://en.wikipedia.org/wiki/File:Mozart_Clarinet_Concert_-_1._Allegro.ogg...


Have a nice day...

14 de janeiro de 2009

Exaustão?

«O homem que vive através da consciência mental torna-se pesado. Aquele que vive com consciência permanece leve. Por quê? Porque um homem que tem apenas algumas ideias a respeito de como se deve viver, naturalmente se torna pesado. Ele se sente obrigado a carregar consigo o seu carácter. Esse carácter é como uma armadura: é a sua protecção, a sua segurança. Toda a sua vida está investida nesse caráter. E ele sempre reage às situações através desse carácter, nunca directamente. Se você lhe faz uma pergunta, a resposta é pré-fabricada. Esse é o sinal de uma pessoa "pesada", ela é enfadonha, estúpida, mecanizada. Ela pode ser um bom computador, mas não é um homem. Você provoca e ela reage de uma maneira bem definida. A reacção é previsível: ela é um robô. O homem verdadeiro age de maneira espontânea. Se você lhe faz uma pergunta, obtém uma resposta, não uma reação. Ele abre o coração para a sua pergunta, expõe-se a ela, responde a ela....


In Osho Take it Easy, Volume 1 Chapter 13


Comentário Osho: Eis aqui o retrato de uma pessoa que esgotou toda sua energia vital nos esforços que fez para manter em funcionamento sua enorme e ridícula máquina de imagens pessoais de importância. Ela esteve tão ocupada "mantendo as partes ligadas entre si" e "assegurando-se de que tudo funcionava bem", que se esqueceu de descansar de verdade. Sem dúvida, esse personagem não pode permitir-se qualquer distração. Deixar de lado suas obrigações para dar um passeio na praia poderia significar o desmantelamento de toda a estrutura. A mensagem desta carta não é, entretanto, apenas a respeito de ser um viciado em trabalho. Ela se refere a todas as maneiras pelas quais criamos rotinas seguras, porém contrárias à natureza, que conseguem manter longe de nós tudo o que é caótico e espontâneo. A vida não é um negócio para ser administrado: é um mistério a ser vivido. Já é tempo de rasgar o cartão de ponto, escapar da fábrica e fazer uma pequena viagem pelo desconhecido. O seu trabalho poderá fluir mais suavemente a partir de um estado relaxado de mente.»



Estou cansada. Dei por mim a sentir sono e cansaço at 10 p.m. Continuo cansada. Cansada de cansada. Cansada de cansaço, entendem? Não, pois não? Deixem lá isso. Também não interessa nada...

Vamos "nanar", tá?

12 de janeiro de 2009

Dou you know that I'm a hundred different things?



«She may be the face I can't forget,
A trace of pleasure or regret,
May be my treasure or
The price I have to pay.


She may be the song that summer sings,
May be the chill that autumn brings,
May be a hundred different things
Within the measure of a day.


She may be the beauty or the beast,
May be the famine or the feast,
May turn each day into a
Heaven or a hell.

She may be the mirror of my dream,
A smile reflected in a stream,
She may not be what she may seem
Inside her shell.


She who always seems so happy in a crowd,
Whose eyes can be so private and so proud,
No one's allowed to see them
When they cry.


She may be the love that cannot hope to last,
May come to me from shadows of the past,
That I'll remember till the day I die.


She may be the reason I survive,
The why and wherefore I'm alive,
The one I'll care for through the
Rough and ready years.


Me, I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be.
The meaning of my life is she, she, she...»


Charles Aznavour, "She" (http://br.youtube.com/watch?v=d_pXZ-hDVxw&feature=related)


Today I feel the need... The need for Speed. My
eyes can be so private and so proud that no one's allowed to see them. But... I really am a hundred different things... As Always.

11 de janeiro de 2009

O Extraordinário é Demais.

8 de janeiro de 2009

Uma Catedral... Um Templo Em Mim.


"No silêncio uma catedral
Um templo em mim
Onde eu possa ser imortal
Mas vai existir
Eu sei, vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar..."

Zélia Duncan, "Catedral"

http://br.youtube.com/watch?v=-hKGjS4ZSkM


Palavras chave do post de hoje: Catedral. Templo. Silêncio. Solidão? O Hoje. O Lugar, o Nosso Lugar. Amores e Sonhos. Encontros. Existência. Catedral... Templo...


"Porque, algumas vezes, papel e caneta não bastam", como diz o Luís, tinha saudades de vir aqui apenas para escrever. Para Partilhar. É um Jeito de Sentir. De me deixar levar e depois... Depois encontrar-me comigo, em mim. O longe faz-se perto. Por isso mesmo acabo sempre por me encontrar. Estou Viva, sou cada vez mais Eu!


A sopa fervilha na panela. Ao longe ouço a roupa girar dentro da máquina. Nem ouço. Abstraio-me e distraio-me no meio de pensamentos, letras, palavras e ideias que chegam rapidamente à minha mente. E tudo flui naturalmente porque escrevo o que sinto. Tal e qual como sinto o que digo e venho aqui escrever. Sou eu, dizem. Outros ficam admirados. Uma outra forma de me (tentarem) ver a Alma, essa Entidade que está acima de mim mas que sou Eu, a minha Essência. Outros há que julgam que nos expomos por escrever assim. Mas, há sempre um mas...


Gosto de me imaginar como se fosse um Templo. Onde permito que várias pessoas se abriguem. Abro os braços e acarinho de forma simples mas intensa. Como os meus olhos. Gosto de Abraçar e de Proteger. Ser o Porto Seguro de uns e de outros Seres. Um Templo de Amor e de Carinho. De Simplicidade. Sou Transparente mas não nego que sou Densa. Um Achado, disseram-me em tempos. Ora aqui está, uma forma bonita de me sentirem. Mas, quando permito que tal aconteça, sei que já dei de Mim. Do meu Melhor. Da minha Energia Boa. E já fui. Estou lá e confesso que, por momentos, sinto medo. Ainda assim, mesmo em silêncio, não deixo de Amar Intensamente.


Aprendi a gostar das coisas simples da Vida. A Vida que tanto me tem dado e tirado também. Mas recebo tudo, do bom ao pior, como se fosse a primeira vez. Saboreio os instantes, os prazeres e os momentos tal como se degusta um vinho tinto. E sonho. Ai bolas, sonho muito! Continuo a sonhar como se ainda fosse uma Menina. Menina que sou e que gosto de ser. Aqui dentro, naquele lugar que só chegam aqueles que eu deixo. Todos aqueles que me merecem. E onde cabe a Solidão? Esse âmago no estômago e também amargo de boca? A Solidão também me bate à porta. E eu, serenamente, pergunto: "Quem é?" e deixo-a entrar. Quero conhece-la para a reconhecer depois, noutros instantes, noutros lugares. Noutros momentos de mim dos quais não fujo pois sei que, amanhã, posso estar novamente frágil e até carente mas, ao mesmo tempo, firme e segura. Tal como uma Catedral. (Já me ocorreu ficar aqui a escrever-vos sobre a grandiosidade de uma outra Catedral. Sim pois! O Estádio da Luz, aquela obra de arte imponente situada à beira da estrada... Mas aposto que perderia leitores assíduos deste meu espaço!)


Bom, a sopa está pronta. A roupa aguarda ansiosamente pelo orvalho que cai lá fora. E eu deixo-me levar pelas coisas singelas que também fazem parte da minha Catedral, do meu Mundo.


Não foi sempre assim, acreditem. Mas neste instante, é. E caminho, não para a perfeição, essa utopia, mas sim para um deserto onde vos vejo e me vejo... Tão perto de chegar a uma Catedral qualquer, a um Templo Iluminado. O nosso Lugar, onde chegamos para ficar e onde o Céu pode ser maior.

2 de janeiro de 2009

Perdidos e Achados.


"Bouncing of clouds we were
Is there a love "Lost-and-Found"?"

Tori Amos, "Bouncing Off Clouds" (http://br.youtube.com/watch?v=SZOFa_JYMnM)


Estamos no Inverno. Chove lá fora. Está-se bem apenas por não nos apetecer fazer nada. Melhor estaríamos em cima de uma Nuvem Qualquer. Uma nuvem daquelas que podemos ver se abrirmos agora a janela e olharmos lá para Cima... Acabei de o fazer. Pareceu-me visualizar apenas um manto branco... Senti-lhe o cheiro e é tão macio aos olhos do meu nariz. Isto parece-vos estranho, não é?


Mas acreditem que não, não é. O corpo humano é um "achado" da Natureza de tão genuíno. Podemos cheirar as nuvens e até sentir-lhes a textura. Podemos percepcionar tudo, basta estar atento e querer. É bom não fazer nada, não pensar em nada. Esvaziar a mente é importante.


A mente é um reboliço de Perdidos e Achados onde temos gavetas para guardar um pouco de tudo, ou de nada, do bom ao melhor, do menos bom ao... Pior. Podemos até guardar músicas e cheiros também. Essas gavetas encerram em si mesmas o melhor e o pior de Nós e dos Outros. Somos todos Bichos, vestidos de armaduras de ferro. Ferro já gasto e enferrujado mas que, por vezes, insiste em querer derreter-se tal como gelados!


Bom, gelados já me leva a pensar no Verão e na Praia do meu
Camping. Que tardes fabulosas me ofereço, sempre que vejo toda a gente a deixar a praia, para virem tratar dos banhos e dos jantares da família, e em que eu fico ali, sozinha comigo. Olho para o Mar à minha frente ou até de lado, caminho na areia e apanho conchas, pedras e... Procuro, procuro algo... Adoro encontrar coisas e trazê-las para casa, seja esta de tijolos ou de material inflamável, como o meu avançado na Costa da Caparica, situado na Rua do Assador-Mor. Calma, calma. Esse assador não é o meu Pai! Nem sou eu, entenda-se. É genético. Não temos "jeitinho" nenhum para essa árdua tarefa.


Não imaginam as curtas-metragens feitas comigo no papel principal sempre que peço a algum Companheiro para me deixar usar o lume para grelhar o peixinho. E lá vou, de óculos de sol, de biquini e de
pareo, de luvas para não me queimar e o meu famoso chapéu de apanhar borboletas, como diz o Companheiro Diogo. Ai, ai... Suspiro lentamente só de me lembrar dele, no auge dos seus 20 aninhos, cheio "de pinta" a pavonear-se pelo Parque e a dizer uns piropos engraçados às Miúdas na Casa dos Trinta, a quem ele chama de Companheiras! Mal sabe ele o quanto eu e a Carla, a outra trintona lá da rua, gozamos com o cenário. São inúmeras as private joke sobre o que ele faria se simplesmente... Lhe puxássemos a toalha para baixo sempre que ele vem do banho! Para não falar que idealizamos sempre a famosa cena da entrada nas discotecas e dizemos-lhe: "- São 25€ a entrada e tem direito a... Duas Coca-Colas pois o Companheiro não tem idade suficiente para beber!"


Não pensem que me perdi nesta descrição detalhada. Tenho sempre alguma dificuldade em focar-me como diz a Cláudia. E já me vem à memória o seu famoso "Oh Valha-me Deus". Mas para mim as conversas são como as cerejas. Tenho tantas histórias e estórias para contar! Em bom tempo desejei este espaço para partilhá-lhas e escrever exactamente como... Falo!


Em tempos, um jornalista do DN disse-me, em jeito de tio de Cascais mas a viver aqui na aldeia: "- Oh Querida, sei lá... Mas porque é que você não escreve um livro? Ai que lhe ficava tão bem! Vá lá, tá a ver...". Bom, o livro ficará para daqui a uns anos, para quando tiver mais tempo. O tempo que nos é mostrado pelos relógios suiços.


Perdidos e Achados. Lá se passou mais um ano. Teremos 14 anos pela frente, com o Planeta Plutão a reger as nossas as vidas. Será aliciante, um verdadeiro desafio, acreditem. Daqui a um ano teremos com certeza tantas outras histórias e estórias para partilhar. O tal reboliço de perdidos e de achados de que vos falei no início deste texto. Dificilmente estaremos iguais. Seremos nós, na nossa essência, mas estaremos ainda mais completos devido às pessoas e às experiências vividas.


Vamo-nos perder, é dado como certo. Mas encontraremo-nos, algures por aí, no Caminho. Na Estrada da Vida. E será tão bom... Obrigada a todos aqueles que estiveram sempre comigo em 2008. Obrigada ao Universo por ter colocado no meu Caminho todos os Seres Maravilhosos que tive o prazer de encontrar e a todos aqueles que reencontrei.


E agora para terminar vamos fazer um exercício. Assim, peço à Fátima e Família, ao Papai Vasques, à Dona Lídia e Família Melo, ao Tiago, à Célia e Família, aos meus Afilhados Diogo e Luís Miguel, ao Nuno, à Tatiana, à Eterna Tia Alice, aos Tios Beta e Fredy, à Raquel e ao Gonçalo, à Gy, à Carla Sofia, à macaca Isabel e Família, ao João Paulo e Família, à minha Tia emprestada Margarida Coutinho e Família, à Avó Fernanda e à Tia Teresa, ao Tio Alfredo, à Ana Vilar e ao Hélder, à Gabriela e ao Rafael, à Sara Rico, à Carla, Catarina e Família, à Mariana e Família, à Cláudia e Família, à minha Rô, à Ana Teixeira, à Deusa e à Sobrinha Beatriz, à Família Almeida, ao Sr. Jorge Monteiro e Família, à Fernanda Freitas e Marido, à Família da Escola de PAKUA, à Dona Deolinda e Família, à Paula Deusa, à Família do Espaço Anjocas, à Dona Jesus e Família, à Família António Ramos, vulgo Barbas, ao Nobre, ao Jorge Máximo, ao meu anjolas Bruno, à minha outra Tia emprestada Paula Baleiro e Família, à formiga Vanda e Família, ao Ricardo Veloso, à Lurdes do CCL e Família, às Famílias da minha rua do
Camping, ao Décio e Família, ao Hugo e Carla Cruz, à Rafaela Armas, à Ana e ao José, ao Jaime e Família, às Lenas da Venda Nova, ao Luís Domingos, à Família Salsinha, à Titinha e Família e também ao "rebento que se avizinha", ao Mel, ao Ahmad Saleh, às Sofias Gentil-Homem e Amaral, ao Tiago João, ao Marinho, à Tila e Família, ao meu Tio emprestado Alexandre... Que se sintam ABRAÇADOS POR MIM.


Não posso também de deixar algumas palavras de agradecimento ao Ruben Simões, à Isabel Cernich e ao Miguel Caetano. Convosco aprendi uma grande lição nesta Vida! Aprendi o quão importante e benéfico é fazer o luto das coisas, das pessoas e das situações. É como "pão para boca". Acreditem. É tão necessário como respirar. Nunca vos esquecerei... Guardei-vos numa das minhas gavetas, com carinho e saudade e aqui ficarão.


"Embora tenha o Universo
nada posso afirmar ter,
pois o desconhecido não posso conhecer
se me agarrar ao que já conheço."


In "O Cavaleiro da Armadura Enferrujada", de Robert Fisher (Capítulo 7, O Cume da Verdade)